Em minoria na CPMI, bolsonaristas dão golpe baixo e aprovam provocação contra filho de Lula

Confusão na CPMI após fraude na votação (Foto: reprodução TV Globo)

“Eles só tinham 7 votos pela provocação e nós, 14 contra. Assim mesmo o presidente da CPMI do INSS fraudou e inverteu o resultado”, diz o deputado Paulo Pimenta (PT-RS)

Numa manobra grosseira e ilegal, o presidente da CMPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), transformou uma derrota do bolsonarismo na votação em provocação da quebra de sigilo contra o filho do presidente Lula. Apesar de ter apenas 7 votos a favor da quebra do sigilo de Lulinha contra 14 votos contrários, Viana declarou aprovada a provocação.

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) acusou o presidente da CPMI de cometer uma “fraude” durante a condução de uma votação simbólica no colegiado. Segundo o parlamentar, o resultado proclamado não refletiu o número real de votos contrários aos requerimentos em análise, o que, em sua avaliação, configura uma violação ao regimento e ao processo democrático.

Não há nenhuma acusação formal contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As ilações para tentar atingi-lo vêm de mensagens do “careca da INSS” falando de uma pessoa que é conhecida de Lulinha, a empresária, Roberta Luchsinger. Não há nada de concreto contra o filho do presidente. Ele apenas está na linha de tiro dos bolsonaristas porque, estes sim, envolvidos com as fraudes do INSS, precisam atacar a figura do presidente Lula numa tentativa desesperada de desviar a atenção sobre seus crimes e desgastar Lula na disputa eleitoral.

A denúncia da manobra que inverteu fraudulentamente a votação foi feita em pronunciamento no plenário da comissão. Na ocasião, Pimenta afirmou que houve erro material na contagem e pediu a anulação imediata do resultado. Em sua fala, o deputado classificou o episódio como grave e direcionou críticas à condução da sessão. “O que aconteceu é algo muito grave. Atenta contra a democracia e o parlamento. Peço que a imprensa ajude a sociedade a tomar conhecimento de uma ação ilegal realizada no plenário dessa comissão há poucos minutos pelo presidente, senador Carlos Viana”, declarou.

Pimenta detalhou o que, segundo ele, foi o cenário da votação. “No momento da votação, isto a imprensa pode comprovar pelas imagens, votaram, levantaram a manifestaram seu posicionamento contrário a senadora Soraya Thronicke, Randolfe Rodrigues, Jussara Lima, Jaques Wagner, Tereza Leitão, deputado Damião Feliciano, Átila Lira, Cléber Verde, Orlando Silva, Romero Rodrigues, Paulo Pimenta, Alencar Santana, Neto Carleto e Rogério correia. Portanto, 14 parlamentares votaram contra a aprovação dos requerimentos.”

“No momento da votação, pelo contraste visual entre todas as pessoas que estavam sentadas, só tinham direito a voto os titulares: Izalci Lucas, Eduardo Girão, Rogério Marinho, Coronel Fernanda, Adriana Ventura, Alfredo Gaspar e Marcel Van Hattem. Portanto, no momento da votação, pelo contraste, o resultado da votação foi 14 a 7”, afirmou. “O regimento é claro no sentido de que o contraste da votação simbólica se dá por maioria ou minoria entre os presentes. Portanto, foi 14 a 7 a votação. Não existe essa interpretação de que o quórum seria o total. Isso não tem previsão regimental”, disse.

Pimenta solicitou formalmente a revisão do resultado. “Diante disso, requeiro a vossa Excelência que anule o resultado por erro material da contagem e que o Vossa Excelência anuncie o resultado verdadeiro, baseado nas imagens. Não havendo, por parte de Vossa Excelência, esse entendimento, comunico que vamos interpretar como uma ação deliberada pelo senhor para fraudar o resultado da votação”, argumentou.

A votação ocorreu nesta quinta-feira (26), em meio a um ambiente de muita tensão. A decisão autoriza o acesso às informações bancárias do empresário, filho do presidente. O Planalto interpretou como uma provocação a condução da votação que resultou na quebra do sigilo do filho do presidente Lula.

Integrantes do alto escalão do governo classificaram o episódio como um “golpe” e afirmam que a decisão será contestada. Transformaram uma minoria em maioria, dizem. “Diante deste fato, nós iremos até o presidente do Congresso Nacional para solicitar a imediata anulação que teve aqui, e, ao mesmo tempo, vamos fazer uma representação no Conselho de Ética do Congresso Nacional contra Vossa Excelência por decisão de fraudar o resultado da votação”, declarou Pimenta.

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