Envolvidos no roubo do Master, bolsonaristas espionam Moraes para tentar tirar o foco sobre seus crimes

Ministro do STF, Alexandre de Moraes (Foto: Ton Molina - STF)

Criminosos invadiram Receita para espionar contas do ministro e de sua família. Objetivo é desviar a atenção do envolvimento de bolsonaristas com os golpes de Vorcaro. PF já está no encalço de todos os envolvidos

Os seguidores do golpismo bolsonarista estão tentando desesperadamente desviar o foco de sua participação na roubalheira do Banco Master. Eles acham que podem envolver sorrateiramente o Supremo Tribunal Federal (STF) nos crimes. Se utilizaram até de uma criminosa quebra de sigilo fiscal de Alexandre de Moraes e seus parentes com esse objetivo.

O plano era jogar no colo de Moraes e outros ministros a culpa pelo rombo bilionário que Vorcaro deu no sistema financeiro, no Fundo Garantidor de Crédito e nos clientes do banco.

Inicialmente a orquestração tentou comprometer o presidente Lula com o assalto ao Master. Fizeram escândalo sobre uma reunião em que Lula recebeu o dono do banco. Lula confirmou a reunião e disse que exigiu apuração técnica e rigorosa do BC. Resultado, Daniel foi preso e o Master foi liquidado pelo Banco Central.

O plano contra Lula não deu certo. Aí o alvo mudou para Alexandre de Moraes, ministro do STF. É verdade que os bolsonaristas nunca engoliram a ação firma do ministro contra o fascismo e o perseguem desde a condução impecável do julgamento que colocou o chefe do golpe e seus cúmplices na cadeia. Por isso, agora, eles tentam se vingar do ministro.

Os criminosos agiram ao mesmo tempo que Flávio Rachadinha, o candidato tampão da extrema-direita, finge que o escândalo do Banco Master não tem nada a ver com ele e nem com seus cúmplices. Só que o presidente Lula, para quem eles quiseram empurrar o desgaste sobre o assalto, está exigindo uma apuração rigorosa e a punição de todos os envolvidos no caso Master. Já o fascista ambulante, que o pai mandou disputar as eleições, não diz nada sobre o caso. Ele não diz nada porque sabe muito bem do envolvimento até o pescoço de bolsonaristas na roubalheira do Master.

O “rachadinha”, numa referência aos funcionários fantasmas, inclusive milicianos, que ele colocou em seu gabinete quando era deputado estadual do Rio, acha que ficando calado sobre o escândalo onde cúmplices seus, como Ibaneis Rocha (leia aqui), Cláudio Castro (aqui) e Tarcísio de Freitas (aqui) meteram mão no dinheiro público de seus estados e injetaram no Banco Master às vésperas da sua liquidação pelo Banco Central, conseguiria empurrar os crimes para o colo do ministro Alexandre de Moraes ou do presidente.

No ataque ao ministro do Supremo, foi citado o contrato do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master. O texto afirma que, embora o contrato não traga dados sigilosos, detalhes sobre o funcionamento financeiro do escritório poderiam ter sido extraídos de bases acessíveis ao Coaf ou à Receita Federal. Não há nada de ilegal nos contratos da advogada.

O plano de envolver o ministro mais uma vez saiu pela culatra. O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou providências e informou, nesta terça-feira (17), que abriu inquérito para apurar o vazamento de dados fiscais de ministros e seus familiares. O STF identificou “diversos e múltiplos acessos ilícitos ao sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil, seguindo-se de posterior vazamento das informações sigilosas”. A declaração consta em nota divulgada pela Corte.

Quatro servidores da Receita Federal cedidos a outros órgãos públicos são os principais suspeitos. Os servidores públicos envolvidos no crime são Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. Eles foram alvo da Polícia Federal nesta terça-feira (17), por suspeitas de acessarem ilegalmente dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares.

Os investigados foram afastados imediatamente de suas funções públicas e proibidos de acessar as dependências e os sistemas da Receita Federal e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Também foi determinada a proibição de saída do país, com cancelamento de passaportes e inclusão de impedimento migratório. Segundo o STF, os investigados prestarão depoimento à Polícia Federal, que dará continuidade às diligências.

O STF se somou à avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo a qual a “exploração fragmentada e seletiva de informações sigilosas de autoridades públicas, divulgadas sem contexto e sem controle jurisdicional, tem sido instrumentalizada para produzir suspeitas artificiais”.

Em nota, a Receita Federal disse que “não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal”. O órgão fez menção a um inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) aberto ainda em 12 de janeiro para investigar se houve vazamento de dados bancários de ministros da Corte e de seus parentes protagonizada pelo Fisco e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

“O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa. A auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF. Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal”, declara a Receita em nota.

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