Epstein, Trump e a rede sionista de pedofilia nos EUA

Foto: reprodução da RT

“A divulgação de mais de 3 milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro continua alimentando a suspeita de que o condenado por pedofilia Jeffrey Epstein atuou como um ativo para o Mossad israelense”

EUGENE WEBB *

Jeffrey Epstein foi acusado de criar uma rede de garotas menores, com a ajuda de jovens mulheres que as recrutavam, para forçá-las a manter relações sexuais com frequência de até três vezes por dia na sua mansão na Flórida. A cúmplice principal de Jeffrey é Ghislaine Maxell, socialité inglesa, cujo pai Robert Maxell os apresentou ao serviço secreto israelense, o Mossad. Robert Maxwell é suspeito de ter sido agente secreto do MI6 (serviço de inteligência do Reino Unido) e do Mossad. A divulgação de mais de 3 milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro continua alimentando a suspeita de que o condenado por pedofilia Jeffrey Epstein atuou como um ativo para o Mossad israelense.

ILHA EPSTEIN

A importância deste escândalo vai muito além do noticiário policial, porque este casal recrutou e organizou, ao longo dos anos, uma rede de bilionários, líderes políticos de vários países e seus puxa-sacos, para divertir-se em orgias sexuais com menores na ilha Pequena São James, também conhecida como “Ilha Epstein”, localizada cerca das Ilhas Virgens dos Estados Unidos, no mar do Caribe. Em outras palavras, esta rede construída durante muitos anos por Epstein e Ghislaine serviu como instrumento de influência sobre personalidades e políticos americanos, tanto republicanos como democratas.

Reportagens recentes indicam que o casal filmou, fotografou e gravou conversas e a participação dos convidados nas orgias como forma de chantageá-los quando e, se fosse necessário, para obter o seu apoio para políticas e ações dos interesses dos sionistas.

Epstein não conseguiria tamanha influência entre tantos bilionários e líderes políticos se não fosse muito articulado com o governo de Israel e com o Mossad, porque de ilustre desconhecido se tornou membro importante do lobby sionista. O sionismo tem enorme poder nos EUA, por haver garantido financiamento a Israel por diferentes governos democratas ou republicanos.

Trump e o parceiro Epstein (reprodução)

Segundo o autor Ari Ben-Menashe, ex-agente do Mossad e homem de negócios de Israel, Epstein criou uma armadilha baseada em bacanais e relações sexuais para obter informações e chantagear políticos e celebridades (em inglês se chama honey trap) e para colaborar ou espionar para o Mossad.

O escândalo atinge Trump e reflete de maneira nítida como agia sem nenhum escrúpulo antes, e como segue agindo hoje o ditador. Não há limites em sua tentativa de impor uma recuperação do poder dos EUA como império, em sua fase decadente, embora cada vez mais a decadência se torne visível a olho nu, mesmo para aqueles que acreditavam na demagogia do seu líder mafioso.

RELAÇÕES ÍNTIMAS

Desmascarando as mentiras do atual ocupante da Casa Branca sobre suas relações com Epstein, emails vindos a público nos últimos dias, entre ele e Epstein revelam que Trump compartilhava com Epstein interesse criminosos em mulheres jovens e apoio à pedofilia, sem falar nas fotos mostrando o presidente e Epstein sorrindo e sólidas comprovações de que ele viajou no jato particular de Epstein quando ambos eram amigos nos anos 90.

Muita gente acha que não há transparência na divulgação do dossiê Epstein de posse do governo porque Trump tem culpa e sabe que se houver transparência o seu governo acabará muito mal. O escândalo evidencia muito bem como o sionismo utiliza a chantagem como arma para obter consentimento para as suas políticas genocidas, sempre apoiadas pelos EUA.

Como “onde tem fumaça tem fogo”, esse escândalo tem gerado grande descontentamento e oposição por apoiadores importantes de Trump, como Tucker Carlson, um conservador com grande influência na mídia alternativa, que afirmou em entrevista recente: “O fato de que o governo dos EUA, aquele no qual eu votei, recusou-se a responder a minha pergunta [sobre Epstein] com seriedade, e em vez disso respondeu ’caso encerrado; cale-se, teórico da conspiração’ foi demais para mim. E eu não acho que o resto de nós deve ficar satisfeito com isso.”

Além de Carlson, a influenciadora de redes sociais, Candade Owens, não tem dado trégua a Trump nos seus podcasts. Ela perguntou em uma de suas transmissões “onde estão os meus fracos companheiros porque Trump nos chamou disto ontem, certo? Ele também disse durante uma conferência de imprensa que nós somos ‘estúpidos’ por ainda querer saber sobre os arquivos sobre Epstein.” Candace é um bom exemplo de uma MAGA de primeira hora que denuncia Trump por sua associação com a rede de pedofilia organizada por Epstein, Aliás, ela acusou Trump de querer enganar o público e seus apoiadores MAGA e considera o escândalo como um câncer terminal para o movimento MAGA.

FOI SUICIDADO

O jornal Miami Herald publicou há muitos anos uma série de matérias sobre o caso Epstein, descrevendo todas as acusações das vítimas, os processos criminais, e as investigações realizadas pelas polícias local e federal (Bureau de Investigações Federais, o famoso FBI) contra o casal. Não resta a menor dúvida que há grande quantidade de provas sobre os crimes cometidos por ambos, que levaram a condenações de 18 meses em 2008 e 22 anos em 2022, respectivamente para ele e ela. Jeffrey cumpriu 13 dos 18 meses em uma cela no Centro Penitenciário Metropolitano em Nova Yorque, onde faleceu como resultado de suicídio bastante suspeito. Ela segue presa em um presídio federal em Bryan, Texas.

Embora ainda existam muitos mistérios sobre todas as fontes da riqueza de Epstein, a revista Forbes revisou documentos dos processos criminais contra ele, materiais de uma investigação e dados financeiros para concluir que ele se tornou milionário como agente financeiro e através de truques para redução de impostos, com fortuna avaliada em cerca de 600 milhões de dólares, principalmente por agenciar transações financeiras de dois clientes bilionários: o dono das lojas Victoria’s Secret’s, Les Wexner, e o magnata de private equity, Leon Black.

Estátua de Trump e Epstein colocada em protesto na área do National Mall, em Washignton (reprodução) 

Wexner e Black foram responsáveis por mais de 75% dos ganhos de Epstein em cobranças pelos serviços financeiros prestados entre 2008 e 2019. A residência luxuosa de Epstein em Manhattan foi palco de inúmeras reuniões da elite política, artística, intelectual, e financeira dos EUA e de diversos países ocidentais, como a Inglaterra e a Noruega.

O escândalo Epstein é um caso exemplar da corrupção moral, negociatas, e hipocrisia de grande parte da elite política dos Estados Unidos, particularmente em Nova Yorque, de onde saiu Trump, e onde a chamada “high society” desfila sua riqueza e impunidade aos quatro cantos e mente descaradamente sobre suas reais convicções e ocultas conspirações. O que de fato fazem e pensam de noite não é revelado de dia!!! Afinal de contas, como pode Epstein tornar-se milionário em poucas décadas quando era um professor da escola privada Dalton em Nova Yorque em 1976, sem ter sequer diploma de curso superior? Como conseguiu acesso a tanta gente famosa sem ter sido parte de família da grande burguesia da costa leste dos EUA?

ESTELIONATO ELEITORAL

Segundo importantes analistas políticos de vários matizes, a base trumpista MAGA desconfia com razão de Trump, que continua o seu estelionato eleitoral prometendo que se chocaria de frente com a elite do grande capital financeiro. Na prática Trump atacou durante a campanha os setores do capital financeiro que apoiaram Biden e suas guerras, mas sempre escondeu que foi sócio ou amigo de outros setores do grande capital financeiro que apoiam os republicanos.

Depois de eleito, ficou claro que as Big Techs, os sionistas, a indústria bélica e do petróleo andam lado a lado com ele. Cada vez mais a mentira muito bem guardada se junta com o descontentamento com a continuidade da guerra na Ucrânia, com o apoio ao genocídio na Palestina e ameaças de novas guerras, com a inflação que bate na porta da maioria da população, com os cortes em programas sociais benéficos para o andar de baixo da sociedade, com o assassinato de ativistas contra a perseguição estilo Gestapo a imigrantes, para aprofundar a divisão entre os MAGA convictos e outros simpatizantes de Trump.

O entusiasmo com Trump diminui rapidamente com as revelações sobre Epstein e talvez seja um caminho sem volta para muitos. Embora se saiba que os trumpistas aceitam o fato de que ele pode ter tido sexo com menores, que pode ter sido também vítima de chantagem, existe grande resistência contra a não divulgação da lista completa de nomes. A última leva de emails já deixou claro que Trump está comprometido até o pescoço.

Um escândalo como o do Epstein por si só não muda a correlação de forças entre os diferentes grupos que apoiam e se opõem a Trump, mas se tornou um peso negativo importante nas hostes trumpistas e munição para desgastá-las e isolá-las entre os eleitores independentes e entre aqueles que mudaram seu voto acreditando ingenuamente no discurso mudancista que dizia querer Fazer a América Grande Novamente. Se, como tudo indica, a ruptura entre as bases e os líderes trumpistas continuar crescendo, aumenta muito a probabilidade de fragorosa derrota dos republicanos nas eleições para o Congresso em novembro.

* Professor, analista político e colaborador do HP nos EUA

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *