A maré pró-redução de jornada para 40 horas semanais, com escala de 5 dias de trabalho e 2 de descanso, deixou a Folha de S. Paulo no repuxo da onda.
O jornal publicou matéria desfundamentada, na qual considera que o brasileiro, já hoje, sem a redução reivindicada, trabalha pouco. Para demonstrar o (mal) dito, em sua edição de domingo (22), compara a média de horas trabalhadas no Brasil (40,1 horas semanais) com as horas trabalhadas no Sudão, Butão e Emirados Árabes Unidos.
Embora não considere significativo para sua apressada conclusão, cita, sem tirar as devidas consequências, que à frente do Brasil, com jornadas menores, estão países como França (31 horas semanais), Japão (35,5), Noruega (27,8) e Holanda (27,6). E, o que é pior, na lista de 160 países, o Brasil está na posição 38, ou seja, há 122 países do mundo onde se trabalha menos que no Brasil.
A diferença entre um grupo de países e o outro é, justamente, a participação da indústria na produção. Ora, como o Brasil vem se desindustrializando e, ao mesmo tempo, arrochando os trabalhadores, pode-se, perfeitamente, concluir que a redução da jornada de trabalho, o aumento real do salário mínimo e os direitos trabalhistas, fortalecem o consumo, o mercado interno, a qualificação profissional e a produtividade.
Pode-se concluir: o que prejudica a produtividade é a falta de investimento público, é o juro nas nuvens, a financeirização da economia, a remessa de lucros e a reprimarização.
Aliás, é esta a nossa experiência. A abolição, a CLT e a Justiça do Trabalho vieram ao mesmo tempo que a industrialização.
CARLOS PEREIRA











