A cientista social peruana, Soledad Requena, em uma entrevista para o site ‘Dialogos do Sul Global’, fala sobre as eleições no Peru e os riscos de Keiko Fujimori na presidência do país vizinho. De acordo com Requena, uma vitória de Keiko “pode se tornar o que sempre foi o fujimorismo, o movimento de um partido fascista”.
“Vocês todos sabem que o meu país está hoje do jeito que está por uma herança do governo Fujimori”, disse Requena. E que essa herança é principalmente presente na constituição peruana de 1993, promulgada no durante o regime do pai de Keiko, Alberto Fujimori.
“É uma constituição neoliberal, uma constituição entreguista”, disse.
Soledad faz uma alerta para a presença de Keiko nas eleições, que ela é uma continuidade do projeto político de seu pai e que existem interesses de setores econômicos que botaram muito dinheiro na campanha de Keiko.
“Grupos de poder econômico estão por trás de Keiko agora e sempre estiveram por trás de Fujimori”, disse explicando que existem interesses de famílias da elite peruana que querem impor políticas neoliberais e privatizações.
“Quer se eleger, mas seguir o governo do pai, quer a continuidade”, disse Soledad. “Com o dinheiro que ela teve, que ela ainda tem, consegue comprar consciências, consegue ter a mídia ao lado dela.”
De acordo com Soledad, as pesquisas das intenções de voto nas eleições peruanas podem estar sendo impulsionadas para criar um cenário favorável a Keiko Fujimori. “Há cerca de 20 a 25% de eleitores que seguem acreditando nessa loucura neoliberal”, disse.
“Se Keiko ganhar, vai se aliar ao bolsonarismo, ao interesse americano”, acrescentou.
Outro problema apontado por Soledad, é a atual fragmentação da esquerda peruana e a dificuldade de se consolidar como uma alternativa ao fascismo dos Fujimori. E a existência de várias candidaturas enfraquece o movimento e dificulta a avanço da esquerda para um segundo turno contra Fujimori.
“Nós somos uma esquerda historicamente dividida”, disse.
FUJIMORI PROMETE VASSALAGEM A TRUMP
“Meu papel, caso eu seja eleita presidente, será motivar os Estados Unidos a voltarem a participar mais ativamente”, disse Fujomori, convidando os americanos a ter uma presença maior na América Latina, que eles consideram como um “quintal dos fundos” a ser explorados.
Os americanos querem interferir nas eleições latino-americanas para tentar conter a influência da China na região, eles contam com a extrema-direita para juntar aliados para uma política pró-império ianque.
O peru é o segundo maior parceiro comercial da China a receber investimentos em infraestrutura e mineração. em primeiro lugar está o Brasil, com investimentos em infraestrutura e energia.
Keiko, com 15% nas intenções de votos, está prometendo ampliar a onda de extrema-direita que no momento atinge a Argentina, Equador, Chile e Bolívia. As eleições peruanas têm a participação recorde de 35 candidatos, e de acordo com as pesquisas, nenhum conseguiu chegar aos 20% das intenções de votos.
Alberto Fujimori, pai de Kieko, foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violações aos direitos humanos. Ele foi o responsável pelas chacinas de 25 pessoas no total de Barrios Altos em 1991 e em La La Cantuta em 1992 por um esquadrão da morte sob seu comando, assim como sequestros, torturas e a esterilização forçada de 300.000 mulheres
Em 1992 ele perpetrou um autogolpe quando suspendeu a Constituição peruana, fechou o congresso e expurgou o Judiciário, tornando-se então um ditador.
Keiko Fujimori, assim como seu pai, é acusada de vários crimes de corrupção, um julgamento que começou em 2024, ela é acusada por lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução da justiça.
Keiko também responde à Justiça por receber financiamento ilegal da Odebrecht para as campanhas presidenciais de 2011 e 2016. O Ministério Público peruano pede uma condenação de 30 anos de prisão.











