Filho de subsecretário de Cláudio Castro é acusado de estupro coletivo no Rio; polícia busca foragidos

Cartaz de procurado com os acusados de estupro coletivo de jovem em Copacabana - Foto: Reprodução

Um dos jovens acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio, é filho do Subsecretário de Governança do Estado do Rio, José Carlos Costa Simonin, integrante do governo de Cláudio Castro. O suspeito é Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, apontado pela investigação como um dos envolvidos no crime ocorrido em 31 de janeiro dentro de um apartamento alugado no bairro.

Além dele, também são investigados Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos; Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19; e João Gabriel Xavier Bertho, 19. Há ainda um adolescente de 17 anos envolvido no caso.

Segundo as apurações da polícia, o crime ocorreu no dia 31 de janeiro, dentro de um apartamento alugado e que estava vazio, localizado em Copacabana. O imóvel pertence a Vitor Hugo. Ele e o menor de idade envolvido no caso eram estudantes do Colégio Pedro II, que já iniciou processo de expulsão dos dois.

VÍTIMA LEVADA A APARTAMENTO

De acordo com o inquérito, a adolescente foi levada até o local por um ex-namorado, também menor de idade. Os dois já tiveram um relacionamento.

Ao chegar ao imóvel, no entanto, a jovem encontrou outros quatro homens no apartamento.

Imagens de câmeras de segurança ajudaram a reconstruir a sequência dos fatos. Às 19h24 do dia 31 de janeiro, os quatro homens adultos chegam ao apartamento. Um minuto depois, o ex-namorado da vítima entra no prédio acompanhado da adolescente.

Cerca de uma hora depois, a jovem deixa o apartamento com o menor de idade. Vinte minutos mais tarde, os quatro adultos e o ex-namorado também deixam o prédio.

VIOLÊNCIA SEXUAL E PSICOLÓGICA

A vítima procurou a Delegacia de Copacabana ainda no mesmo dia. O exame de corpo de delito apontou diversos sinais de agressão, incluindo lesões na região genital, presença de sangue, hematomas nas costas e nos glúteos e suspeita de fratura em uma costela.

Segundo a investigação, além da violência sexual, a adolescente também sofreu agressões físicas. Ela teria sido atacada com tapas e chutes por todos os envolvidos.

O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, afirmou que o caso foi tratado desde o início como uma ação planejada.

“A gente encarou desde o começo como uma emboscada planejada. O adolescente se valeu dessa confiança adquirida com a adolescente — uma de 14 anos, a outra de 17 anos — para atraí-las até o apartamento. Ela foi surpreendida posteriormente por quatro pessoas entrando no quarto e praticando toda espécie de violência”.

O delegado também destacou a gravidade das lesões constatadas no exame pericial.

“exatamente o que ela [a adolescente” declarou”.

“Ela tinha lesões na parte sexual, nas costas, nas nádegas, inclusive tinha suspeita de uma fratura na costela. No depoimento ela relatou que recebeu chutes. Ela não foi vítima só de violência sexual; além da violência sexual, ela foi vítima de violência psicológica e de agressões físicas.”

PRISÕES DEMORARAM A SEREM AUTORIZADAS

A Polícia Civil pediu a prisão dos suspeitos e mandados de busca ainda durante o plantão judiciário.

Segundo o delegado, o pedido inicial não foi considerado urgente.

“O juiz entendeu, naquele momento, que o caso não dizia respeito ao plantão judiciário. Entendeu que aquilo teria que ir para um juiz natural e por isso ele resolveu redistribuir o feito. A gente contava muito com essa ordem judicial que a gente pediu no plantão exatamente para ter esse elemento surpresa a nosso favor, porque se nesse momento tivéssemos conseguido essas ordens judiciais, acredito que a gente conseguiria não só tê-los prendido, mas também ter obtido mais provas através dos celulares”.

O processo acabou sendo redistribuído para diferentes varas antes da decisão final.

“[O processo] foi distribuído, caiu numa vara de violência doméstica. A juíza, ao meu ver de forma correta, entendeu que não era atribuição da violência doméstica e encaminhou para a vara de adolescente e criança vítima. E, aí sim, a Justiça veio se pronunciar quando, na última sexta-feira, foi decretada a prisão dos maiores. Isso realmente demandou esse tempo e trouxe, de certa forma, um prejuízo.”

As prisões só foram decretadas cerca de 20 dias após o pedido inicial da polícia.

Quando os mandados foram expedidos, os suspeitos já não estavam em suas residências. A polícia acredita que a demora no processo judicial pode ter permitido que eles deixassem os locais onde moravam.

Ainda em 31 de janeiro, policiais tentaram localizar os envolvidos, mas ninguém foi encontrado no apartamento.

No dia 2 de março, novas diligências foram feitas após denúncias ao Disque-Denúncia, novamente sem sucesso.

Até o momento, dois suspeitos se entregaram nesta terça-feira (3), enquanto dois continuam sendo procurados pela policia. O adolescente envolvido tem o caso analisado pela Vara da Infância e da Juventude.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *