Fim da escala 6×1: reduzir a jornada sem cortar salário é urgente para o Brasil – por Guilherme Bianco

Vereador da cidade de Araraquara, Guilherme Bianco - Foto: Divulgação

GUILHERME BIANCO

O fim da escala 6×1 é fundamental para garantir dignidade ao trabalhador brasileiro. Após a vitória obtida com a isenção do Imposto de Renda e, conseqüentemente, alívio no bolso da população, estamos diante de um novo debate que pode trazer melhores condições de vida e trabalho: a redução da jornada, sem a redução de salário.

Batizado como “Dossiê 6×1”, levantamento realizado pelo Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), do IE (Instituto de Economia) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), apontou que a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais resultaria na criação de até 4,5 milhões de empregos.

O documento — que integra um diagnóstico feito por especialistas para medir os impactos da medida na economia e no país — concluiu que o Brasil está “preparado para trabalhar menos” e, ao contrário das projeções do mercado, elevaria em aproximadamente 4% os níveis de produtividade.

Esse debate separa os políticos que estão ao lado do povo e os que são inimigos dele. Basta ver como se movimentam cada um dos atores: enquanto as forças vivas e progressistas da nação querem o fim da escala 6×1, as “almas penadas” da direita — aquelas figuras que agem nas sombras — buscam livrar Bolsonaro de seus crimes.

Mas se engana quem pensa que essa contradição é nova. Em 1888, a elite brasileira tentou barrar o fim da escravidão; depois, em 1940, queriam impedir que houvesse salário mínimo; anos mais tarde, em 1962, foram contra a criação do 13° salário; em 1986, eram contra o seguro-desemprego. Em todas as oportunidades, o discurso era o mesmo de agora: dar mais esse direito acabaria com a economia.

No Brasil — em especial a partir de 2010 — passamos por momentos difíceis, com ataques significativos aos direitos trabalhistas: a reforma trabalhista, a da Previdência e, consequentemente, a precarização das relações de trabalho, o enfraquecimento da Justiça e do amparo legal ao trabalhador, a pejotização e escalas abusivas que resultaram em menos tempo para se dedicar à família e ao lazer.

Não à toa, dados do Ministério da Previdência Social sobre afastamentos do trabalho apontaram que quase meio milhão de pessoas foram atendidas por questões de saúde mental por reflexo do mercado de trabalho. O dado representa um aumento de quase 70% em uma série histórica de dez anos. Mais de 160 mil desses afastamentos foram por ansiedade, 126 mil por depressão e 52 mil por depressão recorrente.

A redução da jornada, sem redução de salário, não caracteriza o brasileiro como “preguiçoso”, mas devolve a ele a dignidade tomada com as sucessivas reformas ou minirreformas que atentaram contra seus direitos. É promover justiça social, oferecer “vacina” para o adoecimento pelo trabalho e criar oportunidade de desenvolvimento.

É hora de decisão. É preciso ocupar as redes e as ruas em defesa dos trabalhadores e do Brasil. A escala 6×1 é desumana e pode ser diferente. Basta união da população para virar esse jogo e garantir mais direitos. Junte-se a essa luta!

*Guilherme Bianco é vereador na cidade de Araraquara pelo PCdoB. Ativista em defesa da Educação e dos Direitos Humanos, foi coordenador do Cursinho Popular CUCA, vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) e diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE), além de militante da Juventude Pátria Livre.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *