Fortalecer a Petrobrás é essencial diante do intervencionismo dos EUA, alerta FUP

Foto: Divulgação/Petrobrás

Em meio às recentes medidas intervencionistas do presidente dos EUA, Donald Trump, a países estratégicos para o Brasil em relação ao petróleo, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) faz um alerta para a urgência de o governo e a Petrobrás adotarem medidas de fortalecimento da sua segurança energética e alimentar.

Em artigo publicado em seu site, a FUP ressalta que mesmo com o movimento de retomada da produção de fertilizantes pela Petrobrás – quase completamente dizimada nos governos Temer e Bolsonaro –, com a entrada em operação das FAFENs Paraná, Bahia e Sergipe, a Petrobrás ainda responderá por apenas “20% de toda a demanda de ureia do Brasil”.

“Atualmente, o país importa entre 90% e 97% dos fertilizantes utilizados pela agroindústria nacional, sendo que 42% dos países fornecedores estão sob sanção ou intervenção dos Estados Unidos”, alerta a FUP.

“No rastro do saqueio do petróleo venezuelano, após o golpe em curso no país, com sequestro e prisão ilegal do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Trump anunciou que irá impor uma tarifa adicional de 25% sobre todas as transações comerciais com nações que mantiverem negócios com o Irã”, afirma a Federação, ressaltando que a medida pode afetar diretamente o setor agrícola do Brasil, já que 79% dos produtos comprados do Irã são adubos e fertilizantes.

Apontando a gravidade do momento para a agroindústria nacional, a entidade cita estudo feito pelo Insper Agro, que aponta que, em 2024, o Brasil importou entre 90% e 97% dos fertilizantes utilizados usados pelo setor, sendo que “42% das importações de ureia são oriundas de países que estão sob sanção ou intervenção dos EUA: Rússia (que atende 20% da nossa demanda nacional), Irã (responsável por 17% das nossas importações) e Venezuela (que responde por 5%)”, alerta a FUP.

“Ou seja, a soberania alimentar do Brasil está seriamente em risco, dadas as incertezas geopolíticas, que apontam para mais um choque internacional nos preços dos fertilizantes. Importante lembrar que em 2022, com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, os preços dos insumos tiveram uma alta de 129%”, explica a Federação.

A FUP afirma que o retorno da Petrobrás ao segmento de fertilizantes é uma das principais bandeiras da categoria petroleira, que chegou a fazer uma greve histórica em fevereiro de 2020, contra o fechamento da Fafen Paraná e a demissão sumária de seus trabalhadores.

“Desde a transição para o governo Lula, a FUP tem defendido a pauta dos petroleiros e petroquímicos em negociações junto aos órgãos do governo federal e às diretorias da Petrobrás, bem como por meio de assentos em Conselhos Nacionais, não só para viabilizar a reabertura das fábricas, mas também para garantir direitos e condições seguras de trabalho”, diz a entidade.

Segundo a FUP, a luta, no entanto, continua, para que o modelo de retomada das FAFENs BA e SE seja revisto e a Petrobrás volte atrás na terceirização da atividade-fim, garantindo uma operação segura, feita por trabalhadores próprios e experientes.

“O setor de fertilizantes foi totalmente desmantelado na Petrobrás, deixando marcas profundas nos trabalhadores, que foram realocados para outras unidades da empresa. Estamos negociando o retorno dos que trabalhavam nessas plantas industriais antes de terem sido transferidos compulsoriamente para outras regiões do país, fato que desencadeou na época a maior crise de doença mental já registrada na Petrobrás”, reforça o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Para Bacelar, a reconstrução e fortalecimento do setor de fertilizantes dentro do Sistema Petrobrás exigirá ainda mais esforço coletivo.

“É fundamental garantirmos que a atividade-fim das FAFENs seja primeirizada e que o setor seja integrado de forma definitiva para que todos os trabalhadores possam ser tratados com dignidade, recebendo condições de trabalho justas e seguras. Os erros cometidos no passado devem servir como lição, para que o Brasil possa ter de fato segurança energética e alimentar e cada vez menos dependência das importações de fertilizantes”, afirma.

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