“Gasolina acima de R$ 7 é efeito da privatização”, denuncia presidente da FUP

Preço alto da gasolina reacende debate sobre reestatização e papel da Petrobrás

Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar, voltou a colocar em pauta os impactos da privatização de ativos da Petrobrás no preço dos combustíveis.

“Mais de R$ 7 o preço da gasolina num posto que usa a marca da Petrobrás, mas não é da Petrobrás, ao lado de um terminal da Vibra, a antiga BR Distribuidora, e também da nossa refinaria”, afirmou. Ele se refere à Vibra Energia e à antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), agora Refinaria de Mataripe.

“O Brasil já teve uma Petrobrás integrada do posto ao poço. Ela produzia, transportava, refinava e também distribuía e comercializava combustíveis por meio da antiga BR Distribuidora e da Liquigás. Isso dava ao nosso país mais controle sobre um setor estratégico e mais instrumentos para proteger a população brasileira quando o mercado internacional pressionava os preços”, disse.

Segundo ele, esse cenário mudou com a venda de ativos importantes da estatal. “Mas essa realidade infelizmente mudou quando a BR Distribuidora e a Liquigás e algumas refinarias da Petrobrás foram privatizadas. Hoje muita gente ainda abastece em postos como esse, que tem a marca BR, achando que estão abastecendo na Petrobrás. Quando, na verdade, a distribuição e comercialização estão nas mãos de uma empresa privada, a Vibra, que atua na lógica do mercado e do lucro.”

A Vibra Energia, maior distribuidora do país, teve seu processo de privatização iniciado em 2019, quando a estatal perdeu o controle da empresa, e foi concluída em 2021 com a venda da participação restante da estatal, ao longo do período do governo Jair Bolsonaro (PL). À época, a rede contava com mais de 8 mil postos espalhados pelo Brasil.

Para o dirigente sindical, os efeitos dessa mudança são percebidos diretamente pelos consumidores. “E o resultado aparece onde? No bolso da população brasileira. Mesmo sendo um país produtor e autossuficiente em petróleo, a gente vê o preço do combustível disparar”, afirmou.

Ele afirma que a perda de presença estatal em toda a cadeia do setor reduz a capacidade de intervenção sobre preços. “Porque quando o Estado perde essa capacidade e presença em toda a cadeia de um setor estratégico como esse, que é o setor de óleo e gás, também perde a capacidade de equilibrar preços no abastecimento do mercado brasileiro e de proteger o consumidor do nosso país.”

Como alternativa, Bacelar defende a retomada de uma atuação da Petrobrás no setor. “Defender que a Petrobrás volte a participar da distribuição e também da comercialização, e que compre em refinarias como a RLAM, que foram privatizadas, é voltar a ter uma empresa integrada, do posto ao poço.”

“Isso é estratégia de país. Isso é soberania energética. Combustível define preço da comida, do transporte e também parte do custo da vida da população brasileira. E recuperar essa visão estratégica para o Brasil é uma luta justa e é uma luta nossa”, conclui.

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