Fascista que contestou urnas no Brasil agora enfrenta regras da imigração americana, que, ao que parece, não aderiu ao “patriotismo” de ocasião. Na verdade, um bajulador de Trump e dos EUA
O empresário Esdras Jônatas dos Santos, investigado por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, foi preso pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE) e está detido na Flórida, no Centro de Detenção do Condado de Glades.
A trajetória recente do investigado sugere ironia difícil de ignorar: após contestar o resultado das eleições brasileiras e defender pautas antidemocráticas, acabou submetido justamente às regras ditatoriais de outro país.
ROTEIRO CONHECIDO
Santos já era alvo da Justiça brasileira por liderar manifestações golpistas em Minas Gerais após as eleições de 2022, vencidas por Lula (PT).
Ele ganhou notoriedade ao participar de acampamentos em frente a quartéis, onde se defendia intervenção militar e a anulação do processo eleitoral.
Em 2023, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o cancelamento do passaporte dele e ainda o bloqueio das contas bancárias.
Ainda assim, o empresário afirma estar nos Estados Unidos desde os episódios de janeiro. Estadia que agora ganha contornos menos voluntários.
“PERSEGUIÇÃO” E APELOS SELETIVOS
Em vídeos divulgados nas redes digitais, Santos chegou a alegar perseguição política e pediu ajuda, chorando, ao agora ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ).
“Em nome de Jesus, se você conhece o Eduardo Bolsonaro, eu preciso de socorro! Eu estou sendo perseguido dentro dos Estados Unidos! Eu preciso não de dinheiro, eu preciso de um apoio”, afirma o bolsonarista chorão na publicação.
Até o momento, ao que se saiba, Dudu Bananinha não deu o ar da graça para ajudar o membro desafortunado do rebanho golpista.
O discurso, recorrente entre investigados pelos atos golpistas, contrasta com o histórico de defesa de medidas autoritárias no Brasil, desde que aplicadas contra adversários.
NEM TODO CAMINHO LEVA À EXTRADIÇÃO
A prisão pelo ICE não significa deportação imediata. O empresário agora enfrenta processo migratório nos Estados Unidos, que pode resultar em diferentes desfechos: liberação, permanência sob custódia ou eventual deportação, conforme decisão da Justiça local.
Ou seja, o destino de quem contestou regras democráticas no Brasil passa, agora, pelas regras — bastante concretas — da burocracia migratória americana.
ENTRE O DISCURSO E A REALIDADE
O caso evidencia contraste incômodo: figuras que rejeitaram instituições democráticas no próprio País acabam dependendo dessas — ou de suas equivalentes — quando confrontadas com as consequências de seus atos.
No fim das contas, a ditadura que eles defendem contra os brasileiros se voltam contra eles quando atravessam as fronteiras.











