Intervenção de Flávio Bolsonaro para apoiar Moro no Paraná causa debandada de todos os prefeitos do PL

Ex-dirigentes do PL organizaram um evento de desfiliação - Foto: Reprodução/Redes Sociais

O atropelo de Flávio Bolsonaro à direção do PL no Paraná para lançar a candidatura de Sérgio Moro ao governo do estado causou uma verdadeira revolta no partido local. O resultado: o presidente do PL, deputado federal Fernando Giacobo, organizou uma campanha de desfiliação coletiva que contou com a adesão de cerca de 40 prefeitos e 80 vice-prefeitos do partido.

A tentativa bolsonarista de organizar um palanque forte para “Flávio Rachadinha” no Paraná saiu pela culatra. O partido se orgulhava de ser “o primeiro” apoiador do atual governador, Ratinho Jr. (PSD), que seria candidato a presidente e já negociava com o grupo o apoio a seu sucessor. Entretanto, a ordem partida “de cima” para lançar o atual senador Sérgio Moro como candidato avinagrou os planos da direção regional do partido.

“Após confirmação do PL em apoiar a candidatura de Sergio Moro ao Governo do Estado, a contragosto dos partidários da legenda, as autoridades decidiram deixar o partido”, diz a nota enviada aos veículos de comunicação.

Ignorando por completo a posição local, Moro foi filiado ao PL em uma cerimônia que contou com a presença da prole de Bolsonaro e do presidente (dono) do PL, Valdemar Costa Neto, antiga inimizade do ex-juiz, quando este se colocava como um combatente da corrupção.

“Quero falar com vocês de forma direta e com muita transparência. Estou deixando a presidência do PL Paraná e também me desfiliando do partido. Essa é uma decisão pensada, com responsabilidade, e com um objetivo claro: manter firme o nosso apoio ao governador Ratinho Jr. e seguir trabalhando pelos municípios do nosso estado”, afirmou Giacobo em nota.

A debandada não foi pequena. Até agora foram computadas as desfiliações dos principais prefeitos do PL no Paraná. Como é o caso do ex-general Luna e Silva, de Foz do Iguaçu, e Renato Silva, de Cascavel.

RATINHO INDEFINIDO

Ratinho Jr. desistiu da candidatura à Presidência da República nesta semana em meio ao risco de não eleger o seu sucessor no governo do Paraná. Segundo ele, seu objetivo será de encerrar o seu mandato no final do ano e retornar à vida privada e dirigir a rede de comunicações Massa, de propriedade do seu pai.

Durante a eleição, ele afirma que se dedicará a eleger o seu candidato ao Palácio do Iguaçu. Entretanto, o nome do candidato ainda não foi definido.

Fontes ligadas ao governo do Estado, ouvidas pelo HP, indicaram que o governador passou a cobrar o apoio dos prefeitos da sua base eleitoral à candidatura que ele vier apoiar, independente do nome. Ele deverá “correr o trecho” para acertar os apoios em troca de financiamento de obras e projetos nos municípios.

REQUIÃO FILHO COBRA COERÊNCIA

Pré-candidato do PDT e da federação PT-PCdoB-PV ao governo, Requião Filho, considerou que o impasse de Ratinho Jr. na disputa à Presidência é reflexo de “uma candidatura natimorta. Questionado pela imprensa sobre a desistência, ele disse que desejaria os “pêsames” ao governador.

Em referência a Sérgio Moro, Requião Filho relembrou, em vídeo nas redes sociais, que Moro atacava Valdemar Costa Neto pelas denúncias de corrupção e que dizia não ser apropriado buscar cargo político depois da magistratura. Ele ressaltou ainda que Moro deixou o governo Jair Bolsonaro acusando o então presidente de querer interferir na Polícia Federal.

Agora, esse mesmo personagem aparece abraçado ao PL e oferecendo ao Paraná como palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

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