Irã considera 15 pontos de Trump “fora da realidade, desproporcionais e excessivos”

Porta-voz iraniiano, Esmail Baghaef, desmacara propostas "fora da realidade" de Trump (Min. Rel. Exteriores do Irã)

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, desmentiu as declarações de Trump sobre “negociações” com o “novo e mais razoável regime” (sic) que estavam “progredindo” e “um acordo poderia ser feito rapidamente”

Em meio à chegada de mais marines e paraquedistas de elite ao Oriente Médio e às novas ameaças de Trump de “obliterar” o Irã e “pegar seu petróleo”, Teerã voltou a se manifestar sobre a chamada proposta de “15 pontos” dos EUA, encaminhada através do Paquistão, considerando-os “fora da realidade, desproporcionais e excessivos”.

.”Não tivemos nenhuma negociação direta com os EUA até o momento”, afirmou porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã: “O que houve foram mensagens recebidas por meio de intermediários, indicando o interesse dos EUA em negociar. Não sei quantos, nos EUA, levam a sério a alegada diplomacia americana! O Irã teve sua posição clara desde o início da guerra, ao contrário da outra parte. O que nos foi transmitido foram demandas fora da realidade, desproporcionais e excessivas”.

Alguns meios de comunicação ocidentais reinterpretaram o ultimato de Trump, já anteriormente rechaçado, como uma suposta “proposta de paz” dos EUA. Quando o que há é uma guerra de agressão desencadeada conjuntamente pelos EUA e por Israel, com o agravante de ser uma traição à diplomacia e às negociações em Genebra, e dos bárbaros crimes de guerra, que incluem assassinato de líderes e comandantes iranianos, a chacina da escola primária de Minab, ataques a hospitais, universidade e sítios históricos, além do bombardeio de instalações sob a proteção da Agência Internacional de Energia Atômica.

Os “15 pontos”, na verdade, pretendem desarmar o Irã para que não obstaculize a imposição do “Grande Israel” vislumbrada pelos nazistas Netanyahu, Smotrich e Gvir e para que não apoie os que resistem ao apartheid e ao genocídio e buscam a libertação da Palestina. Além de abrirem caminho para a pilhagem do petróleo iraniano, a serviço da perpetuação do status do petrodólar e de coibir o legítimo direito iraniano de desenvolver um programa pacífico de uso da energia nuclear, como estabelecido pelo regime de Não-proliferação.

“Os Estados Unidos estão em negociações sérias com um NOVO, E MAIS RAZOÁVEL, REGIME para encerrar nossas operações militares no Irã”, postou Trump no domingo, segundo alguns, preventivamente para acalmar os ânimos em Wall Street.

“Grande progresso foi feito, mas, se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve —o que provavelmente acontecerá— e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente ‘aberto para negócios’, encerraremos nossa ‘agradável’ permanência no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que deliberadamente ainda não ‘tocamos’”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

Para quem já homenageou seu parceiro de noitadas, o pedófilo Jeffrey Sachs, como um “cara fantástico”, não chega a ser surpreendente que Trump chame os crimes de guerra que vem cometendo no Irã de “nossa ‘agradável’ permanência”. Ou que, antes, haja descrito o covarde assassinato de uma centena de marujos iranianos em um navio desarmado como “diversão”.

Por sua vez, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, diante do alarde sobre a invasão por terra, destacou que as forças armadas do Irã mobilizaram mais de um milhão de combatentes para barrar quaisquer aventureiros, e que o Irã continua disparando mísseis e drones contra os agressores. “Os EUA irão se arrepender de suas ações”, afirmou, assinalando que “o mercado de energia está fora de controle e a inflação de alimentos é iminente”.

O líder iraniano assinalou que a guerra “está agora em seu ponto mais crítico”. “O inimigo, que alegou ter destruído nossas forças aéreas, navais e de mísseis, que tinha um plano para derrubar a República Islâmica, agora, mira a abertura do Estreito de Ormuz.” A abertura do estreito, “que já estava aberto antes da Guerra do Ramadã, tornou-se a prioridade operacional” de Trump, acrescentou.

Ele saudou “a dignidade e a grandeza da frente de resistência contra as potências arrogantes do mundo” e agradeceu ao povo, que se mantem nas ruas, apesar dos bombardeios. Trump – acrescentou – “foi acusado internacionalmente de iniciar uma guerra sem sentido, e não tem nenhuma resposta para o público. A culpa por iniciar a guerra recaiu inteiramente sobre quem a iniciou”.

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