“Uma jornada pela paz”, descreveu a presidente do maior partido de oposição de Taiwan, Cheng Li-wung
A presidente do maior partido de oposição de Taiwan, Cheng Li-wun, encabeçando uma delegação de 14 dirigentes do Kuomitang (KMT), encontra-se na China continental em uma visita de seis dias, de 7 a 12 de abril, sob o lema “Jornada de Paz 2026”, a convite do Partido Comunista da China (PCCh) e de seu secretário-geral, Xi Jiping, dentro do espírito do “Consenso de 1992”, que reafirmou o princípio de “uma só China” e estimulou os contatos entre a população dos dois lados do estreito.
Visita ainda mais significativa na medida em que o atual governo de Taiwan, do Partido Democrático Popular (DPP), estreitamente ligado às maquinações dos círculos imperialistas americanos, promove acintosamente o separatismo e neste momento negocia a maior aquisição de armas em décadas com Washington, cujas provocações no Mar do Sul da China não param.
Na quarta-feira (8), Cheng e sua delegação estiveram no Mausoléu a Sun Yat-sen, que liderou a revolução que derrubou a dinastia imperial, instaurou a república e é venerado na China continental e em Taiwan.
Emocionada, ela homenageou o estadista: “Em 12 de março de 1925, o doutor Sun Yat-sen, pai da nação, faleceu. Trezentos mil foram às ruas para se despedir, gritando: ‘Abaixo o imperialismo! Abaixo os senhores da guerra!’. Taiwan estava sob domínio colonial japonês havia 30 anos. Mesmo sob repressão, foram realizadas cerimônias em Taiwan numa escala sem precedentes. Mas escritos em sua memória foram censurados pelas autoridades japonesas.”
O Kuomintang, ou Partido Nacionalista Chinês, governou a China até 1949, quando perdeu a guerra civil para o Partido Comunista Chinês, liderado por Mao Tsé-Tung, e se refugiou em Taiwan sob proteção da frota naval americana. A ilha, arrancada do Japão ao final do “século de humilhações”, foi formalmente reintegrada à China ao final da II Guerra Mundial, com a derrota dos imperialistas japoneses. E durante mais de duas décadas foi o governo do KMT que ocupou o lugar de representante da China no Conselho de Segurança da ONU, condição só corrigida, pela Assembleia Geral da ONU, em 1971.
Cheng disse que com a visita, ela espera tornar o Estreito de Taiwan mais seguro e não um dos “lugares mais perigosos do mundo”. “Se você realmente ama Taiwan, você aproveitará todas as oportunidades e todas as possibilidades para evitar que Taiwan seja devastada pela guerra”, disse ela ressaltando a necessidade de diálogo com Pequim. “Preservar a paz é preservar Taiwan.”
CONSENSO DE 1992
Acompanhando Cheng estavam Chang Jung-kung, que teve papel fundamental na realização da visita de Lien Chan ao continente em 2005 e atua como atual vice-presidente do KMT, além de Su Chi, que originalmente cunhou o termo “Consenso de 1992”. Assim, não é coincidência que o “Consenso de 1992” tenha surgido como uma palavra-chave importante que define a visita de Cheng ao continente.
“Esse consenso serve simultaneamente como base política compartilhada para fortalecer as trocas e o diálogo entre o continente e vários partidos políticos, incluindo o KMT, organizações e figuras de todos os setores da vida em Taiwan. É um princípio imutável e uma conclusão clara; constitui o pré-requisito essencial para que compatriotas de ambos os lados do Estreito de Taiwan unam seus corações e unam forças por uma causa comum”, enfatizou o Global Times.
A República Popular da China, que realizou a reunificação pacífica de Hong Kong e de Macau, usando sabiamente a concepção de “um país, dois sistemas”, anseia completar a reunificação da milenar nação, parte essencial da sua revitalização, mas não se submeterá a separatistas nem a seus amos, como já extensamente demonstrado.
A intervenção americana lançou uma sombra de perigo e conflito militar sobre a região, e instaurou tensão e instabilidade em todo o Estreito de Taiwan. Como destacou o GT, “os moradores de Taiwan têm sofrido profundamente com essa situação e anseiam por um ambiente de vida pacífico e estável, intercâmbios sem impedimentos entre os dois lados do Estreito e perspectivas econômicas que permitam um desenvolvimento seguro e estável”.
FORTES LAÇOS ECONÔMICOS
Seguem fortes os laços entre os dois lados do Estreito. No ano passado, moradores de Taiwan fizeram quase 4,9 milhões de visitas ao continente, um aumento anual de 21,6%; enquanto moradores do continente fizeram 557.700 visitas a Taiwan, um aumento anual de 47,4%.
Paz, desenvolvimento, intercâmbio e cooperação têm sido consistentemente a opinião pública dominante na ilha. Nos últimos anos, o crescimento constante dos laços econômicos e comerciais entre os dois lados do Estreito minou completamente a narrativa separatista e o casulo de informação promovidos pelos defensores da ‘independência de Taiwan’. No ano passado, o comércio total entre o continente e Taiwan atingiu 314,3 bilhões de dólares, com as exportações do continente para Taiwan crescendo 11,2% e as importações de Taiwan aumentando 6%. De janeiro a outubro do ano passado, 6.423 novas empresas financiadas por Taiwan foram estabelecidas no continente, com o investimento atingindo US$ 1,75 bilhão, um aumento de 53% em relação ao ano anterior. Esses números demonstram claramente que, apesar da elevada volatilidade econômica global, a cooperação econômica entre os dois lados do Estreito permanece altamente resiliente e cheia de potencial.
Como destaca o GT, “a comunicação e o diálogo entre o KMT e o PCC conterão as atividades separatistas, combaterão interferências externas e reconduzirão as relações do Estreito de volta ao caminho correto de desenvolvimento pacífico”.











