Alguns mais escrachados arriscam até usar o pretexto da guerra para pressionar por aumento dos juros
Os bancos projetam inflação e juros maiores para o final de 2026, tentando minar a pressão que a sociedade está fazendo junto ao Banco Central pela imediata redução dos juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne nos próximos dias 17 e 18 de março, para definir o novo patamar da taxa básica de juros (Selic), nos atuais 15%.
Os cerca de 100 representantes de bancos e instituições financeiras, consultados pelo BC, elevaram a projeção da inflação (IPCA) de 3,91% para 4,10%. Para a Selic, aumentaram de 12,13% para 12,25%, segundo o Boletim Focus. Eles defendem uma redução a conta-gotas que pouco ou nada vai interferir no processo de desaceleração que os juros elevados do BC levaram a economia brasileira, só beneficiando o rentismo.
O Copom elevou a Selic de 10,5% em 2024 para os atuais 15%, com o fim de jogar para baixo o crescimento da economia brasileira, a pretexto de trazer a inflação para o centro da meta de 3%. O resultado foi a indústria de transformação estagnada, as vendas do comércio patinando, a inadimplência e endividamento das famílias e das empresas em patamares recordes, e a geração de empregos precarizados.
Com os juros extorsivos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 20225 – após as altas de 3,4% em 2024 e avanço de 3,2% em 2023 – mostrou clara perda de ritmo no crescimento ante os dois anos anteriores, crescendo 2,3%.
As previsões para 2026 são de que a economia siga imbicando, influenciada principalmente pelos efeitos defasados da disparada da Selic, prejudicando ainda mais setores que são mais sensíveis aos juros elevados, como a indústria e o comércio, que demonstram desaquecimento mais evidentes em seus indicadores.
Os bancos, após manterem no ano passado ganhos extraordinários (somente o Itaú, Bradesco e Santander somaram juntos um lucro de R$ 87 bilhões) por conta do disparo da Selic, agora usam a escalada das cotações do preço do petróleo no mercado internacional – consequência da agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã – para promover uma asfixia ainda maior sobre a economia brasileira, via a manutenção ou novos aumentos de juros.
Juro não tem nada a ver com o preços do petróleo no mercado internacional. Sua elevação só vai piorar a situação da economia sem nenhuma interferência nos preços.
INDÚSTRIA NO SUFOCO
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) alerta que “em 2025, as condições de financiamento do setor privado no Brasil se deterioraram na esteira da elevação da taxa básica de juros (Selic)”.
Segundo a entidade, a concessão de novos empréstimos no Brasil desacelerou, caindo de um crescimento real de 15,4% em 2024 para 9,2% no ano passado. Essa desaceleração é explicada principalmente pela queda nas operações de crédito livre (não direcionado), que são mais sensíveis à política monetária do BC. As concessões de crédito livre representam 90% do crédito bancário total às empresas.
Após crescer 18,1% em 2024, o crédito livre corporativo fechou o ano com alta de apenas 7,3% em 2025, segundo o Iedi. O destaque foi o segundo semestre, especialmente o 4º trimestre, que registrou variação de somente +1% em relação ao mesmo período de 2024.
“A restrição foi maior ao financiamento corporativo e isso não apenas no que diz respeito ao crédito bancário, pois as captações de recursos por meio da emissão de títulos chegaram a apresentar sinal negativo em 2025. O crédito direcionado foi quem amorteceu esta tendência, mas só parcialmente dado que representou somente 8% do financiamento novo total (incluindo emissões de títulos)”, explica Iedi.











