Multidão marchou emocionada pelas ruas de Minab, no sul do Irã, para dar o último adeus às crianças e às suas 14 professoras. Há ainda muitas feridas se recuperando dos bombardeios
Um rio de manifestantes transbordou as ruas de Minab, no sul do Irã, para expressar sua revolta e exigir justiça para as pequenas crianças – algumas de apenas sete anos – mandadas pelos ares pelo criminoso bombardeio dos Estados Unidos e de Israel contra uma escola primária feminina no sábado (28). Além das estudantes, também foram trucidadas 14 professoras, havendo ainda vítimas em recuperação, salvas de debaixo dos escombros.
Familiares, vizinhos, amigos e moradores da cidade ergueram fotografias dos entes queridos, estampando o apoio à República Islâmica e o isolamento dos agressores. Pequenos caixões registravam até onde podem chegar o imperialismo e o sionismo quando o que está em jogo é sua sede por petróleo. Em contraposição ao terrorismo de Estado dos EUA e de Israel, a convicção e a fé inabalável de um povo, que entoava orações em memória das vítimas.

Em confrontação aos grandes conglomerados transnacionais que citavam em “fontes estatais”, referências como o Crescente Vermelho – equivalente à Cruz Vermelha – reconhecia a dimensão da tragédia aberta pela agressão contra o país persa. Até o momento, assinala o Crescente Vermelho, cerca de 800 pessoas já foram mortas em 153 localidades do país.
“Meninas, menininhas, no início do dia escolar, assassinadas dessa forma, com as mochilas manchadas de sangue: isso é absolutamente horrível”, declarou a porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani. “Se há uma imagem que capta a essência da destruição, do desespero e da crueldade sem sentido deste conflito, são essas imagens”, apontou.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, responsabilizou publicamente os Estados Unidos e Israel pelas mortes, exibindo imagens das covas onde seriam enterradas as vítimas de Minab. “Estas covas estão sendo abertas para mais de 160 meninas inocentes que foram mortas no bombardeio americano-israelense de uma escola primária. Seus corpos foram dilacerados”.
Diante do horror, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, exigiu nesta terça-feira (3), uma investigação “rápida, imparcial e completa” e alertou os EUA e Israel que “ataques indiscriminados” constituem “graves violações” do direito internacional humanitário.
Cinicamente, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mark Rubio, esquivou-se dizendo que o país “não miraria deliberadamente uma escola”. O mesmo país que tendo George W. Bush na presidência, em 13 de fevereiro de 1991, disparou contra o abrigo antiaéreo de Amiriyah, em Bagdá, durante a Guerra do Golfo, chacinando a mais de 400 civis iraquianos, principalmente mulheres e crianças. Na época, Bush disse que bombardeou porque “ninguém sabia do que Saddam Hussein era capaz”.
Neste momento, Rubio enrolou com a fala de que “o Departamento de Guerra investigaria isso se fosse um ataque nosso, e eu encaminharia sua pergunta a eles”.











