Navio russo fura bloqueio dos EUA e atraca em Cuba com 730 mil barris de petróleo

Novos carregamentos de petróleo chegarão para o “funcionamento dos sistemas de suporte à vida dos cubanos”, anunciou o porta-voz da presidência russa (AFP/Cuba Soberana)

Petroleiro Anatoly Kolodkin chegou nesta segunda à nação caribenha, após três meses de um bloqueio imposto por Trump que deixou 10,9 milhões de cubanos reféns de apagões. Segundo a ONU, asfixia econômica tem o propósito de gerar um colapso humanitário na Ilha

Tremulando a bandeira russa e transportando mais de 730 mil barris de petróleo bruto (100 mil toneladas), chegou nesta segunda-feira em Cuba (30) o navio Anatoly Kolodkin. Conforme o Ministério dos Transportes, o petroleiro encontra-se atracado no porto de Matanzas, aguardando o descarregamento.

Desafiando as sanções econômicas e o bloqueio econômico imposto por Donald Trump ao país caribenho, esta estratégica ajuda humanitária marca a primeira chegada de um petroleiro à Ilha após três meses de um bloqueio que deixou os 10,9 milhões de cubanos – incluindo escolas, hospitais e até mesmo Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) – reféns de apagões.

O agravamento do cerco trumpista foi imposto à nação caribenha após a assinatura, em janeiro passado, da Ordem Executiva que designa Cuba como “uma ameaça real e extraordinária à segurança nacional dos EUA” – algo totalmente desmentido por várias autoridades norte-americanas.

“É DEVER NÃO FICAR DE BRAÇOS CRUZADOS DIANTE DE UM BLOQUEIO TÃO SEVERO”

“Em condições de um bloqueio muito severo, nossos amigos cubanos precisam de derivados de petróleo e petróleo bruto; isso é necessário para o funcionamento dos sistemas de suporte à vida no país, para a geração de eletricidade e para o fornecimento de serviços médicos e outros à população. E, naturalmente, a Rússia considera seu dever não ficar de braços cruzados e fornecer a assistência necessária aos nossos amigos cubanos”, declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, comemorando o desembarque do petroleiro.

Conforme o porta-voz, Moscou está empenhada em fornecer mais petróleo a Cuba. “Continuaremos trabalhando, repito, dada a situação desesperadora que os cubanos enfrentam agora. Isso, é claro, não pode nos deixar indiferentes, então continuaremos trabalhando nessa questão”, assinalou Peskov.

Trump tentou minimizar as críticas de que permitir a passagem do navio russo beneficiaria o presidente Vladimir Putin. “É apenas uma carga de petróleo a menos, nada mais. Se ele quer fazer isso, e se outros países também querem, não me incomoda nem um pouco”, disse.

Segundo a rede de televisão internacional Russian Today (RT), o navio fez a viagem escoltado por embarcações militares russas apenas na área do Canal da Mancha.

Especialistas e representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) têm condenado intensamente as medidas dos Estados Unidos que impõem o bloqueio ao fornecimento de combustível e petróleo a Cuba, ações coercitivas consideradas como asfixia econômica com o propósito de gerar um colapso humanitário. 

PRESIDENTE MEXICANA EMPENHADA EM RETOMAR O ABASTECIMENTO A CUBA

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que seu governo está empenhada em retomar o abastecimento de petróleo a Cuba, pois o país “tem todo o direito de enviar combustível, seja por razões humanitárias ou comerciais, mas não queremos sobrecarregar o México com tarifas mais altas”. “Se enviássemos petróleo, as tarifas seriam reduzidas posteriormente; e sempre buscamos enviar ajuda humanitária”, declarou a presidente, condendo as sanções impostas pelo governo Donald Trump pelo bloqueio de fato ao petróleo que mantém contra a nação caribenha.

Questionada na manhã desta segunda-feira sobre as informações divulgadas no dia anterior apontando que os Estados Unidos teriam “aliviado” o bloqueio ao permitir a entrada do petroleiro russo, a presidente disse que estão sendo feitos esforços para permitir que o México retome rapidamente os seus envios.

“Temos acordos comerciais com Cuba que também tem a ver com remessas de petróleo. Porque uma parte é ajuda humanitária, e outra parte são os acordos comerciais que temos, como eu disse, há décadas; não é algo novo. E estamos trabalhando com eles em ambas as questões”, respondeu.

Esta postura mexicana é histórica, reiterou a presidente, “frisando que o único que pode determinar seu próprio destino é o povo cubano”. Além disso, enfatizou, “não deve haver bloqueios, pois bloqueios prejudicam os povos. Essa sempre tem sido sempre a posição do México e vai seguir sendo”.

Homenageada pelo cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez como “a melhor presidente da América”, Claudia garantiu que seu país continuará enfrentando as pressões do bloqueio e enviando a ajuda humanitária à Ilha caribenha. Ela lembrou que há poucos dias atracou em um porto cubano um quarto navio com bandeira mexicana carregado de toneladas de alimentos.

Em relação à campanha lançada pelo jornal La Jornada, em que diversas personalidades convocaram a população a depositar ajudas econômicas para Cuba, a líder mexicana destacou que já contribuiu. “Eu já fiz uma doação, é uma questão pessoal, foi uma decisão pessoal doar para uma conta aberta por diversas organizações para poder levar ajuda a Cuba, não tem nada a ver com a minha posição como Presidente”, concluiu.

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