Negociata do BRB com o Master pode afetar aposentadorias dos servidores do DF

Ibaneis Rocha, governador do DF. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Prejuízos do Iprev-DF já somam R$ 281,3 milhões desde 2017 e a crise do Master só agravou a situação

Os servidores públicos do Distrito Federal já estão antevendo sérios prejuízos com os abalos provocados pela negociata do BRB com o Banco Master, respaldada politicamente pelo governador Ibaneis Rocha, um forte aliado do bolsonarismo na capital do país. 

Até o momento, pelo que e pode apurar, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal, o Iprev-DF, perdeu R$ 281,3 milhões em ações do BRB desde 2017, quando recebeu R$ 531,4 milhões em papéis do governo do Distrito Federal. A crise envolvendo o Banco Master acelerou a desvalorização. O valor corresponde a uma queda de 52,93% no período.

O fundo que assegura as aposentaria dos servidores do DF é o 2º maior acionista do BRB, com 18,73% das ações ordinárias e 12,33% do total, atrás apenas do governo do Distrito Federal, que detém 53,71% do total e 56,48% das ações ordinárias.

Segundo a cotação atual do papel, essa participação vale R$ 250,06 milhões. O banco tem aproximadamente 320,1 milhões de ações ordinárias em circulação, das quais o Iprev detém 59,9 milhões.

O fato é que os papéis ordinários do BRB aceleraram a queda após a liquidação do Master, ocorrida em 18 de novembro do ano passado, por decisão do Banco Central, diante das fortes evidências de movimentações fraudulentas. 

O tentativa de compra do Master pelo BRB acabou sendo a gota d’água da liquidação efetivada pela autoridade monetária. Com isso, os papéis ordinários do BRB aceleraram a queda e a cotação do ativo passou de R$ 7,64 para R$ 4,17, conforme o fechamento do último dia 9 de fevereiro, uma queda de 45,42%. 

Em novembro de 2017, as ações do BRB custavam cerca de R$ 2,00 e tinham baixa liquidez, mas atingiram a máxima histórica em 7 de janeiro de 2021, a R$ 109,22. Se a gestão do Iprev tivesse vendido sua participação nesse pico, teria arrecadado R$ 6,5 bilhões.

O governo do Distrito Federal transferiu ações do BRB e imóveis para o Iprev em 2015. O governo de então adotou a medida para compensar retiradas de cerca de R$ 2 bilhões, feitas por sua gestão, para fechar as contas públicas. Desde então, o fundo, que era superavitário, passou a enfrentar dificuldades financeiras.

Os ativos cedidos integram o Fundo Solidário Garantidor, criado para proteger o Iprev em momentos de insuficiência financeira. Relatórios e demonstrações do instituto mostram que a atual gestão utiliza a rentabilidade líquida da carteira de investimentos dessa reserva para pagar despesas correntes do regime de previdência.

Além de registrar dificuldades de crescimento e déficits nos últimos 10 anos, essa reserva encolheu ainda mais com a desvalorização acelerada das ações do BRB nos últimos 3 meses, o que coloca em risco as aposentadorias de milhares de servidores públicos do Distrito Federal.

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