Juros nas alturas elevam o endividamento a nível crítico em fevereiro. Número representa um crescimento de quase 40% em uma década
O endividamento no país atingiu seu patamar mais crítico em fevereiro deste ano, com o número de brasileiros inadimplentes alcançando 81,7 milhões. Este número representa um crescimento de 38% em uma década, compara a Serasa Experian, responsável pela pesquisa Mapa da Inadimplência, divulgada na última terça-feira (24).
Segundo a Serasa, este recorde vem sendo superado mês a mês desde 2025, e tem como um dos grandes fatores de desencadeamento as altas taxas de juros praticadas no Brasil. Com as perspectivas de que a Selic será mantida em dois dígitos em 2026, os técnicos apelam para a “educação financeira” da população, ignorando que os juros aumentam o custo das dívidas e pressionam os orçamentos familiares, além da renda da população não acompanhar o custo de vida.
Os bancos são os maiores credores das dívidas, com o cartão de crédito sendo a origem de quase 50% das delas. Considerando valores corrigidos pela inflação, o valor médio das dívidas vencidas passou de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13 ao longo da última década, uma alta de 12,2%. O valor total das dívidas, no período, cresceu 176%.
A pesquisa ainda revela o aumento do número de brasileiros inadimplentes com mais de 60 anos, que atualmente representam 19% do total. As mulheres também passaram a ser a maioria entre os que não conseguem pagar suas dívidas, representando 50,5% do total.
Pelo perfil de renda, quase metade dos inadimplentes, 48%, tem renda de até um salário mínimo. Outros 30% recebem até dois salários mínimos.
O crescimento da inadimplência afeta diretamente a atividade econômica do país. O presidente Lula demonstrou preocupação com o cenário e disse ter pedido ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, para “tentar resolver o problema” da dívida dos brasileiros.











