“Transferência ilegal proibida pelo direito internacional humanitário” se tornou ainda “mais implacável” nos últimos meses, denuncia o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas
O Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta semana que a aceleração dos assentamentos israelenses e o deslocamento forçado de dezenas de milhares de palestinos na Cisjordânia ocupada, que se tornou ainda “mais implacável” nos últimos meses, é uma inaceitável “limpeza étnica” com a disseminação da fome e a destruição da “infraestrutura civil remanescente”.
Conforme o Escritório, subordinado ao secretário-geral da ONU, António Guterres, “a expulsão em massa de palestinos em uma escala nunca antes vista, configura uma transferência ilegal proibida pelo direito internacional humanitário”.
De acordo com o novo relatório do gabinete de Volker Türk, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, estas ações abrangem um período de um ano, até o final de outubro, e tem se expandido na Cisjordânia a partir do deslocamento – sob armas – de mais de 36.000 palestinos. A situação se agravou com “a intensificação dos ataques, a destruição metódica de bairros inteiros, a recusa em fornecer ajuda humanitária e as transferências forçadas”. O objetivo, denuncia o documento, é “discriminar, oprimir, controlar e dominar sistematicamente o povo palestino”.
Segundo a ONU, o governo israelense tem “desempenhado um papel central na direção, participação ou facilitação dessa conduta”, sendo visível o recorrente assédio, intimidação e devastação indiscriminada de terras agrícolas de palestinos. Os estudos apresentados pelo Escritório comprovaram que os sionistas construíram ilegalmente 27.200 unidades habitacionais na Cisjordânia e 36.973 unidades habitacionais em Jerusalém Oriental, parte da capital de Israel cuja anexação somente é reconhecida pelos EUA e menos de meia dúzia de países (todos os demais têm sua sede em Telavive).
SUSPENSÃO DOS ASSENTAMENTOS, RETIRADA DOS COLONOS E FIM DA OCUPAÇÃO
Ainda durante o período de 12 meses, “foram estabelecidos 84 postos avançados de assentamento sem precedentes em toda a Cisjordânia ocupada, elevando o número total para mais de 300”, esclareceu o relatório. Diante disso, Türk defendeu a suspensão imediata dos assentamentos, juntamente com a retirada de todos os colonos e “o fim da ocupação do território palestino”.
“ANEXAÇÃO DE FATO DA CISJORDÂNIA“
“Estamos testemunhando uma anexação de fato da Cisjordânia, onde medidas unilaterais israelenses estão progressivamente alterando a situação no terreno”, declarou a subsecretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, alertando que desde a semana passada, Israel aprovou uma série de medidas fascistas para consolidar seu controle sobre a Cisjordânia, onde os palestinos desfrutam de autonomia extremamente limitada sob os Acordos de Oslo de 1993.
DiCarlo garante que “se essas medidas forem implementadas, representarão uma expansão perigosa da autoridade civil israelense na Cisjordânia ocupada, incluindo áreas sensíveis como Hebron”. “Essas medidas podem facilitar a expansão dos assentamentos, removendo obstáculos burocráticos, facilitando a compra de terras e concedendo licenças de construção a israelenses”, concluiu.
O mesmo Benjamin Netanyahu que mandou bombardear o quartel-general da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), que atuava preventivamente para manter o cessar-fogo, arrazoa que a entidade “não funciona como um escritório de direitos humanos imparcial e neutro, mas sim como o epicentro de um vil ativismo anti-Israel”.
Em vez de contemplar o cartel bélico, as Nações Unidas – com seus 193 estados-membros – estariam, disse Netanyahu, a serviço de uma suposta “máquina de narrativa” contra o sionismo, por ter comprovado inquestionavelmente em seus relatórios os inúmeros crimes praticados pelas tropas e pelos colonos israelenses nos últimos meses.
Em fevereiro, a missão permanente do Estado sionista em Genebra já havia condenado um relatório semelhante da ONU, dizendo que “o Gabinete do Alto Comissariado está envolvido numa campanha perversa de demonização e desinformação contra o Estado de Israel”.











