Ao contrário do argumento de que menos horas de trabalho levariam à estagnação econômica, pesquisas indicam o efeito inverso. A redução da jornada e a reorganização das escalas podem ampliar a produtividade, estimular o consumo e criar milhões de novos postos de trabalho. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), “o fim da escala 6×1 pode gerar 4,5 milhões de empregos e impulsionar a economia do país”.
Para o presidente da Central, Sergio Nobre, “o tema (redução da jornada, com escala 5×2) já foi assimilado pela sociedade e pelo setor produtivo”. “As próprias empresas estão acabando com a escala 6×1 e transformando isso em ativo competitivo. Você vem trabalhar aqui porque aqui não tem escala 6×1. A sociedade comprou essa ideia. O que falta agora é pressão no Congresso”, afirmou o líder cutista.
A proposta ganhou um apoio de peso: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo integrantes do governo federal, essa é uma das prioridades do presidente para este ano.
O secretário de Assuntos Financeiros da CUT, Ariovaldo de Camargo, reforça que as medidas tomadas pelo presidente Lula dão uma já perspectiva melhor este ano para trabalhadores e trabalhadoras.
“Tivemos a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, conquistada com apoio da CUT, e seguimos lutando pelo fim da escala 6×1. Precisamos avançar na redução da jornada para, no máximo, 40 horas semanais, garantindo mais tempo para a família, para o lazer e para a vida”, declarou.
Camargo lembra que a mobilização continuará, com novas manifestações, na Marcha a Brasília, como a que ocorreu no ano passado. “Desde o plebiscito do ano passado e da Marcha da Classe Trabalhadora, essa pauta está no radar e seguirá sendo prioridade permanente da CUT”, afirma.
Apesar do apoio do governo Lula e de 71% da população brasileira, segundo pesquisas, a maioria dos deputados – especialmente da oposição – ainda resiste ao fim da escala 6×1. Para especialistas e sindicalistas, o principal obstáculo não é econômico, mas político.
Cresce a pressão social por uma mudança que promete não apenas reorganizar o tempo de trabalho, mas redefinir a relação entre produção, bem-estar e desenvolvimento no Brasil, avalia a entidade.











