Partido de Putin vence eleição da Duma com 58% dos votos

Lavrov encabeçou chapa do partido de Putin para a Duma (AFP)

Com quase 58% dos votos, o partido do presidente Vladimir Putin, Rússia Unida, se sagrou o grande vencedor das eleições parlamentares e regionais, obtendo 355 de 450 cadeiras na Duma, com quase 63 milhões de pessoas atendendo à convocação feita pelo líder russo para dar “nossa resposta comum àqueles que querem enfraquecer a Rússia, travar o seu desenvolvimento e privar-nos da nossa soberania e do direito de determinar o nosso próprio destino”. A eleição durou três dias, de 18 a 20 de setembro.

“A participação nas eleições é a nossa contribuição conjunta para a vitória da Rússia!”, enfatizou o presidente.

Eleição realizada sob pressões sem precedentes, desde o ataque com quase 500 drones a Moscou no principal dia de eleição, domingo, e ataques cibernéticos ao sistema eleitoral, até às repetidas exortações à guerra contra a Rússia de parte de líderes europeus e ainda a aprovação pelo Congresso dos EUA da ‘Lei Lindsey Graham’, para ameaçar com tarifaço de 100% aos países que comprem petróleo ou gás russo.

Metade das cadeiras na Duma são decididas pelo voto distrital (uninominal) e metade pelo voto na lista do partido. Para reforçar a mobilização pela eleição nesse quadro em que a Rússia se vê forçada a lutar contra a anexação da Ucrânia pela Otan e contra os neonazis de Kiev, o Rússia Unida colocou cinco pesos pesados para encabeçar sua lista.

A saber: Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia; Sergey Sobyanin, prefeito de Moscou; Yevgeny Poddubny, Correspondente de guerra; Maria Lvova-Belova, comissária presidencial para os Direitos da Criança; e Vladislav Golovin, líder da juventude patriótica Yunarmiya.

Com este resultado, o Rússia Unida alcança a maior bancada na Duma em sua história e terá maioria constitucional (são necessários 301 votos). Anteriormente, a maior bancada do partido havia sido a formada após as eleições de 2016, com 343 deputados.

É a primeira eleição desde 2022, quando a Rússia saiu em socorro das Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk. Pela primeira vez, os eleitores das repúblicas populares e das regiões de Kherson e Zaporozhia, que decidiram pela reunificação em plebiscito, votaram nas eleições russas.

Os comunistas (PCFR), apesar de obterem um número menor de cadeiras, passando de 57 para uma bancada agora de 40, se mantiveram como a segunda força política do país, com 13,65%, seguidos pelos liberais democráticos (LPDP) com 8,9% e 25 deputados. O Novo Povo chegou a 7,9% e 20 deputados. O partido Rússia Justa superou a cláusula de barreira de 5% e terá quatro deputados. 10 partidos disputaram as eleições; os demais partidos não ultrapassaram a cláusula de barreira de 5% para entrar na Duma. Além disso, quatro candidatos independentes e um representante do partido Rodina ingressaram por meio de distritos uninominais.

A eleição também escolheu os governadores de 11 regiões federais e os deputados para os parlamentos regionais em 39 entidades federais.

O comparecimento ultrapassou 59,3%. O recorde anterior de comparecimento havia sido estabelecido nas eleições de 2003, quando 55,7% dos eleitores compareceram às urnas. Às 17h01, horário de Moscou, em 21 de setembro, 97,64% das cédulas já haviam sido apuradas.

O forte respaldo dos eleitores ao presidente Putin, expresso na votação recorde do Rússia Unida, contrasta com a decadência dos chamados ‘líderes europeus’, como o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz (‘aprovação’ de 14%), o presidente pato manco francês Emmanuel Macron (16%), ou do recém defenestrado premiê britânico Keir Starmer.

Tentando sabotar o processo eleitoral russo, intimidar a população e desgastar o governo Putin, o chefe do regime neonazi em Kiev desencadeou uma onda de ataques que incendiou refinarias e armazéns de mercados da internet, mas o tiro saiu pela culatra.

“Os cidadãos acataram as palavras do chefe de Estado e começaram a perceber o processo eleitoral como uma oportunidade para ajudar a frente, como uma oportunidade para demonstrar a unidade do nosso povo. Ao fazer isso, os russos demonstraram claramente a todos os que desejam desestabilizar o país que as tentativas de desestabilizar o país por meio de ataques e sanções não terão sucesso”, disse Oleg Matveychev, vice-presidente do Comitê de Política de Informação, Tecnologia da Informação e Comunicações da Duma Estatal ao jornal Vzygliad.

“Tudo isso, aliado à imagem do Rússia Unida como o partido da maioria presidencial, teve uma influência decisiva na escolha dos cidadãos indecisos nos últimos dias antes da votação”, observou o cientista político Alexander Rudakov.

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