Pela primeira vez, indústria consome menos energia do que as famílias brasileiras

Retração atingiu 26 de 37 setores monitorados, com metalurgia e químicos liderando a queda.(Foto: Miguel Ângelo/ CNI)

Afetada pelos juros altos, o consumo de energia elétrica da indústria caiu 1,3% em janeiro. Já o consumo residencial aumentou 8,6%, “impulsionado pelas temperaturas acima da média histórica, ondas de calor e clima mais seco”, segundo EPE

O consumo nacional de energia elétrica residencial em janeiro “superou o consumo industrial” pela primeira vez na história, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). De acordo com o Relatório Mensal de Energia da EPE, em janeiro, o consumo nacional de energia elétrica foi de 49.104 Gwh, um aumento de 4,1% comparado a janeiro de 2025. É a terceira alta consecutiva no consumo nacional.

Enquanto a indústria registrou queda de 1,3% em janeiro, o consumo residencial aumentou 8,6%.

Foi o terceiro mês consecutivo em que a Indústria consumiu menos. A retração atingiu 26 dos 37 setores monitorados, com os segmentos de metalurgia e químicos seguindo liderando a queda.

O resultado do consumo industrial reflete o cenário de desaceleração da economia que se instalou na indústria brasileira, afetada pelos juros elevados, com quedas nos investimentos, nas vendas e na geração de empregos.

De acordo com o IBGE, a produção industrial brasileira tombou 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, “acentuando o comportamento predominantemente negativo observado desde setembro de 2025, período em que acumulou uma perda de 1,9%. Em 2025, o crescimento foi de 0,6%, bem menor do que os 3,1% alcançados em 2024.

Entre os dez setores mais eletrointensivos, sete consumiram menos. A metalurgia (-6,8%; -287 GWh) foi o setor que mais contribuiu para a queda do consumo da indústria. Também reduziram o consumo de eletricidade os setores: automotivo (-9,1%; -49 GWh), produtos de metal (-4,4%; -14 GWh), têxteis (-3,0%; -13 GWh), produtos de borracha e matéria plástico (-2,4%; -21 GWh) e produtos de minerais não-metálicos (-0,9%; -10 GWh). Por outro lado, o consumo cresceu na extração de minerais metálicos (+13,6%; +166 GWh), em papel e celulose (+5,7%; +46 GWh) e na fabricação de produtos alimentícios (+3,6%; +82 GWh).

EPE/Reprodução

O Sudeste, que reúne o maior parque industrial do país, teve a maior retração no consumo de energia (-3,2%), seguido por Nordeste (-1,8%) e Centro-Oeste (-0,5%). Com expansão positiva, o Sul obteve (+1,4%) e o Norte (+4,0%).

O consumo residencial totalizou 16.989 GWh em janeiro de 2026, com alta de 8,6% frente a janeiro de 2025, acelerando em relação ao mês anterior e registrando a maior expansão desde julho de 2024, um novo recorde da série histórica da EPE (iniciada em 2004).

De acordo com a EPE, o desempenho “foi favorecido por temperaturas acima da média, ondas de calor e condições mais secas, que intensificaram o uso de equipamentos de climatização”.

Já o consumo de energia elétrica comercial foi de 9.352 GWh em janeiro de 2026, com expansão de 6,4% em relação ao mesmo mês de 2025, alcançando o maior patamar já registrado para o comércio desde o início da série histórica da EPE, em 2004. “As temperaturas elevadas e as condições mais secas observadas no mês podem ter contribuído para o aumento do consumo da classe, em resposta ao aumento da demanda por climatização nos estabelecimentos comerciais”.

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