A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prenderam na quinta-feira (5) o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, acusado de integrar um esquema de corrupção dentro da Polícia Civil paulista. Ubaldo é ex-funcionário do gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e, segundo as investigações, atuava como intermediário no pagamento de propinas para policiais civis com o objetivo de impedir investigações contra alvos de inquéritos.
De acordo com a Polícia Federal, Ubaldo ocupou o cargo de assistente parlamentar II no gabinete de Rodrigo Moraes entre abril de 2023 e junho de 2024. A investigação aponta que ele participava da articulação de pagamentos ilegais destinados a agentes da polícia paulista.
Segundo a PF, o advogado fazia a ponte entre empresários investigados e policiais civis para evitar que apurações avançassem no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
A corporação descreve o esquema como parte da Operação Bazaar, que investiga uma organização criminosa suspeita de corromper policiais responsáveis por investigações empresariais. Conforme a PF, o grupo, “de maneira sistemática, passou a realizar promessas de pagamento e a efetuar pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis de delegacias especializadas e distritais, que se incumbiram de investigações a respeito das empresas do grupo”.
Ao todo, nove pessoas foram presas durante a operação, incluindo quatro policiais civis.
Ubaldo Júnior é o quarto ex-integrante do gabinete de Rodrigo Moraes citado em casos recentes de corrupção.
Em outra investigação da Polícia Federal, a Operação Estafeta, realizada em São Bernardo do Campo, os agentes descobriram que Paulo Iran Paulino Costa, também ex-assessor do deputado, atuava como operador de propina em um esquema investigado na cidade. O caso envolve suspeita de participação do prefeito Marcelo Lima (Podemos).
Durante a investigação, a PF encontrou mais de R$ 14 milhões em dinheiro vivo em posse de Paulo Iran, valores que seriam distribuídos entre integrantes da organização criminosa.
Ele trabalhou no gabinete de Moraes na Alesp por quase três anos, entre setembro de 2022 e agosto de 2025. De acordo com o portal da transparência da Assembleia, seu salário no período era de R$ 6.154,51.
No caso de São Bernardo, dez investigados se tornaram réus na Justiça de São Paulo, acusados de integrar organização criminosa e praticar lavagem de dinheiro na prefeitura.
Outros dois ex-integrantes da equipe do parlamentar também foram citados em investigações envolvendo contratos públicos.
A empresária Nathalia Carolina da Silva Souza e o ex-secretário-adjunto de Turismo de São Paulo Rodolfo Marinho da Silva trabalharam juntos no gabinete do deputado em 2017.
Após deixarem o gabinete, fundaram a consultoria Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços para campanhas eleitorais do vereador Gilberto Nascimento Jr (PL) e do deputado federal Gilberto Nascimento, pai do vereador, nas eleições de 2020 e 2022.
Posteriormente, Rodolfo Marinho foi indicado pela bancada do PL para o cargo de secretário de Turismo da cidade de São Paulo. Poucos dias depois da posse, Nathália abriu a empresa MM Quarter Produções e Eventos.
A empresa passou a obter contratos milionários na gestão municipal, somando mais de R$ 239 milhões apenas na secretaria responsável pela SPTuris.
A Controladoria Geral do Município (CGM) identificou uma procuração em que Nathália concedia plenos poderes de administração da empresa a Rodolfo Marinho enquanto ele atuava na Secretaria Municipal de Turismo da administração Ricardo Nunes (MDB).
Quando o caso se tornou público, o prefeito determinou a demissão de Rodolfo Marinho e do então presidente da SPTuris, Gustavo Pires, além de ordenar o aprofundamento das investigações.
O controlador-geral do município, Daniel Falcão, afirmou haver indícios de que Rodolfo seria sócio oculto de Nathália na MM Quarter.
Por meio de nota, o gabinete do deputado Rodrigo Moraes declarou que “nenhum dos servidores mencionados integra atualmente a equipe parlamentar” e que “não possui qualquer relação com eventuais investigações envolvendo pessoas que, em algum momento passado, tenham prestado serviços ao gabinete”.











