Preço da gasolina dispara na Bahia após aumento pela refinaria privatizada

Refinaria de Mataripe - Foto: Divulgação/Acelen

Na Bahia, os motoristas começaram a sentir nas bombas dos postos de combustíveis os efeitos do novo reajuste aplicado pela Refinaria de Mataripe, ex- Refinaria Landulpho Alves (RLAM), privatizada e administrada pela Acelen, que elevou os preços de gasolina e diesel vendidos às distribuidoras. 

Após a atualização anunciada, nesta última quinta-feira (5), o litro da gasolina comum passou a ser encontrado por até R$ 6,99 na capital baiana, aproximando-se da marca de R$ 7.

O aumento já foi repassado ao consumidor final em diversos bairros da cidade e representa uma elevação de aproximadamente R$ 0,30 por litro na gasolina, enquanto o diesel registrou alta de cerca de R$ 0,80 por litro em alguns estabelecimentos. 

Segundo a Acelen, empresa responsável pela refinaria localizada em São Francisco do Conde, os preços seguem critérios de mercado baseados em variáveis internacionais, como o custo do petróleo, câmbio e despesas de transporte.

No entanto, esse aumento só vem da distribuidora privatizada, já que a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, descartou a possibilidade de aumento nos preços dos combustíveis no Brasil, no curto prazo.

Durante a apresentação dos resultados de 2025 da estatal, nesta sexta-feira (6), Chambriard ressaltou que a situação internacional ainda está muito volátil e precisa ser analisada com calma, antes de uma decisão sobre reajustes nos preços dos combustíveis.

“Nesse momento, a gente se pergunta qual a tendência, onde isso vai ficar, é spike [pico] momentâneo? Esta pergunta ainda não está respondida”, explicou a presidente da Petrobrás.

O aumento dos combustíveis vem em meio a uma disparada no preço do petróleo, devido aos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Com a intensificação do conflito, que já deixou mais de 1300 mortos no Irã e no Líbano, além do risco de fechamento do Estreito de Ormuz, onde passa grande parte da produção de petróleo no mundo, a cotação do barril tipo Brent superou os US$ 120, pela primeira vez desde abril de 2024. O aumento no preço passa dos 30%.

GASOLINA MAIS CARA DO PAÍS

O reajuste aplicado pela refinaria atingiu diretamente o valor cobrado das distribuidoras e acabou impactando o preço nas bombas. Os percentuais divulgados apontam aumentos expressivos em todos os principais derivados do petróleo.

Em nota, a Acelen informou que a política de preços da refinaria é transparente e baseada em critérios técnicos, alinhados às práticas adotadas no mercado internacional de combustíveis. Com o repasse do reajuste, motoristas já encontram valores elevados em diferentes regiões da capital baiana. Em alguns postos, o preço da gasolina se aproxima da barreira dos R$ 7, sendo a mais cara do país.

Outro ponto destacado por representantes do setor de combustíveis é a diferença entre os preços praticados na Bahia e aqueles adotados em regiões abastecidas diretamente pela Petrobrás. Enquanto a refinaria baiana utiliza como referência o mercado internacional para formação de preços, o sistema da Petrobrás segue uma política distinta, o que pode gerar diferenças significativas entre estados vizinhos.

Um exemplo frequentemente citado envolve as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, separadas por uma ponte de cerca de 600 metros. Apesar da proximidade geográfica, o preço da gasolina pode apresentar diferença de aproximadamente R$ 1,50 por litro entre os dois municípios.

A diferença de preços também preocupa empresários do setor em áreas de rodovias federais. A Bahia possui um território extenso, atravessado por diversas BRs que ligam o estado às regiões Norte, Nordeste e Sudeste, além de fazer fronteira com nove estados.

Diante desse cenário, postos localizados em estradas podem enfrentar maior concorrência com estabelecimentos de estados vizinhos, onde o combustível é abastecido por sistemas com preços diferentes.

PRIVATIZAÇÃO

Localizada no município de São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador, a RLAM começou a operar em 1950, antes mesmo da criação da Petrobras. A refinaria é considerada ponto de partida para o crescimento econômico e industrial do estado, possibilitando também o desenvolvimento do Polo Petroquímico de Camaçari, o primeiro complexo petroquímico planejado do Brasil.

Desde 2015, a RLAM já se mobilizava contra as ameaças de privatização. Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), os enfrentamentos contra a venda da RLAM se intensificaram, mesmo em meio à pandemia.

Apesar dos esforços da categoria petroleira, a privatização da refinaria foi concluída em 2021 por Bolsonaro, numa transação questionada pelas entidades sindicais. Vendida por 1,65 bilhão de dólares, estima-se que a unidade valia pelo menos o dobro, como avaliou, à época, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) chegou a denunciar a venda no Tribunal de Contas da União (TCU), mas o órgão não viu irregularidades na transação.

Rebatizada de Refinaria de Mataripe pela Acelen, empresa criada pelo Fundo Mubadala para administrar as operações, a antiga RLAM tem operado abaixo da sua capacidade, o que tem contribuído para o aumento dos preços dos derivados do petróleo e risco de desabastecimento da população. 

Em 2024, distribuidores de combustíveis da Bahia chegaram a buscar gasolina e gás de cozinha em Pernambuco para compensar a queda na oferta dos produtos causada por problemas operacionais da refinaria.

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