R$ 63,6 bilhões foram gastos com juros da dívida só em janeiro, informa BC

Recursos públicos são transferidos para pagamento de juros a rentistas. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Montante em 12 meses vai a R$ 1.030,8 bilhões (8,05% do PIB)

A despesa com juros do setor público consolidado no mês de janeiro deste ano foi de R$ 63,6 bilhões. Em janeiro de 2025 essa despesa atingiu R$ 40,4 bilhões, um acréscimo de 57%, segundo dados divulgados pelo Banco Central, nesta sexta-feira (27). O resultado do setor público consolidado traz os resultados fiscais de União, estados, municípios e empresas estatais (exceto setor financeiro e Petrobras)

No acumulado de doze meses, as despesas com juros da dívida somaram R$ 1.030,8 bilhões (8,05% do PIB), comparativamente a R$ 910,9 bilhões (7,69% do PIB) nos doze meses até janeiro de 2025. Um aumento de 13% nos gastos acumulados com juros.

O resultado de janeiro repete, pela segunda vez, a marca histórica de R$ 1 trilhão, quando no final do ano de 2025, o total de recursos públicos para pagamento de juros atingiu o montante de R$ R$ 1,008 trilhão

A razão do aumento desses gastos está diretamente ligada as taxas de juros que o Banco Central (BC) paga pelos títulos da dívida pública, cuja principal referência é a Selic, taxa de juros básicos da economia.

Com a taxa Selic subindo acima de dois dígitos desde 2022, hoje ela está em 15% ao ano, a cada aumento de 1 ponto percentual na Selic, o gasto anual com juros da dívida pública brasileira cresce cerca de R$ 57 bilhões, de acordo com o BC.

Esses níveis de taxa básica, além de elevarem exponencialmente a dívida pública brasileira, são significativamente tóxicos para o desempenho da economia. Aumenta o custo de capital para as empresas, eleva a inadimplência e endividamento das famílias, favorecendo apenas o rentismo que se beneficia do juro real (descontada a inflação) de mais de 10%, entre os maiores do planeta, esterilizando o capital na especulação financeira.

O crescimento da economia que ficou em torno de 3% de 2022/23 e 2024, apesar desse entrave, desacelera e as previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 não passam de 2,5%.

O Banco Central sinaliza que manterá a taxa em 12,25% no final do ano. Ou seja, o estrago na economia só tende a se manter.

A indústria teve, desde 2022, resultados negativos, com exceção de 2024, no entanto, com o resultado de dezembro de 2025 (-1,2%), a produção industrial se encontra 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 16,3% abaixo do melhor nível alcançado em maio de 2011.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) faz projeção de que a indústria em 2026 deve crescer apenas 1,1%. “Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia e aprofunda a desaceleração do crescimento. É indispensável iniciar a redução dos juros já na próxima reunião”, manifestou-se o presidente da CNI, Ricardo Alban, quanto a decisão do BC de manter a Selic em 15%.

Sobre o resultado primário do setor público consolidado, ele foi superavitário em R$ 103,7 bilhões em janeiro de 2026, ante superávit de R$ 104,1 bilhões no mesmo mês de 2025.

No mês, o Governo Central e os governos regionais registraram superávits respectivos de R$ 87,3 bilhões e de R$ 21,3 bilhões, e as empresas estatais, déficit de R$ 4,9 bilhões.

Em doze meses, o setor público consolidado foi deficitário em R$ 55,4 bilhões, 0,43% do PIB, mesmo percentual do PIB registrado nos doze meses até dezembro de 2025.

Como fica evidente, o déficit primário do setor público nos últimos doze meses é mínimo ou 0,43% do PIB. No entanto o total das despesas com juros no período chega a um trilhão.

A aplicação das taxas de juros sobre o montante da dívida gera um aumento dos gastos muito maior do que o déficit primário, na faixa dos R$ 55 bilhões em 2025.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *