Reitor da Escola de Artes de Teerã denuncia ataques a universidades por EUA-Israel

Shahab Esfandiari conclama a solidariedade da comunidade universitária de todo o mundo para derrotar a agressão (Reprodução)


Professor Shahab Esfandiari denuncia que “escalada” da agressão, com bombardeio indiscriminado de universidades, visa converter o país em “nação subordinada, como acontece com muitas nações nesta região”

Em uma conclamação à comunidade acadêmica de todo o mundo, o renomado intelectual e reitor da Universidade de Artes de Teerã, Shahab Esfandiari, condenou a multiplicação dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra universidades e centros de pesquisa do Irã, com sua cultura milenar.

“Eles querem que o Irã se torne uma nação subordinada como acontece com muitas nações na região, de forma que eles consigam manter sua superioridade e hegemonia”, denunciou Esfandiari. “Essa escalada é uma clara indicação de que eles não querem trazer liberdade para o Irã e para o povo iraniano”, enfatizou.

Qualificando o bombardeio indiscriminado de “perverso e ilegal”, o intelectual iraniano conclamou “a todos os acadêmicos, professores e reitores das universidades de todo o mundo a condenarem este maléfico ataque a universidades”. “Espero que, com a solidariedade dos acadêmicos e professores de todo o mundo, isso pare e nunca aconteça novamente contra a nossa ou qualquer outra nação”, ressaltou.

Veja no link abaixo o vídeo com as denúncias do professor:

https://www.instagram.com/reels/DWl8PQCkzvv

Bacharel em direção cinematográfica e mestre em Cinema pela Universidade das Artes, Shahab Esfandiari é doutor em Teoria Crítica e Estudos Cinematográficos pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, professor assistente na Faculdade de Cinema e Teatro da Universidade das Artes e foi diretor do Departamento de Cinema da mesma universidade de 2014 a 2016. Seu livro “Cinema Iraniano e Globalização” foi publicado no Reino Unido e nos Estados Unidos pelas editoras Intellect Publishing e University of Chicago Press.

PROFESSORES DA UNIVERSIDADE SHAHID BEHESHTI ENVIAM CARTA AOS COLEGAS DOS EUA

Ampliando a rede de solidariedade, a Associação de Estudantes e um grupo de professores da Universidade Shahid Beheshti do Irã enviou uma carta aos colegas dos Estados Unidos da América: “escrevemos estas linhas enquanto nossa universidade é alvo de bombas americanas e israelenses”.

“Nossas bibliotecas, salas de aula e laboratórios, que outrora eram locais de debate e produção de filosofia, tecnologia e futuro, são hoje alvos como se fossem uma base militar. Esta não é a primeira vez que áreas civis são atacadas pelos governos dos EUA e de Israel. Antes disso, crimes como o bombardeio de uma escola primária em Minab, bem como o bombardeio de patrimônio cultural e histórico – cuja existência é muito mais antiga que os próprios EUA e Israel – já estavam registrados no histórico vergonhoso dos EUA e de Israel”, recordou.

“Como uma geração que dedicou toda a sua energia a aprender para construir um amanhã melhor, e hoje nossa universidade, uma das melhores do Irã e do Oriente Médio, declaramos: Embora nossas salas de aula estejam forçosamente fechadas hoje, aquilo que aprendemos sobre direito, liberdade e dignidade humana está mais vivo do que nunca. Não fomos nós que começamos qualquer guerra e, ao contrário das mentiras da grande mídia, não representamos ameaça alguma para a Europa ou para o mundo. Mídia que fecha os olhos para o canibalismo, estupro e queima de corpos na Ilha de Epstein e que, ao lado dos exércitos criminosos dos EUA e de Israel, está empenhada em destruir a nação iraniana”, apontou.

“Mídia que fecha os olhos para o canibalismo, estupro e queima de corpos na Ilha de Epstein e que, ao lado dos exércitos criminosos dos EUA e de Israel, está empenhada em destruir a nação iraniana”

Na carta, os iranianos lembram que estão apenas se “defendendo e acreditamos que o poder do pensamento acabará por triunfar sobre o poder militar”. Hoje, descrevem, “além da universidade, instalações civis no Irã são atacadas, instalações estas que são fruto do conhecimento local de nossos estudantes e professores. As indústrias de energia, nuclear, urbanismo, etc., do Irã prosperam todas sob a pesada sombra de sanções opressivas impostas por governos que cobiçam o mundo e graças ao conhecimento nacional”.

De forma objetiva, estudantes e professores assinalam estar “ao lado do nosso povo”. “Assim como nossos professores mártires, que resistiram durante anos de sanções sem precedentes na história da humanidade e foram assassinados com a aprovação dos governos dos EUA e por Israel. Cientistas valiosos e patriotas como o mártir Dr. Majid Shahriari, o mártir Dr. Fereydoun Abbasi, o mártir Dr. Mohammad Mehdi Tehranchi, o mártir Dr. Abdolhamid Minouchehr, o mártir Dr. Amir Hossein Faghihi e o mártir Dr. Ahmad Reza Zolfagari”.

“A dor do deslocamento, da perda de entes queridos e da destruição de nossas infraestruturas é menor do que a dor de aceitar as ambições imperialistas perseguidas por potências selvagens e em declínio”

“Acreditamos que a dor do deslocamento, da perda de entes queridos e da destruição de nossas infraestruturas é menor do que a dor de aceitar as ambições imperialistas perseguidas por potências selvagens e em declínio. Portanto, nós, estudantes – que não somos um grupo à parte, mas sim o pulso vibrante da sociedade – nestes dias difíceis, dedicaremos ainda mais nossa capacidade científica e prática ao serviço de nossos compatriotas e à redução de seu sofrimento”, defendem.

O manifesto reitera que “a ciência não conhece fronteiras e que o dever do estudante é a busca pela verdade”. “Perguntamos a vocês: A ciência e o conhecimento que vocês aprendem nas universidades são uma licença para destruir as casas de vossos pares fora de vossas fronteiras? Pedimos que vocês sejam a voz da razão e a voz de oposição ao vosso governo”, acrescentam.

Diante de tantos crimes cometidos pelo governo Trump, os iranianos conclamam “todas as instituições acadêmicas e associações estudantis do mundo a não se calarem diante desta violação flagrante da paz”, frisando que “o silêncio diante da guerra e da agressão não é muito diferente de apoiá-las”.

“As muralhas que hoje desmoronam, amanhã as reconstruiremos mais fortes do que nunca”

“Não abandonaremos nossos sonhos e consideramos a resistência como o único caminho para nossa vitória neste mundo e no outro. As muralhas que hoje desmoronam, amanhã as reconstruiremos mais fortes do que nunca, com conhecimento e vontade nacionais e iranianas. As mesmas muralhas derrubadas sobre as quais hoje escrevemos o lema ‘Esmagamos EUA e Israel sob nossos pés’”, realçam.

O fato, demarca a carta de estudantes e professores iranianos, é que “secaremos as raízes das redes malignas em todo o mundo, inclusive dentro de vossas fronteiras, e com vossa ajuda esmagaremos a rede sionista que controla o destino do povo americano, e faremos florescer os brotos da humanidade, da espiritualidade e da justiça em todo o mundo”.

“Nosso desejo não é apenas voltar às salas de aula, mas o raiar de uma manhã em que a ciência esteja a serviço da paz e da reconstrução, e não da pilhagem e da destruição. ‘Viva a paz, firme seja a defesa nacional’”, conclui o manifesto.

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