STF condena, por unanimidade, deputados do PL por esquema de propina com emendas

Decisão foi da Primeira Turma do STF (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom - Agência Brasil)

Decisão expõe uso ilícito de verbas públicas e pressiona Congresso por mais transparência

O Supremo Tribunal Federal condenou, nesta terça-feira (17), deputados federais do Partido Liberal — Josimar Maranhãozinho (MA), Pastor Gil (MA) e o suplente Bosco Costa (SE) — por envolvimento em esquema de cobrança de propina para liberar emenda. Outros 4 acusados também foram condenados.

Por unanimidade, a Primeira Turma — formada por Flávio Dino (presidente), Cristiano Zanin (relator), Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes — entendeu que houve direcionamento de verbas públicas a projetos previamente combinados, com posterior desvio de parte dos recursos.

“Houve utilização do mandato parlamentar para fins ilícitos, com clara violação aos princípios da administração pública”, afirmou Alexandre de Moraes.

A Procuradoria-Geral da República havia pedido a condenação, apontando desvio de cerca de R$ 1,6 milhão.

PENAS E RESPONSABILIZAÇÃO

Josimar Maranhãozinho foi condenado a 6 anos e 5 meses de prisão, em regime semiaberto, além de 300 dias-multa.

Pastor Gil recebeu 5 anos e 6 meses de prisão e 100 dias-multa.

Bosco Costa foi condenado a 5 anos de prisão, também em regime semiaberto, e 100 dias-multa.

COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA

Segundo as investigações, o grupo indicava emendas a municípios e entidades com contrapartidas irregulares. Parte dos recursos retornava por meio de contratos simulados ou pagamentos indiretos a operadores.

O modelo explorava falhas de controle e transparência, especialmente nas emendas de execução descentralizada.

“O que se verificou foi a captura de um instrumento legítimo de política pública para fins privados”, afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

IMPACTO POLÍTICO

A decisão repercute no Congresso e reacende o debate sobre o modelo de emendas parlamentares, sobretudo as de menor rastreabilidade. Nos bastidores, cresce a pressão por regras mais rígidas de controle.

“Esse julgamento sinaliza que não há mais espaço para zonas cinzentas no uso de recursos públicos”, avaliou o cientista político Leonardo Barreto.

DEFESAS E CONTROVÉRSIAS

As defesas alegaram falta de provas diretas e sustentaram que irregularidades na execução não poderiam ser atribuídas automaticamente aos parlamentares.

Por unanimidade, a Corte, porém, considerou comprovada a participação ativa no esquema.

PRESSÃO POR MUDANÇAS

O caso reforça a cobrança por maior transparência, rastreabilidade e controle social das emendas.

“O desafio agora é impedir que práticas como essas se reproduzam. Isso exige reforma institucional e fortalecimento dos controles”, afirmou Juliana Sakai, cientista política.

MANDATO AINDA EM ABERTO

Apesar da condenação, a perda de mandato não foi automática. O STF decidiu que caberá à Câmara dos Deputados avaliar a compatibilidade do regime semiaberto com o exercício do cargo.

A análise ocorrerá após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso.

Mais do que caso isolado, a decisão expõe fragilidades estruturais na gestão de recursos públicos e reforça o papel do Judiciário no combate à corrupção.

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