Trump ameaça o mundo com maior choque da falta de petróleo da história ao alardear invasão do Irã

Incêndio na refinaria de Bazan, em Haifa, dá ideia do tamanho da crise energética que Trump ameaça colocar em andamento (Mordekai Baliti - Flash90)

A guerra de agressão dos EUA-Israel ao Irã ameaça o mundo inteiro com o maior choque de falta de petróleo da história, sob a insistência do ditador Donald Trump em assaltar com tropas a Ilha de Kharg, no Estreito de Ormuz, e com o inquilino da Casa Branca anunciando que o quer mesmo é “tomar o petróleo iraniano”. 

Na semana passada, o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, advertira que o atual choque de falta de petróleo, de 11 milhões de barris diários, já é maior do que os dois choques precedentes somados, o de 1973 e o de 1979. A AIE chegou a aconselhar medidas extremas, como no período da pandemia, tipo apelar para carona e home office.

“A economia mundial enfrenta uma ameaça muito, muito séria hoje”, acrescentou o dirigente da AIE, frisando que “nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se continuarmos neste caminho”.

Trata-se, como destacou o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, “que o mercado de energia está fora de controle e a inflação de alimentos é iminente”, acrescentando que os EUA “irão se arrepender de suas ações”.

As instituições internacionais começam a revisar para baixo o crescimento da economia global em 2026, que já era baixo e fica pior com o preço do barril chegando a 115 dólares – o Brent aumentou 59% em relação a antes da guerra – e a expectativa é de estagnação e inflação. A gasolina nos Estados Unidos subiu para US$ 3,98 por galão, quase US$ 1 desde o início da guerra – a oito meses das eleições intermediárias.

O Fundo Monetário Internacional alertou que “todas as estradas levam a preços mais altos e crescimento mais lento no mundo” caso o conflito no Oriente Médio continue a limitar a quantidade de petróleo, gás e fertilizantes que saem do Golfo.

Naturalmente, uma invasão terrestre agravará uma situação já crítica, com as consequências previsíveis. Pelo Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã à passagem das embarcações a serviço dos agressores e seus vassalos, transitam 20% do petróleo e gás comercializado no mundo. A ilha de Kharg concentra 90% da exportação de petróleo iraniano.

O bombardeio das instalações petroleiras iranianas pelos EUA-Israel forçou o Irã a retaliar instalações ligadas aos interesses norte-americanos na região, o que também provocou a redução na produção de gás e de petróleo e fechamento de campos. Só o Qatar perdeu 17% da sua capacidade de gás, com a reconstrução estimada em três a cinco anos.

Além do petróleo e gás em si – ou seja, a energia que move a indústria e o transporte do planeta -, a guerra de agressão também provocou a suspensão do fornecimento de fertilizantes (com o plantio da primavera prestes a começar no hemisfério norte) e do gás hélio, sem o qual não é possível produzir chips. Um terço do hélio vem dos países do Golfo.

A FAO – o organismo da ONU para a Alimentação e Agricultura advertiu que os preços globais dos fertilizantes podem ficar em média entre 15% e 20% mais altos no primeiro semestre de 2026, caso a crise persista – afetando o preço dos alimentos.

Questões de somenos para o biliardário. “Para ser honesto com você, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã”, disse Trump em entrevista ao Financial Times sobre sua guerra de escolha. “Mas algumas pessoas estúpidas nos EUA perguntam: ‘por que você está fazendo isso?’ Mas são pessoas burras.”

“COMIDA DE TUBARÃO”

Com a heroica resistência do Irã à agressão, a decapitação do governo tentada fracassou, o povo segue nas ruas enfrentando as bombas e o Irã já anunciou a mobilização de um milhão de homens para deter os agressores. “Vão virar comida de tubarão” no Golfo, os iranianos avisaram, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, advertiu que será “pior que o Iraque”; para outros, a comparação mais adequada é com o Vietnã.

Ao ultimato de “15 pontos” de capitulação, Teerã respondeu apresentando seus cinco pontos – interrupção completa da “agressão e assassinatos” pelo inimigo; estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja reimposta à República Islâmica; pagamento de danos e reparações de guerra; fim da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos; exercício da soberania sobre o Estreito de Ormuz, que é um direito natural e legal do Irã –, já negociou passagem segura em Ormuz com a China, Índia, Tailândia e Espanha, entre outros, enquanto prosseguiu com novas ondas da operação Promessa Verdadeira 4 (como é denominada a resposta à agressão americano-israelense).

Na frente doméstica, a oposição é cada vez maior. No sábado, oito milhões de cidadãos norte-americanos foram às ruas contra a guerra de Trump, contra a ditadura, contra as deportações em massa de imigrantes e contra a carestia trazida pela guerra de Trump.

Conforme a mais recente pesquisa Reuters /Ipsos, a aprovação de Trump despencou em uma semana quatro pontos percentuais, para 36%. Em relação à posse há um ano, ele perdeu 11 pontos. 62% são contra o envio de tropas terrestres. O povo norte-americano “está revoltado com a política de ‘Israel First’ de Trump”, observou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

TRÊS MIL ANOS DE HISTÓRIA

O Irã é um país enorme, com 93 milhões de habitantes, montanhoso, com três mil anos de história, e coeso na defesa de sua soberania, valores humanos e fé, e que desde 1979 tem resistido a todas as investidas do império.

Até a BBC admite que há “pouquíssimas alternativas” para Trump, lembrando que um ataque frontal ao Irã foi evitado pelos presidentes norte-americanos precedentes, republicanos e democratas.

Neste final de semana, começaram a chegar os reforços para Trump, marines e paraquedistas, aumentando em dez mil o contingente já estacionado na região – o qual, aliás, na maior parte está escondido em hotéis nos Emirados, Kuwait e Arábia Saudita, enquanto as bases norte-americanas são marteladas pelos mísseis e drones iranianos diariamente.

VÍDEOS DE DOIS MINUTOS

Os jornais americanos revelaram como é que o Pentágono mantém Trump a par da guerra: prepara diariamente uma amostra de vídeos curtos de destruição e omite as perdas, para que ele possa continuar mentindo de minuto a minuto que “estamos vencendo”. Trump também tem fracassado em atrair os “aliados europeus” para sua carnificina no Irã.

Já o Irã absorveu os golpes e revidou de forma que pareceu surpreendente aos débeis mentais em Washington, a ponto de o maior porta-aviões do mundo ter de bater em retirada, para Creta, depois do que mentiram ser um “incêndio na lavanderia”.

O Domo de Ferro sionista virou peneira, impotente para deter mísseis e drones iranianos. Forças da resistência islâmica na região, em especial o Hezbollah, castigam pesadamente o inimigo pérfido. Os revolucionários iemenitas anunciaram sua solidariedade ao Irã e seu povo, com o significado disso em relação ao Estreito de Bab el-Mandeb, a estratégica e vital hidrovia de 32 km de largura que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, que pode ser parado, como foi durante a agressão a Gaza.

Trump alterna ameaças e louvações à própria criminalidade, sempre mantendo um olho no risco de quebradeira em Wall Street e de colapso do mercado de títulos do Tesouro, e outro, nas pesquisas em que sua aprovação só faz encolher. Então, pode dar “48 horas” de prazo, estender por “mais dez dias”, e voltar às imprecações raivosas, dependendo da urgência.

“SEMANAS, NÃO MESES”

Sobre os planos de Trump, no domingo, o Washington Post revelou que o Pentágono está se preparando para “semanas de operações terrestres no Irã”. “Ficaria aquém de uma invasão em larga escala e poderia, em vez disso, envolver ataques de uma mistura de forças de Operações Especiais e tropas de infantaria convencionais”, de acordo com a publicação.

Um funcionário disse ao Post que os objetivos levariam “semanas, não meses.” Outro disse “alguns meses.” Na época em que Lindon Johnson resolveu escalar a guerra no Vietnã, o raciocínio do Pentágono tinha a mesma perspicácia.

A CNN informou que o Irã fortificou a ilha com cerca de 30.000 a 40.000 pessoas, sistemas de defesa aérea, trincheiras subterrâneas, minas terrestres ao longo da costa e enxames de drones kamikaze em primeira pessoa.

MISSÃO SUICIDA

Harrison Mann, ex-major do Exército e analista da Agência de Inteligência de Defesa, disse ao Democracy Now que a operação seria “próxima de uma missão suicida”. Para Joe Kent, ex-chefe de contraterrorismo de Trump, seria “basicamente dar ao Irã um monte de reféns em uma ilha que eles poderiam bombardear com drones e mísseis.”

Em paralelo, o Wall Street Journal relatou no domingo que Trump está ativamente planejando uma operação militar para extrair quase 500 kg de urânio enriquecido do Irã — “uma missão complexa e arriscada que provavelmente colocaria forças americanas dentro do país por dias ou mais.”

No mais recente frenesi pela sua plataforma Truth Social, Trump voltou no domingo a ameaçar “obliterar” a infraestrutura vital iraniana, entre usinas de geração de energia elétrica, a ilha de Kharg — responsável por 90% da exportação de petróleo do Irã— e usinas de dessalinização, caso Teerã não se submeta. Não há como discutir que atacar usinas de dessalinização é crime de guerra.

“DEMANDAS EXCESSIVAS E FORA DA REALIDADE”

No domingo, antes da reabertura da Bolsa de Wall Street na segunda-feira, Trump repetiu sua cena, asseverando que as “negociações” com o “novo e mais razoável regime” estavam “progredindo” e que “um acordo poderia ser feito rapidamente”, logo emendada com a ameaça de “obliteração” do Irã.

O que foi devidamente respondido pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esamil Baghaei: “o que nos foi transmitido foram demandas excessivas e fora da realidade”.

“Não tivemos nenhuma negociação direta com os EUA até o momento. O que houve foram mensagens recebidas por meio de intermediários, indicando o interesse dos EUA em negociar. Não sei quantos, nos EUA, levam a sério a alegada diplomacia americana!”

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