ALTAMIRO BORGES
Um dos principais ídolos da extrema-direita mundial, o truculento Viktor Orbán, sofreu uma dura derrota nas eleições parlamentares deste domingo (12). Após 16 anos de regime fascistoide, que serviu de inspiração para o “imperador pedófilo” Donald Trump, o miliciano Jair Bolsonaro e o “Loco” Javier Milei, seu partido, o Fidesz, obteve apenas 55 das 199 cadeiras do parlamento que escolherá o novo primeiro-ministro do país. Liderada por Péter Magyar, a sigla de centro-direita Tisza elegeu 137 deputados, conquistando a maioria absoluta, e formará o próximo governo.
Diante do desastre eleitoral, antes mesmo do encerramento da apuração, o ditador Viktor Orbán reconheceu o fiasco. “Os resultados ainda não são finais, mas a situação é compreensível e clara. O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro”. Já Péter Magyar discursou para seus apoiadores garantindo que “aqueles que fraudaram o país serão responsabilizados”. Ele também pediu a renúncia do presidente da Suprema Corte, do procurador-geral da República e dos donos da mídia no país – todos cooptados e corrompidos pelo fascista no poder.
ÍDOLO DA EXTREMA-DIREITA GLOBAL
Como lembra o site g1, “Orbán é um dos principais nomes da extrema direita global. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, voltou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permaneceu no cargo. O partido de Orbán, Fidesz, tinha ampla maioria no Parlamento e atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma ‘democracia cristã iliberal’. As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+”.
“Por outro lado, medidas anti-imigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular. A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos. Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados. Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço”.
TRUMP FEZ CAMPANHA ABERTA PARA ORBÁN
O resultado das eleições deste domingo talvez não altere profundamente os rumos da política na Hungria. O líder do Tisza é um conservador, que se projetou durante o mandato de Viktor Orbán e depois rompeu com o seu governo, acusando-o de corrupto e incompetente na economia. Como aponta outra reportagem do site g1, “Péter Magyar também aposta em discursos voltados para as redes sociais e em comícios com estética patriótica… Ex-aliado do partido Fidesz, que domina o poder no país, ele tinha Orbán como ídolo e fazia parte de seu círculo íntimo até romper com ele, há dois anos e renovar o partido de centro-direita Tisza”.
De qualquer forma, a derrota do fascista Viktor Orbán é um alento nesse mundo de avanços da extrema-direita. Ela atrapalha os planos de Donald Trump, que recebeu o premiê húngaro na Casa Branca em fevereiro e publicou uma mensagem de apoio à sua reeleição nas redes sociais: “Espero continuar trabalhando em estreita colaboração com ele para que ambos os países possam avançar ainda mais nessa trajetória rumo ao sucesso e à cooperação. Viktor Orbán é um verdadeiro amigo, lutador e vencedor, e tem meu apoio total e irrestrito para a reeleição”.
Dias antes da eleição, Donald Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria para participar de eventos ao lado do premiê em Budapeste. Num dos comícios, ele ligou para o chefe, que falou diretamente aos correligionários do premiê e não economizou elogios: “Sou um grande fã do Viktor, estou com ele em todos os sentidos, os EUA estão com ele em todos os sentidos”. Donald Trump não é o único que vai chorar a derrota do ídolo da extrema-direita global. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que se “refugiou” durante duas noites na embaixada húngara em Brasília, também deve ter ficado triste e cabisbaixo!











