Veja o roteiro completo do conluio do bolsonarismo com os crimes de Vorcaro

Roberto Campos Neto e Daniel Vorcaro (Foto: Agência Senado e reprodução)

O Banco Master explodiu em crescimento assim que Bolsonaro assumiu o Planalto. O banqueiro esteve 24 vezes no BC de Roberto Campos Neto, revela levantamento

Registros administrativos do Banco Central obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro foi 24 vezes ao Banco Central durante gestão Campos Neto. As informações constam em planilhas de controle de acesso ao prédio do Banco Central, que registram horários de entrada e saída de visitantes.

Este levantamento confirma que o Banco Master se viabilizou com a entrada de Bolsonaro no Planalto. O Banco Master tem origem no antigo Banco Máxima. Em 2019, o controle da instituição foi adquirido por Daniel Vorcaro, operação que marcou a transformação do banco e sua posterior reestruturação sob a marca Banco Master.

VORCARO NÃO SAÍDA DO BC DE CAMPOS NETO

O mesmo ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima coincide com o período em que Vorcaro passou a frequentar com maior intensidade o prédio do Banco Central. Antes de 2019 o Banco Master não era nada. Estava inabilitado e sem autorização do Banco Central para funcionar. Um verdadeiro fantasma financeiro. Vorcaro frequentava a Igreja da Lagoinha, em BH, junto com o deputado Nikolas Ferreira e o senador Carlos Viana presidente da CPI, atual presidente da CPMI do INSS.

O mesmo ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima coincide com o período em que Vorcaro passou a frequentar com maior intensidade o prédio do Banco Central. Em 2019 a chave virou. No governo Bolsonaro e na administração de Roberto Campos Neto no Banco Central, a autorização misteriosamente apareceu e o alvo já estava na mira. Os aposentados, com um acordo feito em 2020 autorizando descontos direto na fonte.

A FARRA DOS CONSIGNADOS

Outros bolsonaristas entraram em cena para ajudar a viabilizar o banco. Paulo Guedes, Onix Lorenzoni e João Roma entraram em cena para ampliar a margem do consignado. Com isso, o Banco Master explodiu em crescimento. Em 2022 eles liberaram o consignado até para quem recebia o auxílio Brasil.

Enquanto o desespero e a dívida do povo batiam recordes os lucros do banco iam às alturas. Tudo isso acobertado pelo Banco Central, dirigido por Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para dirigir o órgão responsável por fiscalizar o sistema financeiro.

MINISTRO VIROU DIRETOR DO MASTER

Mais um vínculo do bolsonarismo com Vorcaro. Ronaldo Bento, último ministro da cidadania de Bolsonaro, atuou pela liberação do consignado do Auxílio Brasil e virou diretor do Master. João Roma, ministro de Bolsonaro, foi padrinho de casamento da também ex-ministra Flávia Pires com Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Os dois, Vorcaro e Augusto Lima, estão presos. Estava tudo dentro do Palácio do Planalto.

André Valadão, pastor da Igreja da Lagoinha, criador do Banco Clava Forte, estritamente ligado ao Master, decidiu fechar a empresa após o escândalo do INSS. Esta é a mesma igreja frequentada por Nikolas Ferreira e Carlos Viana, presidente da CPI. Viena tem impedido a convocação do bispo Valadão para depor na CPMI.

O banco e os executivos ligados ao grupo foram alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e a atuação de uma estrutura paralela de monitoramento e pressão institucional. Documentos obtidos nas investigações indicam que o grupo ligado ao banco também operava estruturas de monitoramento clandestino e de influência digital utilizadas para pressionar jornalistas, autoridades e instituições.

MUTIRÃO BOLSONARISTA PARA “SALVAR” O BANCO

Nos últimos dias de vida do banco, vieram à tona interferências de dirigentes bolsonaristas como intuito de salvar o Banco Master. A mais escandalosa foi a compra de uma carteira de títulos podres do banco pelo BRB. A negociata autorizada pelo governador Ibaneis Rocha envolvia a cifra de R$ 12 bilhões. Em seguida, Ibaneis tentou obrigar o BRB a comprar o Master.

Foi nesta operação, bloqueada pelo Banco Central, que o banco acabou sendo liquidado e seu dono preso. Antes descobriu-se também que o governador do Rio, Cláudio Castro, outro bolsonarista, tinha desviado R$ 1 bilhão do fundo de aposentadoria dos servidores do estado para injetar no Banco Master. Além disso, o senador Ciro Nogueira saiu a campo para tentar impedir a liquidação do banco. Articulou um projeto para cassar o diretor do BC que impediu a negociata e apresentou uma emenda defendendo a elevação da garantia dada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mensagens obtidas pela PF mostra que o banqueiro festejou a emenda do “amigo”.

Duas expressões do fascismos também surgiram nos últimos dias. O deputado Nikolas Ferreira, histérico defensor do golpismo, foi flagrado viajando de carona no jatinho particular de Daniel Vorcaro em 2022. Ele estava fazendo campanha para Bolsonaro financiado pelo banqueiro. Foram mais de dez viagens no jato do banqueiro. Isso sem falar que Vorcaro foi também o maior contribuinte individual da campanha de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões de contribuição, e de Tarcísio de Freitas, na campanha para governador de São Paulo, com a quantia de R$ 2 milhões. Mais ligação com o bolsonarismo é impossível.

SÉRGIO CRUZ

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