Dono do Banco Master adquiriu cotas de um fundo por cerca de R$ 2,5 milhões e revendeu os ativos por aproximadamente R$ 294,5 milhões em apenas 24 horas, valorização superior a 11.000%
Sequência de operações financeiras realizadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a levantar novas suspeitas no centro do escândalo que envolve a instituição financeira.
Documentos enviados à comissão parlamentar de inquérito indicam que o banqueiro obteve lucros de aproximadamente R$ 441 milhões em curto intervalo de tempo, em transações que envolveram fundos de investimento.
As informações são do ICL Notícias.
As operações aparecem na declaração de Imposto de Renda de 2024 apresentada às autoridades e revelam ganhos extraordinários obtidos por meio da compra e venda de cotas de fundos administrados por gestoras ligadas ao caso.
Em um dos episódios mais citados nas investigações, Vorcaro teria adquirido cotas de um fundo por cerca de R$ 2,5 milhões e revendido os ativos por aproximadamente R$ 294,5 milhões em apenas 24 horas, ganho de 11.472% em um único dia. A operação ocorreu entre o Natal e o Réveillon de 2023.
Em outra transação, em 31 de maio de 2023, Vorcaro adquiriu cotas do Hans 2 por R$ 10 milhões e, uma semana depois, em 7 de junho, vendeu por R$ 160 milhões ao Astralo Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado I.
ESTRUTURA DE FUNDOS E SUSPEITA DE MANIPULAÇÃO
As apurações apontam que os lucros teriam sido obtidos por meio de operações entre fundos interligados, o que pode ter inflado artificialmente o valor das cotas.
Segundo investigadores, a estratégia teria permitido transferir recursos dentro da própria estrutura financeira associada ao banco e a empresas relacionadas ao empresário.
Relatórios analisados pela comissão indicam que 2 operações com fundos administrados pela gestora Reag Investimentos teriam sido responsáveis pela maior parte dos ganhos milionários declarados.
Investigadores avaliam se essas movimentações poderiam configurar manipulação de ativos ou uso de fundos como instrumento para movimentação irregular de recursos.
CASO MASTER E INVESTIGAÇÃO FEDERAL
O episódio se insere no amplo escândalo financeiro que envolve o Banco Master, investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. A apuração envolve suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e uso de estruturas societárias complexas para ocultar patrimônio.
Segundo estimativas preliminares das autoridades, o banqueiro vendeu títulos falsos por R$ 12 bilhões ao BRB, banco público de Brasília, afetando cerca de 1,6 milhão de clientes e investidores.
O caso ganhou dimensão nacional após a liquidação da instituição pelo Banco Central e a prisão de Vorcaro no âmbito das investigações.
Decisão recente do Supremo Tribunal Federal manteve o empresário preso, citando indícios relevantes de corrupção e tentativa de influência sobre autoridades públicas.
CONEXÕES POLÍTICAS E INSTITUCIONAIS
O escândalo também expôs a rede de relações construída pelo banqueiro nos bastidores de Brasília. Reportagens apontam que Vorcaro manteve contatos frequentes com autoridades e integrantes do sistema financeiro enquanto tentava expandir os negócios do banco.
Mensagens e registros analisados por investigadores sugerem tentativas de cooptação de agentes públicos e de influência em decisões regulatórias, o que ampliou a dimensão política do caso.
Um dos políticos ligados a ele, é o ex-ministro de Bolsonaro, Ciro Nogueira, a quem Vorcaro chamava de “meu amigo”. Ciro é o autor da “emenda Master”. A emenda propunha elevar a garantia do FGC (fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que autorizaria a ampliar ainda mais os crimes de Vorcaro. Em mensagens obtidas pela PF, ele comemorou a ajuda do “amigo de sua vida”.
PRESSÃO POR ESCLARECIMENTOS
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa afirmam que a magnitude dos lucros e a velocidade das operações são fatores que naturalmente despertam suspeitas no mercado financeiro.
Para analistas, ganhos extraordinários em intervalos tão curtos podem indicar operações estruturadas para gerar valorização artificial de ativos, prática que precisa ser examinada com cuidado pelas autoridades regulatórias.
Enquanto as investigações avançam, o caso Banco Master permanece como um dos maiores escândalos financeiros recentes do País. Com potenciais repercussões sobre a regulação do sistema bancário e sobre a relação entre grandes instituições financeiras e o Poder Público.











