“Governo passado levou a jogatina para dentro da nossa casa”, diz Lula sobre as bets

Presidente durante evento no Rio Grande do Sul (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

Para Lula, a ausência de regulação efetiva durante o governo Bolsonaro contribuiu para esse cenário. Governo tenta endurecer regras diante de impactos sociais e econômicos

O presidente Lula (PT) responsabilizou diretamente o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela rápida expansão das plataformas de apostas on-line no Brasil, conhecidas como bets.

Em discurso nesta terça-feira (20), Lula afirmou que a falta de regulação e fiscalização durante a gestão anterior permitiu que o País “levasse o cassino para dentro das casas”, com efeitos nocivos sobretudo sobre famílias de baixa renda e jovens.

“O que aconteceu no governo passado? Eles levaram o cassino para dentro da nossa casa, para os filhos da gente utilizarem no telefone e fazer jogatina o dia inteiro”, disse o presidente, ao criticar a proliferação descontrolada das plataformas digitais de apostas.

FALTARAM REGRAS CLARAS

Segundo Lula, o avanço das bets não ocorreu por acaso. Ele afirmou que, apesar de a modalidade ter sido legalizada ainda em 2018, faltou vontade política nos anos seguintes para estabelecer regras claras, limites à publicidade e mecanismos de proteção aos usuários.

O resultado, disse, foi um mercado que cresceu “sem freio”, impulsionado por aplicativos, redes digitais e patrocínios esportivos.

“A gente proibiu o povo de ir a cassino físico, mas o cassino entrou no celular das pessoas. E muita gente está gastando dinheiro que não tem”, completou o presidente.

EXPLOSÃO DO SETOR E IMPACTOS SOCIAIS

Dados citados em reportagens recentes apontam que o mercado de apostas on-line movimenta dezenas de bilhões de reais por ano no Brasil, com presença massiva em transmissões esportivas e campanhas publicitárias.

Especialistas ouvidos pela imprensa alertam para o crescimento de casos de endividamento, dependência e uso compulsivo, fenômeno já tratado como problema de saúde pública em outros países.

Para Lula, a ausência de regulação efetiva durante o governo Bolsonaro contribuiu para esse cenário. “Quando o Estado se omite, quem paga a conta é a sociedade”, afirmou, ao defender que o poder público atue para proteger consumidores e famílias vulneráveis.

RESPOSTA DO GOVERNO LULA

O presidente destacou que a gestão dele vem tentando “corrigir o erro” herdado. Desde 2024, o governo federal aprovou o marco regulatório das apostas on-line, com exigência de autorização para funcionamento, cobrança de impostos, regras de publicidade e previsão de bloqueio de plataformas ilegais.

Ainda assim, Lula reconheceu que a fiscalização é complexa diante do caráter digital e transnacional do setor.

“Regular não é incentivar. É botar regra, cobrar imposto, fiscalizar e proteger o povo”, afirmou Lula ao defender novas medidas de controle.

Ministérios como Fazenda, Justiça e Esporte atuam de forma integrada para restringir propaganda abusiva, especialmente àquela orientada para crianças e adolescentes, e para ampliar o combate a sites que operam fora da legalidade.

DISPUTA POLÍTICA E LEGADO

A crítica ao governo Bolsonaro ocorre em contexto de reorganização do debate político nacional às vésperas das eleições de 2026.

Ao associar o avanço das bets à gestão anterior, Lula busca marcar posição e atribuir responsabilidades pelo que classifica como “passivo social” deixado pelo bolsonarismo.

Aliados do ex-presidente, por sua vez, argumentam que a legalização das apostas antecede o governo Bolsonaro e que o setor cresceu mundialmente nos últimos anos.

O Planalto rebate e afirma que a omissão regulatória entre 2019 e 2022 foi decisiva para a expansão desordenada no País.

TEMA SENSÍVEL NO DEBATE PÚBLICO

A discussão sobre apostas on-line ganhou centralidade no Brasil por envolver dinheiro, esporte, publicidade e saúde pública.

O governo, a seu turno, aposta que o endurecimento das regras ajudará a reduzir danos sociais, enquanto o tema segue como um dos pontos de tensão entre o país e o bolsonarismo.

“Não se trata de proibir por proibir, mas de impedir que a falta de regra destrua a vida de milhares de famílias”, resumiu Lula, ao encerrar a fala dele sobre o tema.

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