China investiga alto general Zhang por corrupção

General Zhang Youxia foi afastado de suas funções (Pedro Pardo/AFP)

O jornal do Exército de Libertação Popular da China (ELP) anunciou que o general Zhang Youxia da Comissão Militar Central (CMC), principal instância de direção militar do país, general Zhang Youxia está sob investigação do Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCCh) por “graves violações disciplinares e legais”. prometendo “levar a luta anticorrupção até o fim”, com “tolerância zero” e “sem zonas proibidas”.

Outro general também sob investigação por razões similares é Liu Zhenli que também integra a Comissão Militar Central. Ambos generais foram removidos de seus cargos .

“Independentemente de quem seja ou da posição que ocupe, qualquer pessoa que se envolva em corrupção não será tolerada”, sublinha o editorial de sábado (24).

Zhang é membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh) e vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC), o segundo no comando depois do presidente Xi Jinping. Liu é membro do CMC, chefe do Estado-Maior do Departamento Conjunto do CMC e ex-chefe da força terrestre. O editorial tem como título “Vencer resolutamente a guerra decisiva, prolongada e abrangente na luta contra a corrupção nas Forças Armadas”.

Desde sua posse em 2012, o presidente Xi fez da luta contra a corrupção uma bandeira central do partido e do renascimento nacional. Política que conta com enorme apoio popular, já tendo investigado dois milhões de funcionários em uma década e afastado até mesmo ex-dirigentes do politburo, governadores, diretores de estatais e generais que, diante do assombroso processo de desenvolvimento chinês, descambaram para aceitarem vultosas propinas em troca de contratos, promoções ou favorecimento de parentes, entre outros malfeitos.

Na época, Xi prometeu – e cumpriu – combater “os tigres” (os grandes corruptos) e “as moscas” (os pequenos aproveitadores).

Segundo o editorial, “investigar e punir Zhang Youxia e Liu Zhenli de acordo com a disciplina do Partido e a lei, sem dúvida, retificará ainda mais a situação política e eliminará o veneno ideológico e as práticas ilícitas” e injetará “forte ímpeto” no desenvolvimento do ELP, que permanecerá a força heroica na qual o Partido e o povo podem confiar plenamente.

BATALHA CRUCIAL

“A corrupção é um obstáculo e um entrave ao desenvolvimento do Partido e do país. A luta contra a corrupção é uma batalha crucial que não podemos nos dar ao luxo de perder e que não devemos perder”, afirma a publicação.

“Desde o 18º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, sob a forte liderança do Comitê Central do PCCh, da Comissão Militar Central e do Presidente Xi Jinping, todas as Forças Armadas aderiram ao princípio de governar o Partido e as Forças Armadas de forma abrangente e rigorosa, promoveram profundamente a retificação política, a aplicação da disciplina e os esforços anticorrupção, persistiram na investigação e eliminação da corrupção, lidaram resolutamente com oficiais militares corruptos de alta patente e concentraram-se na eliminação de riscos políticos.”

“A prática comprovou que quanto mais o Exército de Libertação Popular combate a corrupção, mais forte, mais puro e mais eficaz em combate ele se torna; quanto mais completa a luta contra a corrupção, mais confiante e determinado ele se torna para alcançar a meta do centenário do Exército de Libertação Popular.”

Não é a primeira vez que oficiais de alta patente são investigados e punidos por corrupção, como no afastamento do ministro da Defesa anterior, Li Shangfu, e do ex-vice da CMC de 2004 a 2013, general Xu Cahiou. Sequer uma exclusividade chinesa: um ex-vice-ministro da Defesa russo, Timur Ivanov, foi recentemente condenado a 13 anos de prisão por corrupção em meio à Operação Militar Especial para libertação do Donbass. No caso chinês, outros nove altos oficiais foram afastados no ano passado.

“ONDE HOUVER GANÂNCIA, HAVERÁ PUNIÇÃO SEVERA”

Dez dias antes, o presidente Xi, em discurso à principal agência anticorrupção da China, do Comitê Central, reiterou que o governo manterá “pressão elevada”, com a diretriz de que “onde houver corrupção, ela será combatida e onde houver ganância, haverá punição severa”.

O objetivo é impedir que corruptos “tenham onde se esconder”, reforçando mecanismos de responsabilização e ampliando a capacidade de fiscalização, afirmou Xi. As normas – acrescentou – devem se tornar “linhas de alta tensão energizadas”, sem privilégios ou exceções.

Para atingir os objetivos de desenvolvimento da China e o 15º Plano Quinquenal, o PCCh “deve mobilizar quadros que sejam verdadeiramente leais, confiáveis, consistentes e responsáveis”, ele convocou.

SEM “TIGRES” E SEM “MOSCAS”

No informe ao 20º Congresso do partido, o presidente Xi enfatizara que a corrupção “é o maior ‘tumor maligno’ que prejudica a vitalidade e a combatividade do Partido, por isso, o combate à corrupção é a autorrenovação mais completa”.

Ele convocou a criar, com esforços simultâneos, coordenados e integrais, “um ambiente em que ninguém ouse ser, possa ser e queira ser corrupto.”

“Temos que investigar e punir firmemente a corrupção em que estão entrelaçados os problemas político e econômico, prevenir que os quadros dirigentes se tornem porta-vozes ou agentes dos grupos de interesses e grupos de poder e influência”.

Xi também chamou a “lidar, sem nenhuma tolerância, com o problema de que os políticos e empresários se conluiam para destruir o ecossistema político e o ambiente do desenvolvimento econômico.”

“Devemos retificar a corrupção nas áreas onde concentram poder, fundos e recursos, punir resolutamente as “moscas”, ou seja, os corruptos pequenos, que atuam no cotidiano das massas populares, e investigar e punir severamente o problema de que os parentes dos quadros dirigentes, incluindo cônjuges, filhos e cônjuges de filhos, e seus funcionários próximos buscam interesses egoístas ou cometem a corrupção, aproveitando a influência desses quadros dirigentes.”

“Continuaremos a investigar simultaneamente tanto os subornados quanto os subornadores, e combateremos a corrupção de novos tipos e a corrupção escondida. É necessário aprofundar a cooperação internacional anticorrupção, e estabelecer um mecanismo integral para prevenir a fuga de corruptos ao exterior, perseguir os corruptos fugitivos no estrangeiro e recuperar os fundos e bens desfalcados.”

DELÍRIO EM LONDRES E WASHINGTON

O mais recente episódio do combate anticorrupção do governo Xi deixou em polvorosa a mídia ocidental, com os mais descabelados rumores sendo enumerados. “Essa medida é sem precedentes na história das forças armadas chinesas e representa a aniquilação total do alto comando”, asseverou o The Wall Street Journal, citando uma “fonte” de um think tank ligado ao Pentágono.

“Exército chinês em crise”, delirou a BBC. A Australian Broadcasting Corporation a chamou de uma purga “surpreendente” que deixa o líder chinês Xi Jinping quase sozinho no topo do maior exército do mundo.

Houve até quem chegasse a dizer que “o potencial para uma invasão de Taiwan agora foi reduzido”, como registrou o Asia Times – que, aliás, achou isso uma tremenda besteira. O WSJ foi ainda mais longe: relatou que Zhang é acusado de fornecer aos Estados Unidos informações sobre o programa de armas nucleares da China.

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