Lula defende redução da jornada para “o bem-estar das pessoas e produtividade das empresas”

Na sessão de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

Na Coreia do Sul, presidente falou da “sociedade do cansaço”, sustentou o multilateralismo e fez aposta na ampliação do comércio com a nação asiática

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, depois de avaliar que o mundo vive numa “sociedade do cansaço”, defendeu o fim da escala 6X1, com a redução da jornada de trabalho. Segundo ele, com as novas tecnologias, é possível aumentar a produtividade das empresas e focar no bem-estar das pessoas.

“O filósofo coreano Byung Chul Han diz que vivemos em uma ‘sociedade do cansaço’, em que a pressão pelo desempenho afeta o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional. Estamos discutindo, no Brasil, o fim da chamada jornada 6×1, para assegurar que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal”, afirmou Lula, para acrescentar: “A tecnologia nos permitiu atingir níveis inimagináveis de produtividade. É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, completou.

O presidente brasileiro disse, ainda, que a Coreia é um exemplo de como apostar no Estado como indutor de setores estratégicos, citando setores econômicos onde ambos os países podem estabelecer parcerias promissoras, como o dos cosméticos e o da cultura.

“Nos anos 90, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos. Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas”, defendeu Lula.

Citando empresas coreanas que investem no Brasil, Lula disse que o País tem segurança jurídica, previsibilidade, matriz energética limpa e muitas oportunidades. “Do funk brasileiro ao K-Pop, de ‘Parasita’ a ‘Agente Secreto’, das telenovelas aos K-Dramas, nossa música e nossa produção audiovisual estão conquistando os quatro cantos do mundo. Parcerias nessa área são garantia de sucesso”, acrescentou.

Lula defendeu o multilateralismo, como também o livre comércio. Sem fazer referência aos EUA e à política intervencionista de Trump nas tarifas do comércio mundial, disse ele:

“Há uma tentativa de acabar com o multilateralismo, de voltar o que nós não queremos que volte, o protecionismo para dificultar a economia dos países a crescer. Não existe justificativa. Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor será para o Brasil. E melhor será para o mundo”, afirmou.

O presidente avaliou, ainda, que a relação entre Brasil e Coreia do Sul encontra-se muito abaixo de seu potencial e defendeu uma abertura maior das relações entre empresários brasileiros e coreanos.

“O comércio do Brasil com a Coreia do Sul é muito pequeno. O ano passado foi de apenas US$ 11 bilhões. O que é muito pequeno diante do potencial da economia da Coreia do Sul e da economia do Brasil”, disse.

E acrescentou:

“Isso significa que, apesar de algumas empresas coreanas estarem no Brasil já há algum tempo, falta o Brasil se autopromover, se ‘autodivulgar’ para que a gente possa fazer com que o nosso comércio ultrapasse, muito, os US$ 11 bilhões que nós chegamos agora em 2025”.

DEMANDA POR PROTEÍNA

Lula assegurou que se os coreanos quiserem consumir proteína, o Brasil atenderá à demanda.

“Quando o povo da Coreia quiser ter acesso à proteína, não se preocupe que o Brasil estará pronto para atender à demanda da Coreia. E, mais ainda, vocês correm o risco de que, se comprarem carne dos Estados Unidos, estarem comprando carne brasileira”, declarou.

Ao fazer referência ao potencial do agro brasileiro, citando números do País relacionados à proteína animal, como carne bovina e frango, assinalou o presidente:

“No Brasil, se mata 150 mil cabeças de gado por dia. Por dia! No Brasil se mata 25 milhões de frangos por dia. Mais ainda, no Brasil, as galinhas produzem 1.800 ovos por segundo. São 60 bilhões de ovos por ano”, completou, afirmando que o Brasil está pronto para avançar com os procedimentos sanitários para poder vender carne para a Coreia do Sul.

“O Brasil vem trabalhando há 15 anos para obter acesso ao mercado de carne bovina coreano. O bulgogi, tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira. Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano”, completou.

Lula defendeu esse avanço no terreno sanitário, pois permitirá que os maiores frigoríficos do mundo, que são brasileiros, possam se instalar na Coreia. Lembrou, ainda, dos acordos firmados na viagem, como o de cooperação comercial e o para fortalecer cadeias de suprimentos.

“A corrente de comércio entre o Brasil e a Coreia é de cerca de US$ 11 bilhões. Estamos aquém do recorde de quase 15 bilhões registrado em 2011”, citou, para demonstrar o atual potencial de crescimento do comércio entre as duas economias

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