O terremoto atingiu mais de 6 milhões de pessoas com mais de 1.400 mortos e mais de 50 mil desaparecidos. Governo brasileiro se apresentou desde os primeiros momentos da tragédia
As equipes brasileiras enviadas pelo governo à Venezuela já iniciaram ações busca e resgate após o terremoto que destruiu parte do país. O governo Lula vai enviar um novo voo da Força Aérea Brasileira (FAB) com ajuda humanitária para a Venezuela neste domingo (28). A aeronave parte de São Paulo durante a tarde com 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Esse é o quarto voo com ajuda humanitária enviada pelo Brasil à Venezuela.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, seguidos de aproximadamente 20 réplicas, provocaram destruição extensa em várias cidades, incluindo a capital, Caracas. Já são 1.450 mortos, 3 mil feridos e 3,1 mil pessoas desabrigadas e mais de 50 mil desaparecidos. O balanço inclui apenas mortes confirmadas, e o número total de vítimas pode ser muito maior. As chances de encontrar pessoas vivas em meio aos escombros diminui significativamente de 48 a 72 horas após a tragédia.
A missão brasileira é coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e atua principalmente no município de Vargas, no estado de La Guaira, um dos mais atingidos pelos terremotos. O Ministério da Integração informou que o primeiro dia de atuação foi dedicado à busca e salvamento de vítimas sob escombros. A operação utiliza sensores de movimento, aparelhos para detectar sinais de celulares de vítimas soterradas e seis cães farejadores.
Segundo o diretor do Departamento de Preparação e Socorro da Sedec, Armin Braun, a situação no local é crítica. “Estamos em uma verdadeira corrida contra o tempo em um país devastado, sem água, sem energia, com muita gente na rua, fora de suas casas”, afirmou. Tão logo o desastre aconteceu, o governo se mobilizou para ajudar o país vizinho, enviando profissionais, cães farejadores e cerca de 10 toneladas de materiais, medicamentos e equipamentos. A primeira equipe chegou à Venezuela já na sexta-feira (26).
Uma projeção da Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU estimou que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos tremores. “Até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos”, afirmou o órgão em nota. As projeções foram baseadas em análises populacionais e de danos ocorridos. Os números incluem até dois milhões de pessoas somente em Caracas.
Segundo informações do governo venezuelano, mais de 1.600 socorristas estrangeiros chegaram ao país para reforçar as operações de socorro. “Nas últimas horas, a Venezuela recebeu 17 voos transportando mais de 1.600 membros de equipes de resgate e, nas próximas 24 horas, são esperados mais 25 voos”, disse Oliver Blanco, funcionário do Ministério das Relações Exteriores, no sábado (27).
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez também afirmou, em um pronunciamento na televisão estatal do país durante a madrugada, que outros 10 países ainda se juntariam aos esforços de resgate e que 14.000 militares e policiais estavam em La Guaira. Os dois terremotos que abalaram a Venezuela ocorreram em um intervalo de menos de um minuto e com uma diferença de 5 quilômetros entre eles. O epicentro do tremor mais forte foi registrado na cidade venezuelana de El Guayabo, a 168 km da capital Caracas.
Réplicas ocorreram em cidades costeiras perto da capital venezuelana, como La Guaira, que ficou fortemente destruída. O aeroporto internacional de Caracas também foi fechado. Além da intensidade dos tremores — de magnitudes 7,2 e 7,5 — a baixa profundidade dos dois abalos também explica o rastro de destruição deixado. Isso porque, quanto mais perto do solo, mais o terremoto é sentido.











