Guiné-Bissau interrompe testes de vacina financiados pelos EUA que usavam crianças como cobaias

Testes com crianças foram interrompidos pelo governo local (Gomes da Silva-Unicef)

A Guiné-Bissau comunicou que interrompeu um estudo financiado pelo governo norte-americano sobre os efeitos colaterais de uma vacina contra hepatite B e risco de autismo.

O governo americano com sua política antivacinas estava usando os recém nascidos de Guiné-Bissau como cobaias para suas teorias retrógradas de que as vacinas estariam relacionadas com o autismo. Apenas metade dos recém nascidos eram vacinados contra a hepatite B, e a outra metade recebia placebo, funcionando como grupo de controle, para tentar provar a todo custo o mito de que as vacinas causam autismo.

Guiné-Bissau, um dos países mais pobres da África e com altos índices de hepatite B, foi alvo de críticas da comunidade científica e da Organização Mundial de Saúde (OMS) por apenas metade dos recém nascidos do país que estarem sendo vacinados contra o vírus HBV que causa a hepatite B.

“Em sua forma atual, e com base em informações publicamente disponíveis, o teste é inconsistente com os princípios éticos e científicos estabelecidos”, comunicou a OMS, classificando o estudo financiado pelos EUA como “antiético” por reter a aplicação de uma vacina considerada segura aos recém nascidos do país. “Explorar a escassez não é ético”, disse a OMS.

O Secretário de Saúde americano, Robert F. Kennedy Jr., que já fez campanha anti-vacina e que comanda o ‘Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA’ (Centers for Disease Control and Prevention, CDC), concedeu US$1,6 milhão a pesquisadores dinamarqueses para conduzirem esse “estudo” nos bebês de Guiné-Bissau, um país com mais de 70% de sua população abaixo da linha de pobreza.

Os pesquisadores favorecidos com o patrocínio americano, liderados por Christine Stabell Benn e seu marido Peter Aaby, da Universidade do Sul da Dinamarca em Copenhague, já foram alvo de críticas da comunidade científica internacional por práticas de pesquisa questionáveis.

Kennedy fez uso do trabalho deles para cortar o financiamento global à vacinação. Agora ele está tentando fabricar um estudo sobre um mito anti-vacina que já foi cientificamente provado como sendo mentiroso para justificar mais ataques contra instituições de saúde. Kennedy também descartou a recomendação do CDC de vacinar todos os recém nascidos nos EUA.

De acordo a Universidade Johns Hopkins, nos EUA, 90% dos recém nascidos expostos à hepatite B desenvolvem um infecção crônica, sendo que entre 15% a 25% morrem precocemente de insuficiência hepática ou câncer.

O mito de que “vacinas causam autismo” já foi provado como sendo uma fraude e refutado pela comunidade científica. No site do Butantã há um contexto histórico de como essa teoria veio a público, os danos causados pelas pessoas que acreditam nela e sobre o estudo que desmentiu essa calúnia.

“Uma meta-análise publicada na Vaccines em 2014 por pesquisadores australianos investigou diferentes estudos envolvendo mais de 1 milhão de crianças, e os dados mostraram que a vacinação não está relacionada ao TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). O Comitê Consultivo Global da OMS sobre Segurança de Vacinas (GACVS) também garante que não existem evidências de uma relação causal entre a vacina tríplice viral e o autismo.”

“As reais causas do TEA são de origem genética – mais de 100 genes já foram associados ao transtorno. Diferentes mutações nestes genes podem desencadear o autismo. Um estudo recente publicado na revista Cell sequenciou os genomas completos de mais de 20 mil pessoas e identificou 134 genes relacionados ao distúrbio.”

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