Diferença salarial entre homens e mulheres sobe e chega a 21,3% no setor privado

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As mulheres trabalhadoras do setor privado recebem salários 21,3% menores do que os homens, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios do Ministério do Trabalho e Emprego. A diferença, analisada entre os anos 2023 e 2025, considera a média no mercado formal, indicando um retrato geral da desigualdade de renda.

O levantamento, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), considerou cerca de 53 mil empresas com mais de 100 empregados e mostra que a disparidade cresceu desde 2024, quando era de 19,4%, passando por 20,7%, 20,9% e 21,2% até atingir o nível atual, o maior da série histórica recente.

Apesar disso, a participação feminina no mercado de trabalho aumentou. Desde 2023, o número de mulheres empregadas cresceu 11%, chegando a 8 milhões. O avanço, no entanto, não foi acompanhado por melhora na remuneração. Hoje, as mulheres recebem, em média, R$ 3.965,94 por mês, enquanto os homens ganham R$ 5.039,68. No salário de admissão, elas também seguem com remunerações menores, com diferença de 14,3%.

A massa de rendimentos femininos subiu de 33,7% para 35,2%, mas ainda está abaixo da participação das mulheres no emprego total, que é de 41,4%. Para equilibrar essa proporção, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões na renda das mulheres.

“Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”, afirma a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.

As diferenças também variam entre setores. Indústria e agropecuária concentram as maiores desigualdades salariais, enquanto comércio e serviços apresentam distâncias menores.

No recorte por raça, a desigualdade é mais intensa. Mulheres negras têm rendimento médio de R$ 3.026,66 e salário mediano de R$ 1.908,79, os menores entre os grupos analisados. Já mulheres não negras recebem, em média, R$ 5.018,11. Entre os homens, os não negros têm os maiores rendimentos (R$ 6.560,02), enquanto homens negros recebem R$ 3.875,52.

Mesmo com o aumento do emprego entre mulheres negras, que cresceu 29% desde 2023, chegando a 4,2 milhões, e com a ampliação de empresas com maior presença desse grupo, a desigualdade de renda permanece.

O relatório também aponta avanços em políticas internas, como maior oferta de jornada flexível, auxílio-creche e ampliação de licenças. Ainda assim, essas medidas seguem menos difundidas do que critérios tradicionais de remuneração, como experiência e metas.

Diante desse cenário, o governo federal mantém iniciativas como o Movimento pela Igualdade no Trabalho e o Plano Nacional de Igualdade Salarial, além da aplicação da Lei de Igualdade Salarial, que exige transparência e ações de combate à discriminação nas empresas.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *