“Isso reflete a queda da demanda por produtos industriais que ocorre desde o ano passado, consequência do patamar persistentemente alto da taxa de juros”, diz analista da entidade
O emprego industrial registrou, em janeiro, o pior desempenho dos últimos anos, segundo a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada na terça-feira (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Sob a pressão dos juros elevados, que não apenas frearam os investimentos, mas também corroem a demanda por bens industriais, a redução do número de empregados é o sintoma final de uma indústria em agonia.
O índice de evolução do número de empregados na indústria, um dos índices da pesquisa, registrou pontuação de 47,6 em janeiro. O índice varia de 0 a 100 e, quando abaixo dos 50 pontos, sinaliza queda. Este é o pior resultado para o mês de janeiro, que já é tipicamente de menor atividade, desde 2017.
“É comum que esses índices fiquem abaixo dos 50 pontos no início de cada ano, mas os resultados foram piores do que o usual. Isso reflete a queda da demanda por produtos industriais que ocorre desde o ano passado, consequência do patamar persistentemente alto da taxa de juros”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
A produção também iniciou o ano ruim, apesar de o índice de evolução de produção ter subido 4 pontos entre dezembro e janeiro, atingindo 44,9 pontos. Além de bem distante da linha divisória dos 50 pontos, foi a pior marca desde 2022.
Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), esta medida com a porcentagem do parque instalado em operação, registrou em janeiro 66% – o menor para o mês desde 2019.
Neste contexto, a CNI projeta para 2026 um crescimento pífio do PIB (Produto Interno Bruto) de 1,8%.
“Caso as projeções se confirmem, este seria o menor crescimento do PIB em seis anos. Não há como fugir da realidade: com juros nesse patamar, a economia vai desacelerar ainda mais, prejudicando todos os setores produtivos, em especial a indústria. O impacto recai sobre a população, pois isso se reflete em menos emprego e renda. É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban, em comunicado do início do ano sobre as perspectivas para 2026.











