Espanha nega a Trump o uso das bases de Rota e Morón na agressão ao Irã

B-52 dos EUA se preparam para deixar base espanhola de Morón (outono.net)

O governo Trump se viu forçado a retirar seus aviões-cisterna KC-130 das bases espanholas de Rota (Cadiz) e Morón (Sevilla), após a Espanha ter decidido no domingo (1º) negar seu uso para os ataques ao Irã, conforme anunciado pelo primeiro-ministro Pedro Sanchéz. Esses aviões são usados para reabastecer os bombardeiros que fazem parte da agressão em curso do Eixo EUA-Israel contra o Irã.

Como enfatizou o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, as bases militares espanholas não serão usadas “para nada que não esteja no acordo [com os EUA], nem para nada que não esteja coberto pela carta da ONU”.

VASSALAGEM DA FRANÇA, ALEMANHA E REINO UNIDO

Segundo a agência Reuters, o governo Trump já deslocou seus aviões para bases na França e na Alemanha, que já expressaram sua disposição para a vassalagem na agressão, assim como o Reino Unido, sob a fachada de “ações ofensivas proporcionais” à autodefesa exercida pelo Irã.

Analistas observaram que não é a primeira vez que isso acontece e que em 1986 o então primeiro-ministro Felipe González negou a Reagan o uso das bases na Espanha para o criminoso bombardeio à Líbia de Kadafi. O que obrigou os aviões, procedentes de bases britânicas, a dar uma enorme volta para não sobrevoar a península ibérica.

“A Espanha tem uma posição muito clara: a voz da Europa neste momento deve ser de equilíbrio e moderação, trabalhando para a desescalada e o retorno à mesa de negociações”, afirmou Albares, na segunda-feira.

“Uma lógica de violência como a que estamos a presenciar só conduz a uma espiral de violência e a ações militares unilaterais fora da Carta das Nações Unidas, fora de qualquer ação coletiva, e sem qualquer objetivo claro. A Europa deve defender o direito internacional, a desescalada e a negociação”, insistiu.

DEPUTADA IRLANDESA APLAUDE DECISÃO ESPANHOLA

Clare Daly, ex-deputada irlandesa no Parlamento Europeu, aplaudiu a decisão espanhola e conclamou o governo de Dublin a fazer sua parte para negar aos EUA uma base para ataques aéreos.

“A Espanha negou ao exército dos EUA qualquer uso de seu território para realizar atos ilegais de agressão contra o Irã”, escreveu Daly. “Ontem [a Organização de Direitos Humanos] Shannonwatch documentou dois aviões Hercules C-130H da Força Aérea dos EUA pousando no Aeroporto de Shannon. O governo vai fazer algo para cumprir as responsabilidades internacionais da Irlanda?”

“A Europa deveria fechar todas as bases americanas em seu território”, postou David Adler, co-coordenador geral da Progressive International. “Não pode haver ‘autonomia estratégica’ enquanto os Estados Unidos mantiverem a capacidade de cometer violência gratuita a partir de instalações imperiais em território europeu.”

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