Dados alertam para agravamento da desindustrialização, aponta CNI

Selic desestimulou o investimento, encareceu o crédito e restringiu a demanda por bens industriais. (Foto: Gabriel Pinheiro/ CNI)

“Medidas para reverter esse quadro precisam ser tomadas de forma imediata”, defende a entidade

Asfixiada pelos juros altos, a indústria de transformação brasileira perde espaço na economia a cada ano. Os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 mostram que o setor registrou queda de 0,2% no ano passado, dado que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reforça que o país passa por um processo de desindustrialização. Trata-se da quinta queda no PIB da indústria de transformação dos últimos sete anos: “se nada for feito, deve perder mais espaço na economia em 2026”. 

“A Selic desestimulou o investimento, encareceu o crédito aos consumidores e restringiu a demanda por bens industriais. Essa situação é agravada pela expansão das importações, que cresceram de forma generalizada e em ritmo muito superior ao da demanda”, afirma o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra.

O último resultado positivo que a industria de transformação teve foi em 2024, quando cresceu em 3,9%. De acordo com a CNI, este desempenho não se sustentou, “o setor foi asfixiado pelos juros elevados e pela invasão de produtos estrangeiros no mercado nacional”.  

“A política monetária contracionista se refletiu em toda a cadeia produtiva. Não à toa, o PIB industrial, como um todo, subiu 1,4%, menos da metade do registrado em 2024. O resultado só não foi pior devido à alta de 8,6% da indústria extrativa”, avalia a entidade. A CNI também ressalta que a taxa de investimentos fechou 2025 em 16,8% do PIB. Este resultado é muito mais baixo do que a média de 20%, registrada entre 2010 e 2013 e necessária para sustentar taxas de crescimento da economia.

“O cenário preocupa, mas não é novo: desindustrialização e baixo investimento. As medidas para reverter esse quadro precisam ser tomadas de forma imediata”, conclui Guerra.

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