Mulheres convocam 8 de Março contra a violência e pela soberania dos povos

Manifestação de 8 de Março na Avenida Paulista em 2025 - Foto: Joanne Motta

Ato na Avenida Paulista será realizado neste domingo a partir das 13h

A Federação das Mulheres Paulistas (FMP) publicou a sua convocatória para as atividades do 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres em que denuncia o aumento da violência contra mulher, repudia os cortes do governo Tarcísio na proteção às mulheres em São Paulo e defende a soberania dos povos frente às ameaças de Trump. 

Para a entidade, o Dia Internacional da Mulher é um período para refletir sobre os avanços conquistados e lutar para superar as desigualdades que ainda persistem no Brasil e no mundo. A FMP completa em 2026 45 anos de fundação.

A FMP denuncia que São Paulo, sob o governo de Tarcísio de Freitas, registra o maior número de feminicídios desde 2015, enquanto continua cortando verbas da Secretaria de Políticas para a Mulher em 54,4%. Para enfrentar a situação, a FMP defende investimento em uma rede de proteção, com criação de mais delegacias da mulher 24 horas, especialmente em bairros periféricos, e unidades da Casa da Mulher Brasileira em todas as regiões do estado.

ESCALA 6X1

A FMP denúncia que a escala 6×1 torna essa realidade ainda mais perversa: são seis dias de trabalho e apenas um em casa, justamente o dia em que as tarefas de cuidado se acumulam. “A escala 6×1 é especialmente cruel conosco. Ela aprofunda a desigualdade salarial e empurra as mulheres para a exaustão física e mental”, afirma o folheto. O movimento convoca a intensificar a pressão sobre o Congresso, que prevê votar em maio o fim da escala 6×1.

JUROS

A dupla jornada de trabalho é uma realidade dura para as mulheres trabalhadoras, já que as tarefas domésticas e cuidados com os filhos ainda são tratados como responsabilidades individuais. Dados do IBGE mostram que as mulheres no Brasil dedicam quase o dobro de tempo que os homens às tarefas domésticas.

A FMP também critica a política econômica, apontando que os gastos com juros da dívida brasileira consumiram R$ 1,007 trilhão em 2025, segundo relatório do Banco Central. “Esse valor daria para ter construído pelo menos 5 milhões de casas em 2025”, compara o texto.

Para a FMP, é preciso intervir para melhorar as condições de trabalho e garantir a participação das mulheres no desenvolvimento do país, com equipamentos públicos como creches, escolas integrais, restaurantes e lavanderias populares. “Não faltam recursos, e sim prioridade, pois enquanto a política econômica privilegia os interesses de banqueiros e do mercado financeiro, compromete a qualidade dos equipamentos públicos”, conclui.

MULHERES CONTRA O FASCISMO 

O movimento denuncia ainda um cenário de regressão no mundo, citando o genocídio do povo palestino em Gaza, a invasão à Venezuela com o sequestro do presidente Nicolás Maduro, os bloqueios dos EUA a Cuba, o ataque ao Irã e a política anti-imigração de Trump, que “transformou a ICE na SS de Hitler, caçando imigrantes como animais”.

UBM DEFENDE UNIÃO DE FORÇAS POR MAIS DIREITOS

A União Brasileira de Mulheres (UBM) convoca a população a unir “forças contra as violências, pelo FIM DOS FEMINICÍDIOS, pelo direito de vivermos seguras”. “Queremos democracia, paz, soberania das nações e justiça social”.

“Nós temos lado. Somos contra o governador Tarcísio porque — entre muitos motivos — ele corta verbas que poderiam servir para novas delegacias da mulher ou para projetos de prevenção à violência. Em vez de melhorar a proteção das mulheres, o governo estadual demonstra desprezo pela nossa segurança”, destaca a entidade.

“Rechaçamos o ditador Trump e seus capachos. Repudiamos qualquer pretexto para atacar outros países. As populações têm o direito de escolher o seu destino sem interferência dos Estados Unidos ou de Israel, que se sentem donos do mundo para agredir quem não se ajoelha a eles. Somos solidárias aos povos atacados pelo imperialismo, seja em Cuba, na Venezuela, no Irã, em Gaza ou qualquer outro lugar”.

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