Bancos apostam na estagnação e projetam juros maiores no final do ano

Selic nas alturas paralisou a economia no último semestre do ano passado. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Setor produtivo exige a imediata redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom

Os bancos e demais instituições financeiras elevaram a projeção para taxa básica de juros (Selic) no fim de 2026, de 12% para 12,13%, segundo dados do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), nesta segunda-feira (9). Esse é o primeiro boletim Focus, após o IBGE divulgar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2025, alta de 2,3%, o que sinaliza que houve forte perda do ritmo de crescimento econômico quando comparado com os dois anos anteriores: crescimento de 3,4% em 2024 e avanço de 3,2% em 2023.

Nos dois últimos trimestre do ano passado, o PIB ficou estagnado (0,0% e 0,1%) na comparação com o trimestre imediatamente anterior, após ligeira alta de 0,3% no segundo trimestre e o avanço de 1,5% no primeiro trimestre. Em 2025, o crescimento do PIB foi puxado pela Agropecuária (11,7%). Já Serviços cresceu 1,8% e o total da Indústria subiu 1,4%. 

A desaceleração econômica está sendo provocada pela taxa de juros Selic, que a partir de setembro de 2024, quando estava fixada em 10,5%, passou a ter o seu nível elevado pelo Copom (Comitê de Política Monetária do BC) até atingir os atuais 15% ao ano – firmando o Brasil novamente entre os países com os maiores juros reais (descontada a inflação) do mundo.

O boletim mantém a projeção da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 3,91%.

No ano passado, impulsionado pelos juros altos, os banqueiros voltaram a obter lucros extraordinários. Para se ter uma ideia, os três maiores bancos privados no Brasil (Itaú, R$ 46,83 bilhões de lucro no ano; Bradesco, R$ 24,65 bilhões; e o espanhol Santander, R$ 15,615 bilhões) somaram juntos um lucro de R$ 87 bilhões.

COPOM

Agora, para seguir aumentando os seus ganhos em 2026, os bancos usam a atual alta do preço do barril de petróleo, provocada pela agressão dos EUA/Israel contra o Irã, para pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) a elevar ou manter o nível da Selic em 15%, o que seria um desastre para a economia brasileira. A previsão dos bancos para este ano é que o PIB brasileiro cresça apenas 1,82%.

A reunião do Copom ocorre na terça e quarta da próxima semana. O setor produtivo exige que os diretores do BC deem início ao ciclo de redução da Selic, como sinalizado na última ata da reunião do colegiado, de janeiro de 2026. A discussão do tamanho do corte, gira entre a redução de 0,50 pontos porcentuais ou de 0,25 p.p.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, “o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo. Ao manter a Selic ao nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, defendeu após a reunião do Copom, em janeiro, que manteve a Selic em 15%.

Devido à Selic ter atingido o maior patamar em 20 anos, a taxa de investimento do Brasil no ano foi de apenas 16,8% do PIB em 2025, um resultado pior do que o alcançado em 2024, de 16,9%.

O baixo nível de investimento no Brasil justifica o péssimo resultado das Indústrias de Transformação. O setor que corresponde a mais de 80% do total da indústria viu seu PIB declinar -0,2% em 2025 – sendo a quinta queda nos últimos 7 anos, como destaca a CNI (Confederação Nacional da Indústria).

“A Selic desestimulou o investimento, encareceu o crédito aos consumidores e restringiu a demanda por bens industriais”, critica o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, ao alertar que “essa situação é agravada pela expansão das importações” no país.

“O cenário preocupa, mas não é novo: desindustrialização e baixo investimento. As medidas para reverter esse quadro precisam ser tomadas de forma imediata; do contrário, o desempenho do PIB em 2026 será ainda mais modesto”.

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