Claudia repudia provocação de Trump: “nossa segurança compete às Forças do México”

Presidente do México rechaça ingerência militar norte-americana em seu país (Alfredo Estrella/AFP)

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reafirmou que somente as Forças Armadas mexicanas operarão em território nacional, rejeitando categoricamente qualquer possibilidade de intervenção militar dos EUA em solo mexicano, concretamente a proposta de Donald Trump de enviar tropas norte-americanas para o país

Em coletiva de imprensa, neste 9 de março, a presidente reiterou que a segurança do país é de responsabilidade exclusiva das autoridades nacionais, respondendo às recentes declarações do presidente Donald Trump de que o México é o “epicentro” da violência dos cartéis, e à intenção de Washington de criar uma “coalizão militar regional” contra o narcotráfico, anunciada recentemente na Cúpula Escudo das Américas em Miami.

Destacando a alarmante contradição na política de Washington, observou que, embora o governo Trump classifique os cartéis como organizações terroristas, esses grupos se equipam com armas e munições produzidas em instalações estatais dos EUA.

“O armamento que possuem os grupos criminosos, o crime organizado, como reconhecido pelo próprio Departamento de Justiça dos EUA, pelo menos 75% provém dos Estados Unidos”, afirmou, observando que, sem esse armamento de alta potência, os cartéis perderiam uma parte significativa de seu poder de fogo.

78% DAS ARMAS CONFISCADAS NO MÉXICO PROVÊM DOS EUA

Da mesma forma, o General Ricardo Trevilla, Secretário de Defesa Nacional, revelou que 78% das armas confiscadas de criminosos no México provêm de lojas de armas no Texas, Arizona e Califórnia. E assinalou que o mais alarmante é a descoberta de que quase metade da munição calibre 50 apreendida tem origem na fábrica de Lake City, em Kansas City, principal fornecedora do Exército dos EUA.

Refutando a narrativa de Trump sobre o México como o “epicentro da violência”, a presidente apresentou dados de sua estratégia baseada em informações de inteligência e abordou as prisões e apreensões informando que, entre outubro de 2024 e janeiro de 2026, 43.438 pessoas foram presas por crimes de grande impacto e 327 toneladas de drogas foram apreendidas.

Esses esforços se refletem numa queda histórica de 42% nos homicídios dolosos, atingindo a média diária mais baixa em 16 meses.

Ela também destacou a operação de 22 de fevereiro, na qual Nemesio Oseguera, vulgo “El Mencho”, líder do Cartel Jalisco Nova Geração e o homem mais procurado pelos dois países, foi abatido.

 JUSTIÇA DOS EUA DEFENDE FABRICANTES DE ARMAS

No entanto, a busca por justiça por vias legais sofreu um duro golpe em junho de 2025, quando a Suprema Corte dos EUA decidiu rejeitar o processo de US$ 10 bilhões movido pelo México contra os fabricantes de armas.

O tribunal determinou que as empresas fabricantes não podem ser processadas pelo uso criminoso de seus produtos, protegendo uma indústria que continua lucrando enquanto seus suprimentos militares atravessam a fronteira para alimentar os crimes em território mexicano.

Sheinbaum reiterou que o México continuará a colaborar em inteligência e coordenação, mas sob o princípio de cooperação sim, intervenção não, mantendo as operações de segurança estritamente nas mãos das instituições mexicanas.

A PRESIDENTE MEXICANA VISITARÁ O BRASIL

Claudia Sheinbaum visitará o Brasil entre junho e julho deste ano, segundo o presidente Lula da Silva, que comentou ter conversado com ela por telefone nesta segunda-feira. “Reiterei meu convite à presidente Sheinbaum para visitar o Brasil (…) A presidente aceitou o convite para a visita, que deverá ocorrer entre junho e julho deste ano.”

Sheinbaum também relatou em uma publicação nas redes sociais que discutiram o andamento de projetos econômicos bilaterais. “Conversamos com o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para dar seguimento a projetos conjuntos nas áreas de desenvolvimento econômico, educação e ciência. É sempre um prazer”, afirmou.

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