Bloqueio de combustível a Cuba coloca em risco atendimento de diálise

Sem hemodiálise, mais de 3.000 pacientes podem falecer (Granma)

Cerco criminoso dos Estados Unidos obriga o cancelamento de cirurgias e exames de diagnóstico não essenciais, tornando ainda mais complexa a batalha pela vida nos hospitais da nação caribenha

O bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, pelas severas limitações de combustível impostas, põe em risco questões essenciais para a vida como o transporte dos suprimentos médicos, dos trabalhadores e dos pacientes. Em meio ao cancelamento de cirurgias e exames de diagnóstico não essenciais (raios X, ultrassonografias), está a limitação ao atendimento às emergências, como o específico para a função renal.

As medidas impostas pelo governo Trump, apontadas como um “cerco econômico” e uma “punição coletiva”, foram rechaçadas por esmagadora maioria pela Organização das Nações Unidas (ONU), sem que houvesse qualquer modificação pelo ditador no terrorismo de Estado praticado contra a Ilha Caribenha,

Existem em Cuba 57 unidades de hemodiálise, com mais de 3.000 pacientes necessitando de suporte cotidiano. Destes, 45 são atendidos no instituto de Havana. E para todos eles, o governo disponibiliza um táxi – com coordenação prévia do Ministério dos Transportes – para buscá-los diariamente em suas casas,

Chefe do serviço de hemodiálise do instituto de Nefrologia do Instituto de Havana, Julio César Candelaria Brito, sabe muito bem o que representa a responsabilidade e a complexidade de adminitrar a luta por “cada gota de esperança’. Brito afirma que para o correto funcionamento do serviço é preciso vê-lo como um sistema integrado, pois inclui transporte, saúde – “que não é só tratamento de diálise, mas também medicamentos e insumos” – além de apoio espiritual. Para trabalhar aqui, assinala, “é preciso ter muita empatia e se colocar no lugar do outro. É um tratamento que luta constantemente com a morte e fazemos tudo o que está ao nosso alcance”.

Artigo publicado no jornal Granma denuncia como o bloqueio estadunidense resulta na falta de frequência com que são entregues os materiais médicos dialisados, que devem ser coletados em grandes volumes. Se antes a entrega era quase diária, atualmente é feita aos poucos. “Hoje estamos aguardando a chegada do caminhão para garantir o início da hemodiálise para a sessão de amanhã”, relata Julio César.

E se a isto somarmos a eletricidade permanente necessária ao funcionamento das máquinas de diálise e das centrais que devem desionizar a água, porque é necessário retirar os elementos que podem causar infecção, será ainda mais complexo manter o serviço – como todos os outros – se o garrote do petróleo continuar, se o esforço para sufocar o país caribenho continuar.

Na verdade, há pacientes que não conseguem chegar e muitas vezes já os recebemos no pronto-socorro, porque um dia eles param de vir e colocam suas vidas em risco. “Então, é fundamental que estejam ligados a esse rim artificial”, explica José Carlos.

Diretora do Instituto, Yamilé García Villar, recorda que “temos passado por momentos de danos no sistema de tratamento de águas, que levaram a um atraso no início da hemodiálise que tem horários definidos. Nestas circunstâncias, o corpo técnico foi mobilizado e reiniciado em horário diferente, terminando a hemodiálise às quatro da manhã”.

“Apesar de vivermos tensões, é sempre garantido que a disponibilidade de recursos chegue a tempo”, disse Yamilé.  Por outro lado, embora os rins enquanto tecnologia sejam concebidos para um tempo de funcionamento de cerca de cinco anos, a manutenção é necessária anualmente, mas as limitações econômicas e financeiras impostas pelos Estados Unidos têm impedido que esta operação seja realizada de forma eficaz, e as máquinas de hemodiálise quebrem com maior frequência.

Todas as doenças têm um componente psicológico, e a certeza de que o tratamento está garantido dá um certo bem-estar e confiança. Quando há ameaças, e mais ainda, quando são reais, quando são palpáveis, o paciente sente medo.

“Estamos vivendo isso. Há o receio de que não haja continuidade no tratamento, mesmo quando sabemos da vontade política, do empenho que o pessoal tem, e não me refiro só aos médicos ou enfermeiros, mas também aos técnicos de laboratório, aos cozinheiros, aos motoristas. E aqui falamos de vidas: por que estão ameaçadas?”, condena Yamilé, elevando o tom contra o bloqueio criminoso.

Trump tem declarado abertamente que a sabotagem a Cuba visa derrubar o governo escolhido por seu povo para retornar aos tempos da marionete dos EUA, Fulgêncio Batista.

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