Juros em patamares elevados e estreitamento das linhas de crédito vêm se mantendo e diminuindo os investimentos, aponta o IBGE
Em janeiro de 2026, a produção industrial de São Paulo cresceu 3,5%, após quatro meses seguidos de queda no indicador (set/-0,8%; out/-1,5%; nov/-0,7%; e dez/-1,6%), quando acumulou perda de 4,5%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada nesta sexta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando comparado com janeiro de 2024, a taxa está negativa, queda de -1,5%.
No acumulado dos últimos 12 meses (até janeiro deste ano), a indústria de São Paulo também amarga queda de -2,4%. Já no acumulado de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, a queda está em -1,5%.
Segundo o IBGE, São Paulo, que é o maior parque industrial do país, foi o segundo lugar em termos absolutos e o primeiro em termos de influência para alta da produção industrial em janeiro (1,8%). No entanto, o analista do IBGE, Bernardo Almeida, avalia o resultado positivo “com um movimento compensatório”, ante as taxas negativas observadas nos meses anteriores, puxadas pelo impacto negativo do alto nível da taxa básica de juros (Selic), hoje em 15% ao ano, definida pelo Banco Central (BC).
“A alta da produção industrial nacional em janeiro é interpretada como um movimento compensatório, após o comportamento predominantemente negativo observado de setembro a dezembro, quando acumulou perda de 2,5%. Fatores macroeconômicos conjunturais, como a taxa de juros em patamares elevados e o estreitamento das linhas de crédito, vêm se mantendo, diminuindo o investimento na produção e moderando as tomadas de decisão por parte dos produtores”, disse.
“Na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria mostrou variação negativa de 0,1% no trimestre encerrado em janeiro de 2026 frente ao nível do mês anterior, permanecendo com a trajetória descendente iniciada em outubro de 2025″, diz o IBGE.
“São Paulo também mostra um comportamento que, apesar de positivo isoladamente, reflete um movimento compensatório em relação às perdas anteriores”, completa Almeida, ao apontar que as indústrias extrativas, de produtos químicos e de máquinas e equipamentos foram os que mais exerceram influência para comportamento negativo do parque industrial de São Paulo.
De acordo com IBGE, a produção industrial brasileira cresceu 1,8% na passagem de dezembro para janeiro, com altas em sete dos 15 parques industriais investigados. Os maiores avanços foram no Pará (8,6%), São Paulo (3,5%) e Minas Gerais (3,2%). Do lado oposto, destaque-se o Rio Grande do Sul (-4,5%) e Espírito Santo (-4,3%) com as quedas mais intensas.
Frente a janeiro de 2025, a indústria nacional variou em alta de 0,2%, com taxas negativas em 10 dos 18 locais pesquisados. No acumulado em 12 meses, a alta é de 0,5%, também com 10 dos 18 locais analisados mostrando resultados negativos, como mostra a tabela que foi divulgada pelo IBGE, a seguir.
Indicadores Conjunturais da Indústria
Resultados Regionais – Janeiro de 2026












