O Dia de Jerusalém, em solidariedade ao povo palestino e contra as guerras de agressão à Palestina ocupada e, agora, ao Irã, pelo regime colonialista e supremacista de Israel associado aos EUA, foi realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo por iniciativa do deputado Mario Maurici
Como ressaltou o jornalista Andres Sallari, em reportagem à rede HispanTV, o Dia de Jerusalém, de solidariedade ao povo palestino, “foi marcado de forma ineludível pelo repúdio à guerra de agressão ao povo iraniano”.
Com a apresentação do diretor do veículo Aressala Notícias, Nasser Khazraji, foi aberta a sessão que contou com a presença de autoridades, representações diplomáticas da Rússia e de Cuba, líderes de movimentos sociais e sindicais, de entidades de solidariedade ao povo palestino e das comunidades árabes, palestinas, islâmicas e latino-americanas. A mesa foi presidida pelo presidente do Centro Islâmico, Taleb Khazraji.
“Há 47 anos, o Imam Khomeini, líder da Revolução Islâmica do Irã, fez uma de suas declarações mais importantes, nomeando a última sexta-feira do mês sagrado do Ramadã como um dia dedicado a uma das: causas que mais simbolizam a injustiça no mundo e a busca pela dignidade e liberdade dos povos. Foi assim que nasceu o Dia Internacional de Jerusalém (Al-Quds)”, informou Nasser Khazraji.
“A luta é também travada através da informação verdadeira contra a sua manipulação em favor dos opressores dos povos”, destacou.
Os inimigos dos povos buscam forjar uma opinião pública que lhe dê sustentação e é “por isso investe tanto na comunicação e na mídia, produzindo mentiras e manipulando os fatos todos os dias. Assim, percebemos um dos principais alvos dele durante as guerras: a verdade”, prosseguiu Nasser.
“Propagar a verdade, representada pela causa justa dos oprimidos e dos povos injustiçados é parte decisiva desta luta. Portanto, o Dia de Jerusalém é o dia em que a verdade desafia a mentira, a justiça desafia a injustiça, os povos desafiam os tiranos e a palavra ganha mais força, enquanto a resistência se torna mais firme”.
“Envio uma saudação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem levantado essa causa por onde passa e foi voz do povo palestino quando poucos o socorreram. A conscientização internacional dos povos foi um dos principais objetivos da declaração do Imam Khomeini, para que, a cada dia, a verdade seja mais defendida. Isso porque a obrigação de cada pessoa livre e digna no mundo é, pelo menos, proferir uma única palavra ou assumir uma posição justa diante da injustiça”.
“Sigam denunciando o genocídio, compartilhem a informação verdadeira, expliquem por que o imperialismo tenta dominar o mundo com sua ambição e não deixem de apoiar a causa dos povos”, conclamou. “Viva a Palestina! Viva o Brasil! E viva a luta do povo iraniano!”.
A seguir, o Sheikh Hassan Khaliloo enfatizou que “quando eles começam uma guerra contra o povo iraniano destruindo uma escola de meninas, fica claro que – para eles, ao contrário do que propalam – as mulheres iranianas não têm nenhum direito”.
“Neste Dia de Al Quds, os iranianos ocuparam as ruas do país às multidões, que não arredaram da praça em Teerã mesmo sob bombardeio hostil e covarde dos caças norte-americanos e israelenses. Mostrando que nada vai arredar o povo iraniano de sua determinação de solidariedade ao povo palestino”, lembrou o Sheikh iraniano.
Emir Murad, secretário-Geral da COPLAC – Confederação Palestina Latino-americana e do Caribe- destacou: “O Dia Internacional de Jerusalém, Al-Quds, é uma data carregada de significado, memória, resistência e compromisso histórico.
O Dia Internacional de Jerusalém foi instituído em 1979, por iniciativa do Aiatolá Ruhollah Khomeini, como um chamado permanente para que Jerusalém jamais fosse abandonada, para que a Palestina jamais fosse esquecida e para que a ocupação jamais fosse normalizada.
Falar de Al-Quds é falar do direito de um povo à sua terra, à sua memória, à sua soberania e ao seu futuro. Falar de Jerusalém é denunciar a ocupação, a expulsão de famílias palestinas, a violência cotidiana imposta pelo sionismo e a tentativa de apagar a identidade palestina.
O imperialismo estadunidense e o projeto sionista caminham lado a lado na produção de cercos, sanções, assassinatos, massacres e genocídio. Querem subjugar os povos que resistem e destruir toda voz que se levante em defesa da soberania, da autodeterminação e da libertação nacional.
E quando falamos em barbárie, falamos de vidas humanas concretas. Falamos da morte de crianças numa escola no Irã onde foram mortas 165 crianças pela mesma máquina de guerra que matou 18.592 crianças em Gaza e matou, na atual agressão contra o Líbano, 84 crianças.
Levantamos nossa voz por Al-Quds, pela Palestina e pelo Irã, país que, desde 1979, transformou o Dia Internacional de Jerusalém em um chamado permanente à consciência dos povos e à resistência contra a ocupação, o sionismo e o imperialismo.
Viva Jerusalém livre. Viva a Palestina livre!
José Reinaldo, presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) denunciou que “no Líbano, Israel iniciou há dez dias um novo ciclo de bombardeios e operações terrestres, após cerca de 15 mil violações do cessar-fogo firmado em 27 de novembro de 2024, A nova escalada agressiva israelense provocou a morte de centenas de pessoas, entre elas 84 crianças e o deslocamento forçado de mais de 800 mil libaneses”.
“As operações militares israelenses fazem com que o território libanês volte a se transformar em campo de guerra, o que levará inevitavelmente a uma guerra popular prolongada. A experiência histórica já demonstrou que o empreendimento sionista está fadado ao fracasso, por maiores e mais hediondos que sejam os crimes cometidos”, assegurou o presidente do Cebrapaz.
“Esse cenário ajuda a explicar por que integrantes do governo israelense fazem ameaças abertas de destruição massiva, ameaçando que partes do Líbano vão ficar como Gaza, como afirmou nesta quarta-feira (11), o ministro da extrema-direita sionista Bezalel Smotrich”.
“O Líbano já foi palco de ocupação israelense durante quase duas décadas, encerrada apenas em 2000 após a heroica luta popular. A nova guerra israelense contra o Líbano também se conecta com interesses estratégicos historicamente perseguidos pelos Estados Unidos na região. Em 2006, no auge dos bombardeios devastadores perpetrados contra o Líbano pelas forças armadas israelenses, diante do clamor internacional para que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma resolução determinando o fim do massacre, a então secretária de Estado do governo de George W. Bush, Condoleza Rice associou a continuidade da ofensiva às ‘dores do parto de um novo Oriente Médio’”.
“O povo libanês sabe recolher os ensinamentos da própria história e deterá a mão criminosa de Israel. O Líbano vencerá!”, enfatizou Reinaldo.
“Congratulações pelo Dia de Jerusalém”, prosseguiu, “que representa o coração da causa palestina e o simbolismo da proclamação de Komeini há 47 anos significa a essência da política externa da revolução iraniana é a solidariedade com o povo palestino e a luta pela sua libertação do jugo sionista. A Palestina vencerá! Isto nos mostra que devemos ter clareza do que significam os acontecimentos atuais, o nível da batalha que está em curso.
“Com a guerra contra o Irã , vemos a tentativa de concretizar seu plano de dominação, através dos criminosos bombardeios, da matança de civis, mulheres e crianças e do assassinato de autoridades iranianas, entre estas o líder Máximo do país, o imam Ali Khamenei.
“Mas a resistência heroica do povo iraniano está infligindo contundentes respostas ao imperialismo estadunidense e seus lacaios, os sionistas israelenses. O Irã vencerá!”, concluiu José Reinaldo.
O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, Ualid Rabah, tomou a palavra para denunciar que “essa agressão é uma agressão de extermínio. Não é por acaso que 30% das pessoas mortas no Irã pelos bombardeios israelenses e iranianos é de mulheres, que um índice altíssimo dos assassinatos em Gaza tiram a vidad e mulheres. Querem exterminar ventres, ao tempo em que exterminam crianças para impedir a infância palestinos, libaneses e iranianos”.
O cineasta Mansur Peixoto, diretor da série “História Islâmica, contestou os pretextos de Trump para agredir o Irã: “Fala-se tanto em libertação feminina e quando desencadeiam uma guerra contra o Irã, destróem uma escola feminina, isso se reveste de um simbolismo da verdadeira motivação do ataque que é tentar submeter mulheres e homens iranianos a seus ditames. Isso fica claro quando atingem uma escola de meninas no seio de um povo atingido por décadas de sanções brutais”.
O ativista Thiago Ávila, um dos comandantes da Flotilha que desafiou a força naval israelense para levar suprimentos ao povo palestino sob cerco em Gaza, destacou que “a cada pessoa que está em Teerã, Qom, Isfahan, quero dizer: vocês têm inspirado o mundo”.
“Mostram a todos o que é resistência verdadeira. O que é soberania de um povo que não vende sua alma, não abre mão de seus princípios e valores de si e do povo palestino e quando lutam com base nestes princípios pode vencer o mais destruidor e cruel dos exércitos.
Ele foi seguido por Nathaniel Braia, vice-presidente do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo: “O povo brasileiro, que deu os primeiros passos rumo a sua libertação e sua formação nacional com as lutas de expulsão do colonizador holandês, que ocupou nosso território por 24 anos; que constituiu sua independência com o fim do colonialismo português 150 anos após a decisiva vitória em Guararapes contra o invasor holandês, reúne através de sua história, as condições de ser profundamente solidário diante da guerra de extermínio do povo palestino e de destruição do povo iraniano e de aquilatar a importância desta solidariedade.
“Mesmo quando um século depois do nosso brado de ‘Independência ou Morte’ enfrentamos com sucesso a colonização encabeçada pelos banqueiros ingleses com Getúlio Vargas à frente, na Revolução de 1930, vivemos novas tentativas de retornar à condição de dependentes, como se observa nas palavras e medidas intervencionistas de Trump, ameçando a soberania dos povos latino-americanos”.
O ato foi encerrado pela jovem iraniana, Motahada Khaliloo: “Quando 165 crianças são martirizadas em uma escola, eles dizem querer trazer liberdade para as mulheres. São meninas assassinadas que mostram que a realidade do que eles querem é exatamente o oposto”.
Também participaram do evento o ex-deputado federal, Jamil Murad, e a diretora da Fearab, Claude Hajjar.











