Lançamento de livro pró-Palestina mobiliza São Carlos contra agressão dos EUA-Israel

Os participantes do evento receberam da direção do Sindicato um exemplar da obra autografado pelo autor (Erika Pereira)

Evento reúne ativistas do movimento sindical e social em repúdio ao genocídio e condena atrelamento da mídia internacional aos interesses do cartel bélico

“Neste momento em que Donald Trump e Benjamin Netanyahu multiplicam a destruição e as mortes, nos somamos aos povos do planeta para reafirmar nossa posição em defesa intransigente da vida. Saímos deste encontro na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Carlos e Ibaté revigorados, sustentando, junto às nossas bases, que cidadania significa compromisso com o interesse comum, o oposto ao da indústria armamentista”.

A afirmação de Erick Silva, presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores, destaca o significado do lançamento do livro Guatemala e Palestina sob o tacão genocida de Israel – Uma história silenciada pela mídia hegemônica, de Leonardo Wexell Severo (Editora Papiro, 126 páginas, R$ 35), realizado na noite desta quinta-feira (19), na “Capital Nacional da Tecnologia”.

Para Vanderlei Aparecido Strano, presidente do Sindicato, a obra de Severo, membro do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo e redator-especial do Hora do Povo, “é uma denúncia contundente de que enquanto há os que abraçam uma política de terrorismo de Estado e se empenham em calar o diálogo com mísseis e bombas, nosso compromisso é com a solidariedade, com a defesa da liberdade e a verdade, com o direito à vida”.

Dirigente do Partido Comunista do Brasil (PcdoB), Roberto Menezes resgatou que “a militância está presente, assim como tem ocupado as praças e ruas de todo o país, para combater o imperialismo, o sionismo e o bolsonarismo, que integram uma identidade comum, que nos faz recordar a barbárie do nazismo e do fascismo”. “A palestra nos tocou profundamente pelo seu conteúdo de denúncia e solidariedade”, observou.

Representando o Instituto Angelim, Soila dos Santos defendeu o “Março de luta e solidariedade”, que elevou vozes e reforçou o vínculo de irmandade, “isolando os que insistem no caminho da guerra, disseminando mentiras e ódio pelos meios de comunicação a seu serviço”. “Este ato foi um ato de reflexão e mobilização para seguirmos em frente pela paz, em defesa do Brasil e da Humanidade”, frisou.

EXIGÊNCIA PELO FIM DOS MASSACRES

Conforme Doni Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de São Carlos, “quando o imperialismo e o sionismo tentam ganhar uma sobrevida aprofundando a superexploração de países e povos, com a submissão de governos servis, levantamos bem alto a exigência pelo fim dos massacres bandeira e a denúncia das suas práticas genocidas”.

Severo teve contato com a prática dos agentes israelenses no país centro-americano em 2013 e 2024, e na Palestina, em 2000 – quando entrevistou o presidente Yasser Arafat – e 2015. “Nos dois países pude presenciar as atrocidades impostas aos seus povos pelos sionistas, sempre com a sustentação estadunidense. Somente na ditadura guatemalteca entre 1960 e 1996, oficialmente, foram 200 mil mortos e mais de 45 mil desaparecidos. Um terrível banho de sangue”, denunciou.

De forma categórica, o autor descreve “o caráter manipulador dos grandes conglomerados midiáticos e a forma como falseiam a realidade, sempre procurando silenciar ou invisibilizar os fatos na tentativa de absolver os criminosos e transformar as vítimas em culpadas”. “Exatamente o mesmo que estamos vendo agora quando sequestraram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ameaçam invadir Cuba e onde procuraram esconder a matança das 175 meninas e 14 professoras da escola iraniana por um bombardeio dos EUA-Israel”, acrescentou Severo, colaborador do Vermelho, da Diálogos do Sul e do Correio da Cidadania,

“PALESTINIZAÇÃO DO TERRITÓRIO MAIA”

“Este livro traça um paralelo poderoso entre a tragédia da Palestina e a história de lutas e violências na Guatemala – dois territórios distinto, mas marcados por uma mesma ferida colonial: a dominação imperialista, a exploração dos corpos e da terra, o silenciamento das culturas originárias”, destaca o renomado jornalista Paulo Cannabrava Filho, editor da Diálogos do Sul e veterano da revista Cadernos do Terceiro Mundo. Ao escancarar esses vínculos, sublinhou Cannabrava, “o autor denuncia a cumplicidade de potências e transnacionais com projetos genocidas e aponta para a resistência viva de povos que se recusam a desaparecer”.

O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, apontou que “ao explicitar o terrorismo de Estado e os banhos de sangue, o livro torna-se indispensável”. “Diante de tantos e tamanhos horrores, esta importante obra nos convoca a sermos companheiros de combate, generosos, coletivos, para a vitória da Humanidade”, assinalou.

Em sua apresentação do livro, o pesquisador do Escritório de Direitos Humanos da Arquidiocese da Guatemala e membro da Organização dos Filhos e Filhas pela Identidade e a Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio, Raúl Nájera, recorda que “oficiosamente alguns militares falaram em Palestinização do território maia na Guatemala, pelo fato de grupos paramilitares israelenses comandarem suas práticas de assassinato massivo, racista e de desaparições forçadas”.

Ativista de direitos humanos que conseguiu se salvar de três atentados, Raúl Najera teve a avó, a mãe e dois tios executados pela ditadura. “Precisamos lembrar que foi o Estado de Israel quem assessorou o Exército da Guatemala para militarizar, praticar os grandes massacres e erguer campos de concentração na comunidade maia. Esta é a história deste livro do companheiro Leonardo que a mídia hegemônica tenta esconder. Esta é a histórica que nos une, da Guatemala à Palestina: o genocídio em curso contra nossos povos, bem como a memória das lutas pela vida e pelo direito ancestral de defendê-la”, concluiu Raúl.

Pelos números oficiais, já foram executados pelo governo israelense – desde o dia 7 de outubro de 2023 – mais de 170 mil palestinos, com cerca de 175 mil feridos, mais de cinco mil mutilados e milhares permanentemente incapacitados pela gravidade dos ferimentos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

No final do evento todos os participantes receberam gratuitamente um exemplar da obra, distribuído pelo Sindicato dos Metalúrgicos e autografado pelo autor.

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