Master: apoiador de Bolsonaro e Tarcísio recebeu R$ 485 mi de empresa investigada pela PF

Cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, ao ser preso (Foto: Reprodução - Vídeo)

Cunhado de Vorcaro chegou a receber R$ 485 mi para favorecer milícia privada e favorecer agentes públicos

O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Policia Federal (PF) sob a suspeita de pagar uma suposta milícia privada do grupo e favorecer agentes públicos.

A constatação foi feita pelo jornal Folha de S. Paulo ao obter o extrato da conta de Zettel, pelo qual tais repasses foram feitos entre julho de 2022 e janeiro deste ano. Se considerado apenas o ano de 2025, Zettel recebeu R$ 160 milhões da Super, originados de 264 transferências. Os maiores repasses foram feitos entre fevereiro e abril, de R$ 5 milhões cada.

Tanto Zettel como Vorcaro, provocados para esclarecer o fato, não quiseram responder aos questionamentos. Zettel é apontado nas investigações como o responsável por intermediar e operacionalizar pagamentos relacionados às possíveis atividades ilegais do Master.

A Polícia Federal constatou, ainda, que a atuação do cunhado de Vorcaro seria central no esquema para viabilizar financeiramente as atividades ilícitas do grupo. A polícia ainda analisa mensagens trocadas entre ele e o dono do Master em que há ordens de pagamentos e citações a transações financeiras com menções a políticos.

Zettel é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha e teve sua prisão preventiva decretada junto com a de Vorcaro, na terceira fase da Compliance Zero. Na ocasião, seus advogados, Maurício Campos e Juliano Brasileiro, disseram que ele estava à inteira disposição das autoridades.

Casado com Natalia Vorcaro, ele ganhou projeção no meio empresarial como fundador e CEO da Moriah Asset, gestora que se apresenta como o primeiro e maior private equity focado em bem-estar no Brasil.

Por meio da Moriah, tornou-se sócio de negócios como o Grupo Frutaria (Frutaria São Paulo, Empório Frutaria e Néctar), da rede de açaí Oakberry, da academia de luxo Les Cinq, da Desinchá e da Super Nutrition, marca de suplementos como creatina.

Em 2022, ele foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com cerca de R$ 5 milhões no total —R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio.

Já a Super é citada como parte da engenharia financeira para movimentar o dinheiro que era desviado do Master. Ela teria sido utilizada para tomar empréstimos fraudulentos do banco. O Master venderia esses financiamentos para fundos de investimento, limpando o seu balanço.

O dinheiro era usado tanto para adquirir bens quanto para alimentar uma rede de fundos responsável por desviar recursos do banco e retroalimentar o próprio Master a partir da compra de CDBs (Certificados de Depósito Bancário).

De acordo com a PF, a empresa também teria sido usada para o pagamento ilícito feito por Vorcaro a dois ex-funcionários do Banco Central investigados no esquema de desvios do Master, o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe do departamento de supervisão bancária Belline Santana.

Segundo decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC e recebiam propina por isso. Entre os pagamentos, a decisão menciona uma viagem à Disney feita por Souza, cujo guia foi pago pelo dono do Master.

Além disso, está no nome da Super a casa de R$ 36 milhões em Brasília onde o banqueiro recebeu políticos como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos). Segundo a assessoria de Vorcaro, ele é inquilino do imóvel.

Hoje, a casa está em nome da Prime Aviation, empresa de aluguel de bens de luxo que já teve Vorcaro entre seus sócios.

O ex-banqueiro também declarou à Receita Federal ter feito pagamentos de R$ 68 milhões em 2023 à empresa. Os valores quitaram dívidas de Vorcaro com a Super na compra de imóveis e outros investimentos.

Na decisão em que determinou a prisão preventiva de Vorcaro, no começo de março, Mendonça apontou que a Super foi também utilizada para os pagamentos do grupo chamado de “A Turma”, encarregada de monitorar e pressionar pessoas consideradas adversárias do banqueiro ou ligadas às apurações sobre o banco. O ministro também determinou a suspensão das atividades da empresa.

Zettel deixou a diretoria da Super em julho de 2024. Empresas dele e de Vorcaro aparecem registradas no mesmo endereço comercial em Belo Horizonte, segundo dados da Receita. Sua sócia Ana Cláudia Queiroz de Paiva segue como diretora da instituição.

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