Cubanos acolhem Caravana de Solidariedade e saúdam lideranças brasileiras

Primeiro barco da Flotilha de Solidariedade é saudado com entusiasmo no cais de Havana (Granma/AFP)

Parlamentares, sindicalistas e representantes estudantis brasileiros compõem comboio internacional que levou à Ilha centenas de toneladas de alimentos, medicamentos e equipamentos, furando o criminoso bloqueio dos EUA

“Este é um ato anti-imperialista onde reunimos lideranças do mundo inteiro para manifestar nossa solidariedade ao povo cubano e romper o bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra a Ilha”, afirmou o deputado federal Orlando Silva (PCdoB), sintetizando o significado da Caravana que chegou nesta terça-feira a Havana, levando centenas de toneladas de alimentos, medicamentos e equipamentos.

Entre os materiais essenciais para enfrentar a grave crise energética imposta por Trump ao país caribenho, os brasileiros levaram painéis solares, que têm por prioridade o atendimento dos setores mais vulneráveis, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais. Desde 2024 o país sofreu sete apagões em escala nacional, dois deles na última semana, colocando em risco a vida de milhares de pessoas.

Conforme relataram os integrantes da caravana, ao se aproximarem do porto da capital, os ativistas abriram uma faixa com dizeres em defesa de Cuba, enquanto eram recebidos no cais com palavras de ordem contra o criminoso bloqueio.

Orlando Silva explicou que um grupo menor com representantes políticos de 20 países debateu temas como finanças, agricultura, comunicação e tecnologia, a fim de ampliar os investimentos em alternativas que deem resposta as necessidades imediatas da população. “Nestes eixos pensamos iniciativas para romper o bloqueio econômico e agora também o bloqueio militar. Energia sustentável alternativa será o foco da delegação brasileira para mobilizar a sociedade brasileira. Cuba sim, ianques não!”, assinalou.

MENSAGEM DE ESPERANÇA FRENTE À AGRESSÃO IMPERIAL

Integrante da coordenação da missão, o brasileiro Thiago Ávila disse que a chegada em Havana representa uma mensagem de esperança ao povo cubano e, também, ao palestino, que lutam pela sua soberania e independência frente à agressão imperial.

No manifesto, os organizadores da missão destacaram que se trata de uma “ajuda humanitária essencial” quando o governo Trump busca “sufocar a Ilha”, ao cortar combustível, voos e bens considerados indispensáveis à sobrevivência. O texto também conclama o apoio internacional para “romper o cerco, salvar vidas e defender a causa da autodeterminação de Cuba”.

Entre outras lideranças integraram a missão Bianca Borges, atual presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), acompanhada de três ex-presidentes – Orlando Silva, Gustavo Petta e Manuella Mirella – levando donativos arrecadados pela campanha “Com Cuba, Sempre!” e a mensagem histórica do movimento estudantil brasileiro: a luta pela paz, pela soberania dos povos e contra o imperialismo.

QUATRO GERAÇÕES DA UNE

“A presença de quatro gerações de dirigentes da UNE nessa missão não é casual. É o reconhecimento de que a solidariedade internacional não é pauta de uma gestão, mas compromisso permanente que atravessa décadas de história da entidade. Desde sua fundação em 1937, a UNE defende o fim das guerras, a autodeterminação dos povos e a construção de um mundo sem bloqueios, invasões ou intervenções imperialistas. A paz como princípio, a solidariedade como prática”, enfatizaram.

Os quatro dirigentes reiteraram que a defesa da paz sempre foi marca da UNE. “Denunciamos as Guerras no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão, nos mobilizamos contra invasões militares na América Latina e, hoje, seguimos firmes contra todas as formas de imperialismo que ameaçam os povos soberanos. Para nós, defender a paz não é discurso retórico – é enfrentar concretamente as causas das guerras: a ganância por recursos naturais, a submissão econômica e o bloqueio cruel contra nações que ousaram escolher seu próprio caminho”.

Cada vez mais transtornado e isolado, no dia 29 de janeiro Trump assinou uma ordem executiva que declarava “emergência nacional”, diante da suposta “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo ele, Cuba representa para a segurança do país norte-americano e da região.

Sobre essas bases, anunciou a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, somando-se a ameaças de represálias contra aqueles que agirem em sentido contrário à ordem executiva da Casa Branca.

Para David Adler, da Progressive International, ao enviar ajuda urgente diretamente à população, a Caravana mostra ao mundo “o custo humano do cerco de Trump contra Cuba”, evidenciando que “a solidariedade internacional pode triunfar sobre o isolamento imposto”.

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