Teerã rejeita proposta de rendição dos EUA e apresenta cinco exigências para o fim da guerra que lhe foi imposta
O Irã respondeu a uma proposta norte-americana supostamente voltada para acabar com a guerra imposta em andamento, enfatizando que a guerra só ocorrerá nos termos e cronograma de Teerã. O anúncio da disposição iranianan de resistir , preservando a soberania veio através de um alto funcionário político e de segurança à Press TV nesta quarta-feira (25).
A recusa foi também expressa pelo porta-voz do Estado Maior iraniano, general Ebrahim Zolfaghari, assinalando que “o poder estratégico do qual você [Trump] tanto se vangloriava se transformou em uma derrota estratégica. O país que se dizia uma superpotência mundial já teria escapado dessa situação se pudesse”.
Segundo Zolfaghari, os EUA não conseguirão obter benefícios de seus investimentos na região nem retomar os antigos níveis de preços de energia. O militar destacou ainda que qualquer cenário de estabilidade na Ásia Ocidental dependerá exclusivamente das condições impostas por Irã e será garantido pelas forças armadas iranianas.
“Até que chegue o momento adequado para a nossa vontade, nada voltará a ser como antes. Isso só se tornará realidade quando a ideia de agir contra a nação iraniana tiver sido completamente apagada de suas mentes imundas”, concluiu o general.
Por sua vez o “funcionário com conhecimento dos detalhes da proposta” reiterou ao Press TV que o Irã “encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas”. Ele enfatizou a determinação de Teerã em continuar sua defesa e infligir “golpes pesados” ao inimigo até que suas exigências sejam atendidas.
DESCONECTADAS DA REALIDADE
Segundo o funcionário, Washington tem conduzido negociações por meio de vários canais diplomáticos, apresentando propostas que Teerã considera desconectadas da realidade do fracasso americano no campo de batalha, além de “excessivas”.
O oficial traçou paralelos com duas rodadas anteriores de negociações realizadas na primavera e inverno de 2025, caracterizando-as como enganosas.
Em ambos os casos, o funcionário enfatizou que os Estados Unidos não tinham intenção genuína de se engajar em um diálogo significativo e, posteriormente, desencadearam uma agressão militar contra o Irã.
Teerã, portanto, categorizou a última investida, feita por meio de um intermediário regional amigável, como uma manobra para aumentar as tensões e respondeu negativamente.
AS EXIGÊNCIAS IRANIANAS
O funcionário delineou cinco condições específicas sob as quais o Irã concordaria em encerrar a guerra. Estes incluem:
Uma interrupção completa da “agressão e assassinatos” pelo inimigo.
O estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não seja reimposta à República Islâmica.
Pagamento garantido e claramente definido de danos e reparações de guerra.
O fim da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos na região
O exercício da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz é e continuará sendo um direito natural e legal do Irã, e constitui uma garantia para a implementação dos compromissos da outra parte, sendo reconhecido.
O funcionário ainda observou que essas estipulações se somam às exigências apresentadas anteriormente por Teerã durante a segunda rodada de negociações em Genebra, que ocorreu poucos dias antes dos EUA e Israel realizarem a nova rodada de agressão em 28 de fevereiro.
O Irã comunicou a todos os intermediários que atuam de boa-fé que um cessar-fogo depende da aceitação de todas as suas condições.
“Nenhuma negociação será realizada antes disso”, enfatizou o oficial, reiterando que a continuação das operações defensivas do Irã persistirá até que as condições definidas sejam cumpridas.
“O fim da guerra ocorrerá quando o Irã decidir que ela deve acabar, não quando Trump prever sua conclusão”, acrescentou.
GUERRA NÃO PROVOCADA E ILEGAL
A guerra não provocada e ilegal do eixo EUA-Israel contra o Irã foi lançada em 28 de fevereiro – no meio de negociações nucleares indiretas – com o assassinato do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e de alguns comandantes militares de alto escalão e autoridades governamentais.
Em resposta, as forças armadas iranianas já realizaram quase 80 ondas de ataques retaliatórios contra ativos militares israelenses e americanos em toda a região. Pela primeira vez, um F-35 norte-americano foi derrubado em combate, assim como três F-15, um F-16 israelense, seis aviões-tanque KC-13 e mais de uma centena de drones.
O maior porta-aviões do mundo, o Gerald Ford teve de bater em retirada para Creta, depois do que oficialmente foi dito ser um “incêndio na lavanderia… que não afetou o sistema de propulsão”. 80% dos radares estratégicos norte-americano no Golfo foram destruídos.
O Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% do petróleo, gás e fertilizantes, continua fechado para os EUA, Israel e seus vassalos. Os mísseis e drones iranianos transformaram o Domo de Ferro israelense em piada, com seus golpes atingindo Haifa, Tel Aviv e Dimona.
ESTREITO DE ORMUZ
Depois de dar um ultimato de 48 horas, Trump recuou para uma “trégua de cinco dias”, enquanto, como descreveu a Press TV, “tem cortejado alguns países da região para persuadir o Irã a cessar seus ataques retaliatórios que dizimaram a infraestrutura militar americana e israelense na região”, além de permitir a passagem de embarcações norte-americanas pelo Estreito de Ormuz.
Desde que desencadeou a guerra de agressão ao Irã, tendo o regime de apartheid israelense como cúmplice, Trump já declarou “vitória” no primeiro dia, depois disse que o Irã “não tinha mais defesa aérea, nem marinha, nem líderes políticos”, e dias depois estavam clamando aos europeus por socorro para reabrir o Estreito de Ormuz, mas ninguém veio e o carniceiro de Mar a Lago segue isolado.
Autoridades iranianas também advertem que declarações de Trump sobre “negociações” são emitidas especialmente em razão de ameaça de quebradeira em Wall Street e do mercado de títulos do Tesouro, sob a crise provocada pela agressão ao Irã, como visto na segunda-feira quando o fuhrer de Mar a Lago fez um cavalo de pau, passando em 24 horas do “ultimato” para a “trégua de cinco dias”.
Na mais recente pesquisa da Reuters /Ipsos, a aprovação de Trump despencou em uma semana quatro pontos percentuais, para 36%. Desde a posse há um ano, ele perdeu 11 pontos, com a rejeição à guerra e descontentamento com a alta nos preços dos combustíveis, efeito colateral da agressão ao irã.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIEA), o mundo vive a pior crise do setor de energia em décadas. O diretor Fatih Birol disse que “atualmente, estamos perdendo 11 milhões de barris por dia, mais do que nos dois grandes choques do petróleo combinados” na década de 1970.
“A economia mundial enfrenta uma ameaça muito, muito séria hoje, e espero sinceramente que o problema seja resolvido em breve”, conclamou, apontando que “nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se continuarmos neste caminho.”











